MERCADO FINANCEIRO
DI e Selic
Passado o feriado de aniversário da cidade de São Paulo, na quinta-feira, os mercados reagiram ontem à piora no quadro externo verificado na quinta-feira e também à decisão tomada pelo Copom na noite de quarta-feira. As taxas embutidas nos contratos de DI se ajustaram à nova Selic e fecharam em alta ontem. A expectativa de que o Federal Reserve poderá elevar os juros na próxima semana também influenciou os mercados domésticos. O dólar passou o dia pressionado e fechou em alta.
Bolsa
O cenário estava montado para uma realização de lucros na Bovespa nesta sexta-feira. E foi o que acabou acontecendo. Nos últimos pregões, a bolsa vinha acumulando seguidas altas, chegando a zerar as perdas acumuladas no mês; Wall Street teve um dia negativo quinta, quando foi feriado em São Paulo; os preços dos metais caíram ontem no mercado internacional; e o Copom foi conservador na reunião de quarta-feira à noite.
Bovespa
Com isso, o Índice Bovespa fechou ontem em baixa de 0,61%, com 44.412 pontos. Operou entre a máxima de 44.687 pontos (estável) e a mínima de 43.870 pontos
(-1,83%). Com esse resultado, a bolsa passou a acumular queda de 0,14% em janeiro. O movimento financeiro ficou em R$ 2,882 bilhões. Se nos últimos dias a alta foi puxada pela Vale, ontem foi a Vale que liderou a queda, afirmou um operador. O mercado realizou em cima da Vale, que tinha gordura para queimar, completou. Na manhã de ontem, a empresa também anunciou sua projeção de investimentos para 2007, que teria ficado acima das expectativas.
Nova York
A Bolsa de Nova York tentou se recuperar do tombo, mas não logrou êxito: recuava 0,11% no final do dia, para 12.487,58 pontos. A Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia), entretanto, tinha elevação de 0,18%, aos 2.438,67 pontos. Foi divulgado ontem de manhã pelo Departamento do Comércio dos Estados Unidos que os pedidos de bens duráveis cresceram 3,1% no mês passado, quando os economistas esperavam 3%. Esses dados são positivos para a indústria e ajudam a afastar os temores de uma forte desaceleração da economia americana.
Taxa Selic
A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de diminuir em 0,25 ponto percentual a taxa Selic, na noite de quarta-feira, também foi decepcionante para parte dos investidores, que esperavam uma redução de 0,5 ponto nos juros para estimular a atividade. As projeções são de outros cortes de 0,25 ponto ao longo do ano.
Dólar em alta
Acompanhando o risco-país, que subiu 1,62%, para 187 pontos, o dólar comercial teve alta de 0,46%, vendido a R$ 2,139. O paralelo ficou estável a R$ 2,35 e o turismo avançou 0,44%, a R$ 2,24. O dólar à vista operou pressionado pela piora externa nesta sexta-feira espremida entre o feriado em São Paulo e o fim de semana. O pronto encerrou em alta, a R$ 2,1380 no balcão (+0,19%) e na máxima da roda da BM&F (+0,42%).
Expansão da Vale
O presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, disse ontem que os planos de investimento da companhia incluem uma expansão de 30% na capacidade de produção da mina de Carajás. A idéia é sair dos 100 milhões de toneladas/ano para cerca de 130 milhões de toneladas/ano. O projeto, orçado em US$ 1,828 bilhão, ainda será submetido ao conselho de administração da mineradora.
Juros
O tradicional ajuste pós-Copom se juntou às incertezas do cenário externo para pressionar os juros futuros ontem. Os principais contratos fecharam com taxas em alta, mais significativa nos DIs de curto prazo. O de maior liquidez, DI janeiro de 2008, encerrou com taxa de 12,44%, de 12,43% na quarta-feira, e o contrato de abril de 2007 subiu de 12,74% para 12,84%.
Liquidez
A liquidez na BM&F ontem foi considerada modesta para um dia pós-Copom, o que foi atribuído ao fato de que a redução da Selic em 0,25 ponto porcentual era esperada por boa parte dos players e também por ser um dia cravado entre o feriado e o final de semana. Mas como os contratos de vencimento mais próximos não precificavam inteiramente esta aposta - a curva mostrava cerca de 30% de possibilidade de uma queda de 0,5 ponto, uma correção nas taxas era esperada.
Ata do Copom
Passado o encontro do Copom, começa agora a espera pela ata, que sai na próxima quinta-feira. A previsão é de que o texto seja na mesma linha do comunicado e terá como principal argumento para justificar o corte de 0,25 ponto as dúvidas sobre os efeitos da defasagem da política monetária sobre a economia. Por enquanto, a curva a termo indica apostas de mais dois cortes de 0,25 ponto e 50% de possibilidade de mais uma redução nesta magnitude.
Fipe
Ainda na segunda-feira, a Fipe divulga o IPC da terceira quadrissemana do mês, para o qual o intervalo das estimativas dos economistas consultados pelo AE Projeções é de 0,80% a 0,97% (mediana de 0,88%).A agenda da próxima semana é forte aqui e nos EUA. Lá serão divulgados vários indicadores importantes, entre eles o payroll de janeiro, na sexta-feira. Antes, porém, na quarta-feira, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc) decide sobre a taxa de juros.
(Com Agências)





