Dólar em alta
Depois de seguidas quedas, o dólar voltou a fechar em alta ontem. A atuação do Banco Central no mercado de câmbio foi considerada fundamental para esse comportamento, já que os operadores perceberam um BC mais agressivo nas compras. Rumores de que Henrique Meirelles estaria deixando a instituição também teriam pressionado as cotações. Mas a informação foi negada pelo ministro Mantega.

Lucro
Na Bovespa, o dia de ontem foi de forte realização de lucros, liderada por Petrobras, Vale e ações do setor siderúrgico. O volume financeiro foi vigoroso. Na BM&F, as mesas de DI também realizaram lucros e os juros fecharam praticamente estáveis. No fim da tarde, o Tesouro Nacional confirmou a reabertura da emissão de R$ 1,5 bilhão em Globals 2028. A taxa de emissão
teria sido a menor da história para emissões em reais.

Blue chips
O movimento foi liderado pelas principais blue chips do mercado doméstico, Petrobras PN e Vale PNA, e também por papéis do setor siderúrgico, que foram os destaques de alta nos dois últimos pregões. Em Nova York, as bolsas tiveram mais um dia volátil, sem tendência definida, com pouca influência na bolsa paulista.O Índice Bovespa fechou em baixa de 1,68%, com 44.588 pontos. Operou entre a máxima de 45.425 pontos (+0,16%) e a mínima de 44.488 pontos (-1,90%).

Câmbio
O dólar à vista interrompeu duas quedas seguidas para fechar em alta de 0,34% a R$ 2,092 na roda da BM&F, e na máxima do balcão, a R$ 2,094 (+0,38%). A aceitação pelo Banco Central em leilão à tarde de 12 propostas (de um total de 13 com valores declarados) à taxa de corte de R$ 2,087 - ligeiramente acima do preço de mercado naquele momento de R$ 2,086 - provocou ajustes de posições compradas pelas tesourarias após a operação.

Compra de dólares
Em consequência, o pronto passou a renovar as máximas. Os operadores consultados estimaram que o BC pode ter comprado ontem cerca de US$ 550 milhões. Esse valor supostamente absorvido pela autoridade monetária hoje supera os volumes adquiridos nas últimas atuações, inclusive a de sexta-feira passada, quando houve especulações no mercado de que o lote poderia ter ultrapassado US$ 1 bilhão.

Reservas
Como segunda, as reservas internacionais do País aumentaram US$ 497 milhões (para US$ 92,812 bilhões) e esse crescimento coincidiu com a entrada dos dólares comprados pelo Banco Central (BC) na sexta-feira, pode-se concluir que o lote adquirido sexta-feira foi menor do que o de ontem. Fontes do AE-News-Broadcast estimaram na sexta-feira que o BC teria comprado naquele dia cerca de US$ 400 milhões, bem perto do valor efetivamente fechado. Já entre quarta-feira da semana passada e a última segunda-feira, as reservas internacionais tiveram um crescimento de US$ 1,229 bilhão

Petróleo despenca
''Petrobras teve todos os motivos para despencar hoje'', comentou um operador.Um desses motivos foi a queda dos preços do petróleo, que fecharam em baixa de 1,99% para US$ 57,71 o barril para entrega em março em Nova York. Outro motivo foi o relatório da Merrill Lynch, que prevê queda de 24% no lucro líquido da estatal referente ao quarto trimestre do ano passado. O resultado virá a público na próxima semana. A terceira razão para a queda, afirmou o operador, é o exercício de opções na segunda-feira que vem.

Juros
Os juros futuros moderaram o ímpeto de queda ontem e as taxas fecharam praticamente estáveis. Segundo operadores, o mercado sofreu realização de lucros, que não chegou a provocar a alta das taxas mas limitou o comportamento positivo que vinham apresentando nos últimos dias. O volume de negócios foi concentrado nos contratos curtos e o DI abril de 2007, cuja taxa passou de 12,79% para 12,78%, liderou o giro, seguido do DI julho de 2007, que recuou de 12,57% para 12,56%. O DI janeiro de 2008 encerrou em 12,26%, de 12,29% ontem.

Dia 'estranho'
Para as fontes ouvidas pela reportagem, ''foi um dia estranho'' no mercado de DIs, já que houve notícias positivas que poderiam sustentar a manutenção da queda das taxas, assim como o comportamento do mercado externo, que ficou meio de lado até o fechamento do viva-voz. No noticiário favorável, destaque para a emissão em reais de R$ 1,8 bilhão de títulos com vencimento em 2028 anunciada hoje pelo Tesouro Nacional, com o objetivo de alongar a curva externa.

Tesouro
A emissão do Tesouro realizada ontem deve pressionar ainda mais para baixo a taxa de câmbio. O dólar, que tem sido uma das balizas dos juros futuros, ontem interrompeu a alta, com mais uma atuação forte do Banco Central no leilão de compra. Segundo operadores consultados pela jornalista Silvana Rocha, a autoridade monetária teria comprado cerca de US$ 550 milhões na operação. O dólar subiu 0,38%, para R$ 2,094. ''Mas não foi isso que segurou a queda do juro, pois sabe-se que essa alta tem a ver com a atuação do BC e não com piora de fundamentos'', disse um player.

Domésticos
Os mercados domésticos tiveram uma boa notícia na manhã de ontem. O Tesouro Nacional confirmou o relançamento dos Globals com vencimento em 2028. O ambiente internacional teria favorecido a operação, com a qual o Tesouro pretende captar R$ 1,5 bilhão (US$ 721 milhões). Os recursos deverão reforçar ainda mais as sólidas reservas internacionais, que ultrapassam os US$ 90 bilhões, além de ter o objetivo de melhorar o perfil da dívida brasileira.

Das Agências

mockup