MERCADO FINANCEIRO
Dia de calmaria
O tombo do risco Brasil para nova mínima histórica de 194 pontos-base e o dado favorável de inflação (PCE de novembro) dos Estados Unidos determinaram mais um dia calmo no mercado doméstico ontem, antecedendo o feriado de Natal. O dólar caiu pelo terceiro dia seguido, embalado ainda pelo fluxo cambial positivo e o bem recebido superávit primário do setor público em novembro de R$ 5,605 bilhões, que deve assegurar o cumprimento da meta de 4,25% do PIB este ano.
Câmbio
O dólar à vista acentuou a queda à tarde para fechar na mínima do dia, cotado a R$ 2,147, em baixa de 0,46% na roda da Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F) e no balcão. Esta é a terceira queda seguida do pronto, que acumula ante o real neste mês baixa de 0,76% na BM&F e -0,79% no balcão. No ano, o pronto acumula ante o real queda de 3,59% na BM&F e -7,66% no balcão.
Risco
O risco Brasil fechou ontem em 195 pontos, novo recorde de baixa. O indicador, medido pelo banco americano JP Morgan, mostra a diferença entre os juros pagos por títulos do governo brasileiro e os do governo norte-americano. Ontem, o risco brasileiro caiu cerca de 4%.
Tailândia
Nem a turbulência na Tailândia - que enfrentou fuga de capitais da Bolsa após o governo anunciar nesta semana a adoção de controle de capitais - minou o otimismo dos investidores em relação aos papéis de países emergentes. O governo voltou atrás, suspendendo o controle no caso de investimentos em Bolsa, mas o cenário relativamente conturbado do país não contaminou os papéis de outros emergentes, que logo se descolaram dos títulos e ativos tailandeses.
Confiança
O risco é uma medida indireta da confiança dos investidores em relação ao países, mas reflete também a imensa liquidez no mercado internacional de capitais. Assim, em parte, a valorização de títulos públicos dos países emergentes reflete a melhora das condições macroeconômicas desses países, que exportam mais e cujas contas públicas estão mais em ordem.
Positivo
A queda é positiva para os países porque mostra uma melhora nas condições de financiamento. Caso o governo brasileiro decida emitir títulos e colocá-los no mercado internacional, a queda do risco significa que ele poderá fazê-lo a taxas menores do que no passado. A queda também beneficia as empresas. Para grande parte delas, o risco-país associado ao território em que elas operam é uma espécie de piso para as operações de financiamento externo.
Juros
Os dados divulgados aqui e nos Estados Unidos vieram positivos, mas não entusiasmaram o mercado de juros, que por conta da proximidade do feriado prolongado de Natal trabalhou de lado praticamente todo o dia. O mais líquido dos contratos, com vencimento em janeiro 2008, não chegou nem à metade do volume de quinta: cerca de 100 mil, ante pouco mais de 217 mil. E encerrou o dia a 12,50%, de 12,49% quinta; o janeiro 2009 ficou em 12,44% (ante 12,45%) e o janeiro 2010 não sofreu variação e encerrou o pregão em 12,47%.
Contagem regressiva
O dia foi relativamente fraco no noticiário. Além do PCE, saiu aqui a segunda prévia do IGP-M e o superávit das contas públicas em novembro. O mercado, entretanto, pouco olhou para os números, já que estava em contagem regressiva para a folga. Mas, para alguns, a viagem teve que ser adiada por conta dos problemas nos aeroportos, ontem ainda causados pela TAM.
TAM
À tarde, o governo colocou à disposição da companhia aérea aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para fazer o transporte dos passageiros que aguardam nos aeroportos para embarcar. A empresa aérea vai ressarcir o gasto. Na quinta-feira, o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, admitiu que vários vôos foram atrasados e/ou adiados por causa da parada não programada de seis aeronaves por problemas mecânicos.
Papéis
As ações PN da empresa, no entanto, fecharam estáveis, mas as ordinárias despencaram 7,7%. No início da tarde, a Anac determinou à empresa que suspendesse a venda de passagens para vôos domésticos até domingo, de modo a normalizar o embarque de passageiros da companhia aérea. As ações PN da Gol também recuaram, mas bem menos: 0,17%.
Petrobras
Petrobras também teve seus papéis negociados em território negativo: os ON caíram 0,83% e os PN, 0,27%. A queda externa do petróleo influenciou esse comportamento. Em Nova Iorque, o contrato para fevereiro de petróleo recuou 0,12%, para US$ 62,34. Vale do Rio Doce, por sua vez, subiu: 0,16% as ON e 1,13% as PNA (a terceira maior alta do Ibovespa).
Ranking
O Ibovespa fechou em queda de 0,07%, em 43.355 pontos, entre a máxima de 0,50% e a mínima de -0,60%, com volume de R$ 1,45 bilhão. As maiores baixas do Ibovespa ontem foram de Natura ON (-2,10%), Embraer ON (-2,05%) e Net PN (-1,80%). Na outra ponta, lideraram os ganhos BrT Par (+3,33%), TIM Par ON (+2,04%) e Vale PNA.
Com agências Estado e Folhapress





