Clima positivo
Na Bovespa, o clima foi bastante positivo ontem: ela fechou em alta de 0,39%, aos 44.815 pontos. Durante o dia, chegou a ultrapassar o patamar de 45.000 pontos. A Bolsa brasileira deu continuidade, dessa forma, à elevação iniciada na quarta. E o motivo para mais uma sessão de otimismo foi a reunião do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) que terminou anteontem, na qual se decidiu pela manutenção da sua taxa básica de juros em 5,25% ao ano.

Volume
O volume financeiro na Bovespa voltou a ser destacado ontem. Petrobras PN liderou com R$ 339 milhões, seguida por Vale PNA (R$ 327 milhões). Em terceiro, veio Tecnisa ON (R$ 188 milhões), que estreou ontem na bolsa com alta de 3,85%. Petrobras PN caiu 0,28%, acompanhando a queda de 1,44% na cotação do petróleo em Nova York. Já Vale PNA fechou em alta de 0,67%.
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Vivo PN (+6,79%), Sabesp ON (+5,93%) e Submarino ON (+5,40%).

Ata do Copom
Pela manhã, foi divulgada a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Na semana passada, o comitê cortou em 0,25 ponto percentual a Selic, que está agora em 13%. Segundo o documento, a redução não foi maior porque alguns membros viram uma aceleração da economia e a possibilidade de pressões inflacionárias. Para os analistas, a declarada parcimônia deve ser mantida pelos próximos meses, o que significa uma diminuição no ritmo de queda dos juros.

Investidores
De maneira geral, a ata do Copom agradou aos investidores. Alguns deles, entretanto, viram um tom um pouco ''hawkish'' no que diz respeito às preocupações do BC com o aquecimento da demanda. Especialmente, quando os diretores dizem que um conjunto de pressões de alta dos preços está atingindo a economia num momento em que a demanda doméstica se expande a taxas ''robustas''.

Câmbio
Apesar da notícia de que o superávit da balança comercial caiu pela metade em janeiro, o dólar comercial recuou 1,08% e atingiu o menor valor desde 10 de maio do ano passado: R$ 2,101. A moeda americana acompanhou o risco-país, que, com baixa de 4,64%, chegou ao patamar inédito de 182 pontos. Tal queda também foi consequência dos dizeres do Fed. O dólar paralelo se manteve em R$ 2,35 e o turismo recuou 0,9%, para R$ 2,195.

Eventos
Os dois eventos mais esperados da semana agradaram aos mercados, tanto aqui quanto em Nova York. Quarta, o statement do Fomc deu fôlego às bolsas em Wall Street, com reflexo imediato na Bovespa. Ontem de manhã a ata da reunião do Copom foi bem recebida ao sinalizar que a tendência de juros é de queda ao longo deste ano, endossando o comunicado pós-Copom. Apesar disso, no mercado de DI, os juros fecharam praticamente estáveis em relação a ontem.

Juros
Os juros futuros encerraram o pregão com taxas similares às do fechamento de ontem, com as oscilações mais expressivas sendo registradas na parte da manhã, quando foi divulgada a ata da última reunião do Copom. O documento atendeu às expectativas do mercado, que esperava um texto alinhado ao comunicado divulgado após a decisão do Banco Central de reduzir a Selic para 13% na semana passada.

Prova de fogo
Hoje, a prova de fogo para o mercado será a divulgação do payroll nos EUA. A expectativa é de que tenham sido criadas em janeiro 115 mil vagas. Também a Universidade de Michigan divulga o índice de sentimento do consumidor final de janeiro, para o qual a previsão é de que o índice tenha ficado em 98,0 na pesquisa.

Exportações
Em janeiro, as exportações e as importações brasileiras foram recordes para o mês e a expectativa é de continuidade de uma balança comercial forte e com novos superávits. Esse cenário combinado com perspectivas de manutenção do juro dos Fed Funds nos EUA em 5,25% ao ano no curto prazo - sinalizada ontem pelo comunicado do Federal Reserve - e de continuidade de cortes menores (de 0,25pp) da taxa Selic - estimularam as vendas de moeda.

Queda
Eventual continuidade da queda do dólar hoje, portanto, dependerá, em boa medida, do tamanho do fluxo, do comportamento do BC e da reação dos mercados ao número de vagas criadas (payroll) em janeiro nos EUA. Os analistas ouvidos pela agência Dow Jones esperam criação de 155 mil postos. Segundo os operadores consultados, os resultados da eleição à presidência e para os cargos da mesa da Câmara e do Senado ontem não tendem influenciar os negócios com câmbio no curtíssimo prazo.

Oportunidades
O aumento da volatilidade das cotações ontem à tarde gerou oportunidades de negócios, que asseguraram fortes giros financeiros à vista e no mercado futuro. O volume total à vista somou US$ 4,350 bilhões, dos quais cerca de US$ 750 milhões em D+1 e US$ 3,230 bilhões em D+2. O pronto na roda da BM&F oscilou 0,95%, entre a mínima de R$ 2,099 (-1,13%) e a máxima de R$ 2,1190 (-0,19%). No balcão, as cotações oscilaram 0,90% entre R$ 2,10 (-1,13%) e R$ 2,1190 (-0,24%).

Banco Central
No leilão de hoje, o Banco Central pode ter comprado cerca de US$ 379 milhões, tudo indica, diz um dealer. A taxa de corte foi de R$ 2,1075. No total, 13 propostas tiveram as taxas declaradas de R$ 2,0790 (mínima) e R$ 2,1100 (máxima). Cinco instituições não declararam as taxas pedidas. (Silvana Rocha)

Com Agências

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