Timidez
Ao contrário do que geralmente acontece em dias de reunião de Copom, o giro financeiro no mercado de DI foi considerado tímido ontem. As mesas de operações também não registraram a tradicional corrida de última hora para a aposta mais otimista. E os contratos de DI embutiram juros mais altos hoje. Conclusão: os negócios foram encerrados com aposta francamente majoritária de que o Copom irá cortar a Selic em 0,25 pp. A divulgação do IPCA-15 de janeiro, que ficou na ponta de cima das expectativas, reforçou ainda mais a percepção de que a Selic cairá menos do que 0,50 pp.

Bovespa
Já na Bovespa, o dia de ontem foi de otimismo. O giro financeiro foi vigoroso, estrangeiros teriam voltado às compras e não faltaram notícias favoráveis para as ações. A bolsa fechou em alta e passou a acumular ganhos em janeiro. No mercado cambial, o dólar voltou a cair e atingiu a menor cotação desde 4 de setembro do ano passado. O dólar comercial caiu 0,18%, vendido a R$ 2,129, enquanto o risco-país teve queda de 1,6%, aos 184 pontos. O paralelo ficou estável a R$ 2,35 e o turismo recuou 0,44%, a R$ 2,23.

Compasso de espera
Durante a tarde, a expectativa pelo resultado da reunião do Copom deixou os investidores em compasso de espera. Por causa do feriado municipal de aniversário (453 anos) de São Paulo amanhã, a liquidação dos negócios em D+2 fechados ontem será feita somente na segunda-feira, o que de certa também contribuiu para inibir negócios. ''O rompimento do suporte de R$ 2,130 desestimulou ainda grandes posicionamentos'', afirmou um operador.

Juros
Faltou fôlego para a corrente mais otimista do mercado de juros, que aposta em corte de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic. Os DIs encerraram o pregão de ontem mostrando que a aposta no corte de 0,25 ponto consolidou-se como favorita. Não houve corrida, aposta de última hora, montagem de travas buscando ganho adicional. O volume foi considerado fraco para um dia de decisão do Copom: o contrato mais líquido, com vencimento em janeiro/08, girou no dia 370 mil contratos, sendo que 250 mil foram fechados no período da manhã.

Inflação
As expectativas para a inflação continuam apontando para o cumprimento da meta este ano. E é isso que garantiu que muitas fichas no mercado fossem colocadas no corte de 0,5 ponto. Mas o fato de três integrantes do comitê já terem defendido o 0,25 ponto na reunião passada e de a inflação estar hoje mais elevada do que à época do último encontro explicam a falta de fôlego dessa corrente. ''É melhor para o Copom reduzir o ritmo agora, em que as condições permitem o corte de 0,5 ponto, e manter o ciclo de alívio monetário por mais tempo'', defende um operador.


IPC-S
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) reduziu o ritmo de alta em três das sete capitais pesquisadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na semana de 22 de janeiro, em relação à semana anterior. São Paulo, que tem maior peso na taxa, registrou inflação de 0,89%, ante 0,93% na semana de 15 de janeiro. O coordenador de índices de preços ao consumidor da FGV, André Braz, disse que a desaceleração do IPC-S na capital paulista ocorreu por causa do menor ritmo de reajustes no grupo de transportes. Segundo ele, houve um ''jogo de forças'' na inflação da última semana em São Paulo, ''com transportes puxando o índice para baixo e os alimentos para cima''.

Cartel
A Comissão Européia, o braço executivo da União Européia, multou em US$ 522 milhões a Siemens. A empresa alemã é acusada de formação de cartel na venda de equipamentos para usinas de energia. É a segunda maior maior multa aplicada pelo órgão europeu a uma empresa acusada de manipular preços. A maior continua sendo do laboratório Hoffmann-La Roche: cerca de US$ 600 milhões. Além da Siemens, nove empresas foram punidas. A multa total foi de US$ 978 milhões. O valor da Siemens foi o maior porque, de acordo com a Comissão Européia, ela liderou o esquema.

Varig
A Varig enviou ontem mensagens aos participantes do programa de milhagem Smiles para avisá-los que, a partir do próximo dia 1º de fevereiro, as outras companhias da aliança operacional Star Alliance não aceitarão mais emitir bilhetes com milhas da companhia. A Varig deixa de ser membro da Star Alliance no dia 31 de janeiro. Na prática, as companhias da Star, com exceção da Air Canada e da Air New Zealand, já haviam informado que não aceitavam mais emitir bilhetes com milhas da empresa. As milhas da companhia aérea continuam valendo para as rotas operadas hoje por ela.

Vale
A Companhia Vale do Rio Doce disse que, caso a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) vença a disputa pela Corus, irá questionar a capacidade da rival fornecer minério de ferro à siderúrgica britânica. A afirmação foi feita à imprensa diretor da Vale José Martins. Na disputa entre as brasileiras, está o minério de ferro extraído de Casa da Pedra. A Vale entende que um acordo assinado em 2001 pode lhe garantir prioridade na produção excedente da mina. A CSN disse que a declaração é ''pura malevolência'' e que poderá entrar na Justiça contra a Vale.

Máximas do ano
As principais Bolsas européias fecharam em alta, estimuladas pelo aumento dos preços do petróleo na negociação eletrônica durante a noite, que ajudou o setor energético. As ações da francesa Total subiram 1,1%, as da espanhola Cepsa avançaram 1,1%, a britânica BP ganhou 0,64%, e a norueguesa Statoil fechou em alta de 2,3%. Os ganhos do setor bancário também ajudaram os mercados.

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