Novo recorde
O mercado financeiro nacional retomou as negociações na tarde de ontem - Quarta-Feira de Cinzas - com novo recorde na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e o menor valor para o dólar comercial desde maio do ano passado. Com volume reduzido de negociações, a moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 2,07 para a venda, seguindo o ritmo de baixa da semana passada.

Mau humor
A Bovespa, que abriu às 13h, chegou a registrar baixa com os investidores seguindo o mau humor ditado por Wall Street, que teve dia de baixa devido a uma alta acima da esperada na inflação ao consumidor e ao conservadorismo demonstrado pelo Federal Reserve na ata de sua última reunião.

Ata do Fed
Na ata, mais uma vez, membros do Fed expressaram ''alguma preocupação'' quanto aos chamados ''riscos inflacionários'', o que eleva a possibilidade de eventual aumento nos juros americanos. A Bolsa de Nova York encerrou o dia com baixa de 0,38% no índice Dow Jones e de 0,24% no S&P 500. Já a Nasdaq, que negocia ações do setor de tecnologia, terminou estável, com leve alta de 0,06%.


Destaques
No meio da tarde, a alta das ações da Vale do Rio Doce e das siderúrgicas prevaleceu, levando a Bolsa paulista a subir 0,53% e encerrar o dia com 46.090 pontos, novo recorde. No dia, as ações ON (com direito a voto) da Vale tiveram alta de 1,46% e encerraram a R$ 76,40, enquanto as PN (sem direito a voto) da Gerdau subiram 2,37%, para R$ 39,74. A alta se deve a uma reavaliação na expectativa para os preços do aço e do minério de ferro. As ações do Submarino, maior varejista brasileiro na internet, tiveram alta de 3,5% e terminaram o pregão a R$ 71.



Estimativas
As estimativas de analistas de mercado e de instituições financeiras são de que a cotação do dólar norte-americano frente ao real fica cada dia mais fraca. Pelos cálculos desses economistas, ouvidos pelo Banco Central na sexta-feira passada, sobre tendências dos principais indicadores da economia, a cotação do dólar é declinante, em virtude do excesso de oferta da moeda no mercado doméstico.

Dólar e Selic
A cotação atual está abaixo de R$ 2,10. Para o fim do ano, eles baixaram de R$ 2,18 para R$ 2,15, conforme informou o Boletim Focus, divulgado ontem pelo BC, com o resultado da pesquisa. Além do dólar fraco (com possibilidade de chegar a R$ 2,25 no final de 2008) e da inflação em queda (abaixo do centro da meta de 4,5%), os analistas de mercado apostam que a taxa básica de juros (Selic), atualmente de 13% ao ano, continuará em queda gradativa ao longo do ano. Para eles, a taxa deve ceder para 12,75% na reunião que o Comitê de Política Monetária (Copom) fará, no mês que vem, e chegará ao final do ano em 11,50%.

PIB
Há 25 semanas a pesquisa mantém a projeção de 3,50% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas produzidas no país. Mesma projeção também para 2008, a despeito de autoridades econômicas do governo apregoarem crescimento de 4,5% a 5%, em decorrência do programa de Aceleração do Crescimento (PAC) recém lançado pelo Executivo.

Dívida
Os economistas da iniciativa privada estimam que haverá pequena melhora, este ano, com queda de 49% para 48,90% da projeção de equivalência entre dívida líquida do setor público e PIB. Significa dizer que quase metade de tudo que o país produz está comprometido com a dívida. Mas, essa relação, que chegou a 57% em 2003, vem caindo ano-a-ano, e os analistas estimam que ela cederá para 47% no final do ano que vem.

Balança
A pesquisa manteve a estimativa de US$ 39 bilhões para o saldo da balança comercial (exportações menos importações) no ano, e melhorou a projeção de US$ 35 bilhões para US$ 36 bilhões no saldo comercial do ano que vem. Com isso, o saldo de conta corrente, que envolve todas as transações comerciais e financeiras com o exterior, será de US$ 7,28 bilhões em 2007, e de US$ 3,80 bilhões em 2008.

Européias
As ações fecharam em queda na Europa, pressionadas pelo recuo no setor de commodities, pelos temores em relação aos juros nos EUA e pela preocupação de que a DaimlerChrysler tenha dificuldades para encontrar um parceiro para a Chrysler.

Reação
As Bolsas reagiram em queda ao relatório do Departamento do Trabalho dos EUA mostrando que o núcleo da inflação medida pelo CPI subiu 0,3% em janeiro, maior aumento desde junho. A alta acima do esperado pode reduzir as chances de que o Fed corte o juro no curto prazo.

Juros
As taxas de juros também estiveram na agenda na Ásia e no Reino Unido. O Banco do Japão (banco central) elevou a taxa overnight de 0,25% para 0,50%, num movimento largamente esperado. As minutas do Banco da Inglaterra mostrou que seus membros votaram, na última reunião, por sete a dois para manter a taxa inalterada em fevereiro.

Índices
Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em baixa de 0,9%, em 6.357,10 pontos. Em Paris, o CAC-40 recuou 0,3% para 5.694,56 pontos e, em Frankfurt, o DAX Xetra 30 perdeu 0,6% para fechar em 6.941,66 pontos, após tocar a máxima de 7.005,34 pontos, nível que não atingia desde novembro de 2000. Em Lisboa, o PSI-20 fechou em queda de 1% em 12.110,43 pontos. Em Madri, o IBEX-35 caiu 0,7% para 14.788,8 pontos.

Com agências Estado, Folhapress e AFP

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