MERCADO FINANCEIRO
Mais um dia de lucros
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu estável ontem, chegou a atingir o patamar máximo de 43.506 pontos logo pela manhã, mas perdeu força e mudou de rumo. Fechou em queda de 0,43%, aos 42.909 pontos, com giro de R$ 2,585 bilhões. Foi o seu segundo dia de queda. Mas, segundo analistas, é natural que haja um movimento de realização de lucros após os dois recordes atingidos no início da semana. Mesmo assim, deve haver fôlego para se buscar o patamar de 44.000 pontos ainda em dezembro.
Influências
A Bovespa acompanhou de perto o mercado externo. A Bolsa de Nova York, tendo aberto em alta, às 18h39 recuava 0,27%, para 12.275,60 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) tinha baixa de 0,66%, aos 2.429,60 pontos.
Blue Chips
Na Bovespa, Telemar PN, +1,52%; Petrobras PN, +0,32%; Embratel Par. PN, 0%; Usiminas PNA, -0,40%; Vivo PN,+0,75%; Vale R. Doce PNA N1, -1,53%; Bradesco PN N1,-1,40%; Eletrobrás PNB, +1,80%; Sid. Nacional ON, -0,78%; Cemig PN N1, -0,78%.
Copom
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), divulgada pela manhã, não trouxe novidades para o mercado. Os membros do comitê disseram, no documento, que não havia dados que justificassem uma redução no ritmo de corte da taxa básica de juros, e por isso ela foi reduzida novamente em 0,5 ponto percentual, para 13,25% ao ano.
Agenda
Mas o tom cauteloso do discurso foi mantido: o comitê afirmou ainda que o controle da inflação demandará maior parcimônia no futuro, sem especificar quando. Outros indicadores e eventos econômicos estão no centro das preocupações dos investidores e podem mexer com o humor. Hoje sai o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos Estados Unidos, destacam-se os dados a respeito do mercado de trabalho.
Câmbio
O dólar comercial recuou 0,09%, vendido a R$ 2,145, enquanto o risco-país ficou estável aos 215 pontos.
Perspectivas
O banco Merrill Lynch, num relatório sobre as perspectivas para o Brasil em 2007 divulgado ontem, previu que o consumo privado deverá se acelerar, mas o encolhimento do superávit comercial agirá como um freio sobre o crescimento econômico do País, que deverá ficar em torno de 3,4%, bem abaixo da ambição do governo, que é de 5%.
Limitações
''Mais fundamentalmente, e apesar das taxas de juros reais menores, a estrutura fiscal ainda limita as perspectivas para maior investimento e crescimento'', afirmaram Felipe Illanes e Virgílio Castro Cunha, estrategistas do banco de investimento norte-americano.
Risco real
Segundo eles, a solvência fiscal do país não é mais fonte de preocupação e está garantida pelo cumprimento da meta de superávit primário. ''O risco real no lado fiscal é a limitação que ele impõe no crescimento econômico'', afirmaram.
Consenso
''Existe hoje um amplo e justificado consenso sobre a impossibilidade de se continuar dependendo num maior aumento da carga tributária com o objetivo de se atingir a meta de superávit primário e, consequentemente, sobre a necessidade de conter o crescimento dos gastos correntes no médio prazo.''
Equilíbrio
Illanes e Cunha avaliam que os riscos para inflação e produção estão bem equilibrados e prevêem que o Banco Central reduzirá a Selic a 12% até o final de 2007 e para 11,25% até o final de 2008. ''Acreditamos que a força do real vai continuar no início de 2007, mas a moeda pode se enfraquecer mais tarde devido ao gradual declínio no superávit comercial e as condições externas relativamente menos benéficas, fechando o ano com uma cotação em torno dos R$ 2,30 em relação ao dólar'', afirmaram.
Reformas
Eles observam que há o risco do governo abraçar medidas com impacto negativo no lado fiscal, mas elas serão contidas pelo ''imperativo político da preservação da estabilidade macroeconômica''. Entretanto, segundo os analistas, ''o espaço para avançar nas reformas poderá ser limitado por uma falta de consenso entre os assessores econômicos de Lula''.
Petróleo
Os preços do petróleo se mantiveram quase estáveis ontem, num mercado oscilando entre as previsões de tempo bom nos Estados Unidos, que reduziria a demanda, e a expectativa de uma nova queda na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de light sweet para entrega em janeiro ganhou 30 centavos, para fechar a US$ 62,49. Mas em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em janeiro caiu 50 centavos, fechando a US$ 62,57.
Com agências Estado, Folhapress e AFP





