Valorização
Após finalizar as últimas quatro sessões abaixo de R$ 2,10, o dólar fechou acima desse patamar ontem, cotado a R$ 2,108 na Bolsa de Mercadorias & Futuros -BM&F (+0,69%) e no balcão (+0,72%) - taxa mais alta desde 31 de janeiro último. Esse resultado foi assegurado pelo vigor do Banco Central na compra. No leilão à tarde, o BC aceitou 13 propostas (ante 18 com taxas declaradas), pagou taxa de corte (de R$ 2,102) equivalente ao valor da roda BM&F (R$ 2,101) e pode ter comprado de US$ 550 milhões a US$ 600 milhões, afirmaram os operadores consultados.

Câmbio
O dólar pronto já abriu em alta, afetado pela forte atuação da autoridade monetária na quinta-feira e os boatos envolvendo o presidente do BC, mas acentuou os ganhos após o leilão à tarde. No topo do dia, registrado após a operação, o pronto bateu R$ 2,110 (+0,79%) na roda da BM&F e de R$ 2,111 (+0,86%). Essa arrancada pós leilão refletiu principalmente a reação das tesourarias e investidores estrangeiros à postura do Banco Central, que voltou a mostrar disposição para dar sustentação ao dólar.

Petróleo
A subida mais acentuada do pronto à tarde também refletiu o salto do petróleo acima de US$ 60 por barril à tarde, depois da Nigéria ter declarado ''força maior'' sobre as exportações de fevereiro. Segundo traders, a ''força maior'' faz parte do esperado corte na oferta da Nigéria de 250 mil barris/dia em fevereiro, para ficar de acordo com a implementação da segunda fase de redução da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). No fechamento em Nova York, o petróleo para março reduzia a alta para US$ 0,18 (0,30%) cotado a US$ 59,89 por barril.

Agenda
Na próxima semana nos Estados Unidos, a agenda de indicadores será mais importante do que a desta semana, com destaque para a divulgação do saldo comercial de dezembro na terça-feira, das vendas no varejo em janeiro na quarta-feira, da produção industrial de janeiro na quinta-feira, e do índice de preços ao produtor (PPI) de janeiro e de três indicadores diferentes do setor de imóveis residenciais na sexta-feira. O comportamento do dólar dependerá, além da postura do BC, da reação dos mercados a esses indicadores.

Juros
O cenário segue favorável à aplicação de recursos nos juros futuros, o que resultou em mais um dia de queda nas taxas. O IPCA de janeiro perto do piso das previsões e o desempenho das bolsas americanas, que até quase o fechamento do viva-voz na BM&F operavam no azul, foram os principais parâmetros nas operações com DIs. Os mais líquidos hoje foram: DI abril de 2007 com taxa de 12,76% (12,78% ontem); DI janeiro de 2008 com taxa de 12,21% (12,24% ontem); e DI janeiro de 2009 com taxa de 12,09% (12,14% ontem).

Inflação
O IBGE informou que a inflação em janeiro medida pelo IPCA desacelerou de 0,48% em dezembro para 0,44% no mês passado, que era o número que circulava ontem nas mesas de operação. O indicador veio no piso das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, de 0,42%. Mas, para fevereiro, o IBGE prevê pressões fortes para o índice, decorrentes dos reajustes nas tarifas de transportes urbanos em Salvador e Porto Alegre, resquícios de aumento no álcool e alta nos preços no grupo educação, já que o instituto computa toda a alta nas mensalidades escolares no segundo mês do ano.

Índice ABCR
Além de inflação, a agenda do dia trouxe um indicador antecedente da atividade: o índice ABCR, divulgado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias em parceria com a Tendências Consultoria Integrada. O fluxo de veículos nas rodovias pedagiadas do País subiu 0,30% em janeiro, número que desconta os efeitos sazonais, e sai de uma queda de 0,60% no fluxo de veículos leves e um aumento de 0,40% na circulação dos pesados.

Tendência
De acordo com Ana Carla Abrão Costa, economista da Tendências, os dados de janeiro consolidam uma tendência de crescimento verificada desde meados de 2006. ''O dado de janeiro passado consolida essa tendência de aumento e corrobora a análise de recuperação da indústria, que já vinha dando sinais de aceleração e que é medida pelo volume de veículos pesados''.

Humor
O que pode mudar o humor dos investidores na semana que vem é o mercado externo, já que a agenda prevê divulgação da produção industrial nos EUA, na quinta-feira, e a inflação ao produtor em janeiro, que sai na sexta-feira. Antes, na quarta-feira, o presidente do Federal Reserve, Bem Bernanke, vai depor sobre as condições da economia norte-americana no Comitê de Bancos do Senado. O mercado estará bastante atento a estes eventos para confirmar o raciocínio estruturado após o statement do Fomc de que os juros não devem subir nos EUA no curto prazo.

Outros índices
No âmbito doméstico, os destaques são os índices de inflação. Na segunda-feira, a Fipe informa o IPC da primeira quadrissemana de fevereiro. As estimativas vão de 0,50% a 0,62% (mediana de 0,56%). Na quarta-feira, haverá divulgação do IGP-10 de fevereiro e, na quinta-feira, da segunda prévia do IGP-M de fevereiro. Também na quinta o IBGE informa as vendas no varejo em dezembro.

Bovespa
O Índice Bovespa fechou em baixa de 1,35%, com 44.284 pontos. Operou entre a máxima de 45.050 pontos (+0,35%) e a mínima de 44.180 pontos (-1,59%). Com esse resultado, a bolsa passou a acumular baixas de 0,80% em fevereiro e de 0,43% em 2007. O movimento financeiro ficou em R$ 3,248 bilhões.

Ranking
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Cosan ON (+4,79%), Submarino ON (+3,50%) e BRT Par PN (+3,05%). As maiores baixas foram Braskem PNA (-3,71%), TAM PN (-3,33%) e Unibanco Unit (-2,96%). Vale PNA encerrou os negócios em baixa de 1,45%. Petrobras PN caiu 1,75%, mesmo com a cotação do petróleo tendo ultrapassado os US$ 60,00 o barril em Nova York. No fechamento, o preço do óleo subia 0,30% para US$ 59,89.

Wall Street
Em Nova York, às 18h40, o Dow Jones caía 0,41% nesta sexta-feira. O Nasdaq recuava 1,04%. E o S&P 500 registrava baixa de 0,67%.

Com Agência Estado

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