Dados positivos
A estabilidade da Inflação ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) e seu núcleo em novembro nos Estados Unidos na comparação com outubro e o crescimento das vendas no varejo em outubro no Brasil acima do previsto surpreenderam positivamente os mercados ontem. Em Nova Iorque, as Bolsas oscilaram em alta e o Dow Jones registrou mais um recorde intraday.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também chegou a bater recorde intraday de pontuação (44.263 pontos), mas acabou cedendo para fechar em queda por causa do tombo das ações da Telemar, decorrente da decisão dos acionistas de rejeitar a reestruturação da empresa. A decisão pegou de surpresa o mercado e o resultado foi um só: as ações da empresa de telefonia despencaram e acabaram por influenciar para baixo o Ibovespa.

Fechamento
No fechamento, a bolsa recuou 0,36%, aos 43.595,7 pontos, com volume financeiro de R$ 3,327 bilhões. O índice oscilou entre a mínima de 43.447 pontos (-0,70%) e a máxima de 44.263 pontos (+1,16%), recorde. No mês, o Ibovespa acumula elevação de 3.97% e, em 2006, de 30,31%.

Ranking
No encerramento dos negócios, as ações ON da Telemar caíram 21,52%, liderando a queda do dia, e as PN tiveram baixa de 5,37%, na terceira maior baixa. Entre as duas ações, BrT ON caiu 16,78%. Na outra ponta do mercado, situaram-se entre as maiores altas do dia Pão de Açúcar PN, com +6,29%, Perdigão ON (+5,52%) e Sadia PN (+4,03%).


Risco
O risco Brasil chegou a encostar em 200 pontos pela primeira vez e, no fim da tarde, exibia nova mínima histórica de 201 pontos (-2 pb). Dólar e juros também caíram, refletindo o fluxo favorável e a percepção positiva dos investidores sobre a economia brasileira e norte-americana, além da expectativa de queda do juro em 2007. O dólar fechou a R$ 2,14, queda de 0,05%.

Juros
O fôlego de queda dos juros futuros parece não ter fim e já assusta os próprios players. Ontem, uma nova rodada de fechamento de taxas atingiu a curva a termo, mas a liquidez foi reduzida em relação às últimas sessões. O DI janeiro de 2008 encerrou em 12,46%, de 12,52% quinta e o DI janeiro de 2010 passou de 12,57% para 12,49%.

Tranquilidade
O cenário externo tranquilo alimentou o recuo dos DIs, principalmente nos vencimentos a partir de 2008. A taxa destes contratos têm caído com força nos últimos dias e isso mexe com o desenho da curva, que agora tende à inclinação negativa. Para um profissional, esse ''shape'' reflete a percepção do mercado, ao menos por enquanto, de que o ritmo de queda da Selic deve diminuir para 0,25 ponto porcentual e se alongar por mais tempo.

Banco Central
Se essa for a opção do Banco Central para todo o ano que vem, nas oito reuniões, o juro básico termina 2007 em 11,25%. ''A parte curta (da curva) tem espaço para fechar, caso a aposta de corte de 0,5 ponto ganhe mais força e, se isso acontecer, a curva volta a ficar com inclinação positiva'', disse.

Agenda
Para a próxima semana, que antecederá o feriado de Natal, além de acompanhar a agenda de indicadores que será pesada aqui e nos estados Unidos, os investidores aguardarão com muita expectativa o anúncio na quinta-feira (21/12) das medidas do pacote fiscal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a equipe econômica. Como essas medidas objetivam desonerar investimentos a fim de estimular o crescimento econômico do País, segundo operadores, de modo geral tendem ser bem recebidas, mas poderão ter impacto limitado sobre os negócios.

Brasil-Argentina
Os governos de Brasil e Argentina assinaram ontem um acordo para implantar um sistema que permita que as exportações efetuadas entre os dois países sejam pagas em reais e em pesos, e não em dólares, como acontece hoje. A idéia é que o mecanismo comece a funcionar daqui a seis meses. Esse foi um dos assuntos tratados ontem durante reunião, em Brasília, entre ministros de Economia e presidentes dos bancos centrais dos países do Mercosul.

Primeiro passo
Segundo o ministro Guido Mantega, o acordo entre Brasil e Argentina é um primeiro passo para que, no futuro, negociações comerciais entre os membros do bloco econômico sejam feitas em moeda local, em substituição ao dólar. Para Martin Redrado, presidente do Banco Central argentino, os maiores beneficiados devem ser as empresas de pequeno porte, que mais sofrem com os custos e as tarifas cobradas nas operações de câmbio. Segundo Redrado, 78% das exportações do Brasil para a Argentina envolvem valores abaixo de US$ 50 mil.

Funcionamento
O sistema deve funcionar da seguinte forma: exportadores e importadores dos dois países que quiserem efetuar suas transações em reais ou em pesos poderão fazer o pagamento diretamente no BC de seu país. No final de cada dia, os bancos centrais farão um ''encontro de contas'', e a diferença apurada entre pagamentos e recebimentos será repassada, em dólares, pelo BC do país que tiver recebido, naquele dia, o maior volume de recursos.

Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em alta ontem, sustentados pelo anúncio de redução da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), além de ataques na Nigéria. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em janeiro aumentou 92 centavos, fechando a US$ 63,43. Em Londres, no IntercontinentalExchange (ICE), o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em janeiro subiu 60 centavos, encerrando a sessão a US$ 63,49.

Com agências Estado, Folhapress e AFP

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