MERCADO FINANCEIRO
Influências externas
O cenário externo voltou a influenciar os mercados domésticos ontem, após a Tailândia adotar medidas para desestimular a presença de capital especulativo no país e o PPI de novembro nos Estados Unidos vir acima do esperado. As Bolsas realizaram lucros e caíram em Nova Iorque e em São Paulo durante a maior parte da sessão, mas se recuperaram no fim da tarde para fechar em altas.
Bovespa
Além de acompanhar a subida dos mercados em Wall Street, a Bovespa finalizou na máxima do dia sustentada pelo otimismo com a nova mínima histórica do risco Brasil de 199 pontos-base. O Ibovespa fechou na máxima do dia, em alta de 0,19%, aos 43.589,7 pontos. A Bolsa paulista acumula elevação de 3,96% em dezembro e de 30,29% no ano até ontem. O volume financeiro totalizou R$ 2,753 bilhões.
Atratividade
Além do grande volume de recursos no mercado, no caso do Brasil, a bolsa vem ganhando cada vez mais atratividade por causa da trajetória em queda da taxa de juros, o que leva os investidores a arriscarem mais com ações para ampliar os ganhos.
Emergentes
Um outro profissional comenta que a decisão do banco central tailandês de baixar uma medida de controle de capital não deve afetar o fluxo de recursos para os mercados emergentes. E uma notícia neste sentido veio dos Estados Unidos, onde o gigante fundo de pensão Calpers aprovou medida permitindo que seus os gerentes de seus fundos para mercados externos invistam em companhias chinesas e de outros países em desenvolvimento.
Efeito PPI
A outra notícia ruim que mexeu nos negócios ontem foi o PPI acima do previsto. O índice subiu 2% e seu núcleo, 1,3%, ante estimativas de 0,7% e 0,3%. Os números colocam um ponto de interrogação sobre a atuação do Fed em relação às taxas de juros norte-americanas. Na sexta-feira, depois do CPI, a avaliação era de que o aperto monetário estaria perto do fim.
Monitoramento
Ontem essa análise mudou um pouco, e novos indicadores serão monitorados com atenção para se ter uma posição mais clara sobre a trajetória da política monetária norte-americana. Outro dado que saiu lá foi o número de obras iniciadas, que subiu 6,7% em novembro, ante expansão estimada em 4,3% pelos economistas.
Destaques
As maiores altas do Ibovespa foram das ações da Brasil Telecom: as ON avançaram 5,42% e as PN, 4,47%, ambas da BrT Participações, enquanto a BrT PN teve a terceira maior alta, com 3,57%. Na outra ponta, Tim ON liderou as perdas, com -3,97%.
Câmbio
Dólar e juros também foram impactados pelo anúncio sobre o controle de capitais adotado pela Tailândia e fecharam em alta. No câmbio, as cotações ganharam fôlego adicional com os ajustes de carteira estimulados pela forte redução da posição comprada em câmbio dos bancos até 15 de dezembro. O dólar à vista oscilou em alta o dia todo e fechou cotado a R$ 2,160 (0,49%) na roda da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e na máxima de R$ 2,162 (0,60%) do balcão.
Futuro
No mercado viva-voz de dólar futuro, os sete vencimentos negociados também projetaram taxas mais altas, com um volume financeiro 63% maior, de cerca de US$ 12,689 bilhões. O dólar janeiro/07 indicou alta de 0,58% a R$ 2,164; e o dólar janeiro/08 projetou R$ 2,297 (+0,21%).
Arrecadação
Embora tenha sido bem recebida, a informação de que a Receita Federal registrou recorde de arrecadação para meses de novembro, de R$ 30,873 bilhões, não influenciou os negócios. Em novembro de 2005, a arrecadação corrigida pelo IPCA totalizou R$ 30,537 bilhões.
Detalhes
Segundo a Receita, esta alta em relação a novembro de 2005 decorreu do aumento da arrecadação do imposto de importação e do IPI vinculado à importação, do IPI sobre venda de automóveis, do imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre remessas ao exterior e devido ao crescimento de outras receitas, como o programa de parcelamento de débitos atrasados, conhecido como Refis-3, e o avanço na arrecadação de depósito judicial. Por outro lado, houve queda no imposto de renda da pessoa jurídica e do imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de capital.
Juros
O mercado brasileiro de juros foi o que menos sofreu com as notícias vindas do exterior, onde a Tailândia e o PPI ditaram o ritmo dos negócios. Os contratos futuros de juros, segundo profissionais consultados, apenas aproveitaram a onda para ajustar suas posições e embolsar um pouco dos lucros. O contrato de DI para janeiro de 2008, o mais líquido, encerrou o pregão a 12,47%, de 12,43% segunda; o janeiro 2009 ficou em 12,42% (12,39% segunda) e o janeiro 2010 encerrou a 12,48% (12,44%).
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em alta ontem com o mercado à espera dos dados sobre as reservas que normalmente sai às quartas-feiras nos EUA, além dos atrasos nas exportações ao Golfo do México, devido ao mau tempo. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de light sweet para entrega em janeiro ganhou 94 centavos, fechando em US$ 63,15.
Com agência Estado e AFP





