Mercado atento
Os mercados operaram com o freio puxado ontem, enquanto aguardam a divulgação, nos próximos dias, de importantes indicadores da economia norte-americana. Mesmo assim, o mercado cambial se movimentou em torno da ptax que será usada hoje para o vencimento de contratos que somam cerca de US$ 1,9 bilhão.

Dólar em baixa
O dólar fechou em baixa tanto no balcão quanto na BM&F. As taxas de juros embutidas nos DIs também recuaram. E a Bovespa teve mais um dia em queda, empurrada por outro tombo dos preços do petróleo no mercado internacional. Para hoje, as atenções estarão voltadas, principalmente, para o índice de preços ao produtor (PPI) de dezembro, o Livro Bege do Fed e a produção industrial (dezembro) nos EUA.

Ptax
Influenciado pela movimentação em torno da ptax (taxa média do pronto) que será usada hoje para liquidação do vencimento casado de cerca de US$ 1,9 bilhão em contratos de swap cambial e swap cambial reverso, o dólar à vista buscou as máximas e renovou as mínimas esta tarde. No fechamento, o pronto recuava 0,04%, a R 2,14065 na roda da BM&F e caía 0,09% a R$ 2,140 no balcão. A ptax de venda finalizou ontem em alta de 0,17%, a R$ 2,1444, e será usada amanhã para os ajustes desses vencimentos de papéis cambiais.

Volatilidade
Nas máximas, o dólar à vista bateu ontem à tarde em R$ 2,14615 (+0,22%) na roda da BM&F e R$ 2,146 (+0,19%) no balcão e nas mínimas R$ 2,140 (-0,07%) e R$ 2,139 (-0,14%), respectivamente. A volatilidade em meio ao aumento de operações casadas e de ptax entre investidores posicionados nesses papéis que estarão vencendo hoje contribuíram para elevar o volume financeiro negociado. O giro total à vista cresceu 156% para cerca de US$ 3,487 bilhões, sendo cerca de US$ 2,570 bilhões em D+2.

Risco País
O fechamento em baixa do pronto ontem também refletiu ajustes finais de posição vendida estimulados pelo declínio do risco País e a compra pelo BC em leilão de moeda à taxa de corte de R$ 2,139 - valor inferior ao preço do dólar pronto naquele momento de R$ 2,142 (estável) no balcão e a R$ 2,1415 (estável) na roda da BM&F. ''Deu a sensação de que o mercado estava sustentando artificialmente a cotação do pronto, por isso, houve uma rápida corrida à venda após o leilão'', disse um operador, para justificar a renovação das mínimas após a operação do BC.

Recuo
No leilão, a autoridade monetária pode ter aceitado duas propostas e adquirido cerca de US$ 3 milhões, estimou um operador. Por volta das 18h06, o risco País recuava um ponto a 192 pontos base - mesmo patamar da mínima histórica de fechamento registrada em 28 e 29 de dezembro de 2006. O fluxo cambial ontem foi positivo, mas pequeno.

Juros
Embora melhor do que segunda, o volume de negócios no mercado de juros futuros ainda foi fraco ontem, em que os mercados em Wall Street voltaram a funcionar. Como a agenda a partir de hoje será pesada, os investidores parecem ter preferido guardar suas fichas. Na BM&F, os contratos devolveram parte das altas e as taxas fecharam em queda. O contrato DI janeiro de 2008 encerrou em 12,43%, de 12,48% na segunda.

CNI
O recuo foi atribuído por alguns operadores aos dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no início da tarde de ontem. A entidade informou que as vendas reais tiveram, em novembro, uma queda de 4,10% ante outubro do ano passado, e de 0,33% neste período com ajuste sazonal. Na comparação com novembro de 2005, as vendas reais tiveram crescimento de 3,69%. No que diz respeito à capacidade instalada, o nível de utilização manteve-se em torno de 82% no mês de novembro. Outros profissionais disseram que só o fato de não ter havido notícias negativas teria sido suficiente para estimular um movimento doador.

DIs
Seja como for, os DIs abriram com viés de queda, mas consolidaram este comportamento logo após a divulgação dos números da CNI. Antes da abertura, a FGV informou que o IPC-S da segunda quadrissemana de janeiro desacelerou a alta para 0,83%, de 0,86% na apuração anterior. O dado veio perto do piso das estimativas dos analistas consultados pelo AE-Projeções, que iam de 0,80% a 0,92%, e abaixo da mediana de 0,85%.

Compom
Contudo, a leitura dos dados da CNI e da FGV ainda não foi suficiente para reverter o quadro de apostas para a Selic em janeiro. Ou seja, a maioria dos analistas continua acreditando que o Copom reduzirá o juro básico em 0,25 ponto porcentual na semana que vem.

Petróleo despenca
No cenário externo, o destaque foi o novo tombo dos preços do petróleo. O preço do barril para fevereiro na Nymex despencou mais de 3%, para US$ 51,21. As declarações do ministro de petróleo da Arábia Saudita, Ali Naimi, de que seu país não está considerando um encontro de emergência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para decidir sobre corte da produção desencadearam vendas pesadas de contratos.

Opep
Segundo Naimi, a Opep não precisa implementar cortes adicionais de produção. Em tese, a queda nos preços da commodity favorece o recuo dos juros futuros, ao pressionar para baixo os preços internos dos combustíveis e, logo, a inflação.

Hoje
Mas a semana começa mesmo para valer hoje, de agenda gorda aqui e nos EUA. Lá, a divulgação do índice de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) e da produção industrial em dezembro, além do Livro Bege, deve orientar a avaliação dos mercados em relação à política monetária americana, após o alerta sobre a inflação na ata do Fed ter desestimulado as apostas de corte de juro no curto prazo.

Agência Estado

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