MERCADO FINANCEIRO
Surpresa
O mercado doméstico não operou ontem mas analistas do mercado financeiro foram pegos de surpresa com a notícia da saída de Carlos Kawall do Tesouro Nacional e temem que a questão do controle fiscal perca força no governo. Na manhã de ontem, o Diário Oficial da União trouxe o pedido de exoneração do secretário, que alegou motivos pessoais para deixar o Tesouro. O secretário-adjunto, Tarcísio José Massote de Godoy, foi nomeado interinamente para a função.
Sucessor
A especulação sobre o nome de um substituto de Carlos Kawall, secretário demissionário do Tesouro Nacional, ganhou força entre analistas do mercado financeiro e outras fontes do setor bancário. Entre os mais cotados estão Demian Fiocca, atual presidente do BNDES e ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, e José Antonio Gragnani, ex-secretário-adjunto do Tesouro Nacional. Se não tiver um nome à altura de Kawall, o mercado vai sentir, disse uma fonte do mercado.
Wall Street
A saída do secretário do Tesouro, Carlos Kawall, é avaliada pelos analistas em Wall Street como uma ocorrência negativa para a perspectiva da disciplina fiscal no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante da renúncia de Kawall, analistas ponderam que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernardo Appy, estaria em uma situação delicada por defender, agora praticamente isolado, aprofundamento do ajuste fiscal em um momento em que um afrouxamento está em andamento, como sinaliza o recente aumento do salário mínimo.
Versões
Para o economista da Tendências Consultoria Integrada Roberto Padovani, existem, na realidade, duas versões para a saída de Kawall. A primeira é de caráter pessoal e envolveria preocupação com o estado de saúde de uma pessoa da família. A segunda, e a que mais preocupa os analistas se estiver correta, é a de que o ex-secretário sabia que não poderia contar com a defesa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em suas ações na área fiscal. Ele temia ficar sozinho numa eventual dificuldade, observou o economista.
Agravante
Para Padovani, a situação é agravante para o atual momento do governo, quando a questão fiscal está tornando mais importante por causa dos gastos públicos que estão surgindo, como a elevação do salário mínimo de R$ 350,00 para R$ 380,00. Kawall conquistou o mercado por meio de um trabalho sério e, neste momento, seria importante que ele continuasse, afirmou.
Remanescente
A economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, lembrou que Kawall remanesce da época do ministro Antonio Palocci, à frente da Fazenda. Kawall teve um importante papel na melhora da estrutura da dívida doméstica e externa. Foi muito bem-sucedido após a saída de Joaquim Levy, acrescentou.
Austero
Sandra disse que Kawall era um nome que o mercado considerava para preservar o controle de gastos do governo. Quem o substituir terá de ser austero na questão dos gastos em 2007 para evitar testes do governo com a questão em torno do superávit fiscal, disse.
Empresários
A previsão dos empresários ouvidos pela Fundação Getúlio Vargas (FVG) para pesquisa Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação aponta que a produção da indústria apresenta melhor resultado em dezembro de 2006, em relação ao mesmo período de 2005, que saltou de 93 para 101. Neste final de ano a indústria está sentindo a recuperação da economia e a redução da taxa de juros, afirmou Aloísio Campelo, coordenador da pesquisa.
Estabilidade
Em relação ao emprego da indústria, o levantamento indica estabilidade. Não houve avanço na recuperação do trabalho na indústria, disse o coordenador. O emprego previsto em dezembro deste ano ficou em 101 pontos ante 100 pontos no mesmo período do ano passado.
Avanço
A pesquisa também ouviu os empresários sobre o presente movimento da Indústria de Transformação, em que os executivos constataram um avanço na Situação Atual dos Negócios. O ambiente dos negócios é favorável e está no melhor patamar desde outubro de 2004, disse Campelo, acrescentando que, apesar do câmbio não estar satisfazendo alguns setores, a redução da taxa de juros foi preponderante para este resultado.
Petróleo
Após atingir sua cotação recorde em julho, o petróleo terminou 2006 com um ganho de US$ 0,01 em todo o ano na Bolsa de Nova York. Ontem, o barril do produto valia US$ 61,05 no pregão americano, alta de 0,86% em relação ao dia anterior. O petróleo esteve cotado a US$ 78,40 no dia 13 de julho e terminou 2005 valendo US$ 61,04. Na Bolsa de Londres, o ganho anual foi um pouco maior: 3,19%. A commodity valia US$ 60,86 ontem, ante US$ 58,98 no dia 30 de dezembro do ano passado. Em relação à quinta-feira, a alta foi de 0,31%.
(Com agências Estado e Folhapress)





