MERCADO FINANCEIRO
Dia de lucros
A Bovespa teve um dia de realização de lucros ontem, após atingir dois recordes consecutivos. Mas o movimento foi moderado: na mínima do dia, ela chegou aos 42.831 pontos, porém fechou aos 43.096 pontos, em queda de 0,14%, com giro de R$ 2,562 bilhões. Na metade da sessão, chegou a subir até os 43.422 pontos, mas não sustentou a elevação.
Destaques
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Light ON (+3,94%), Tim Par ON (+3,32%) e Cemig PN (+1,95%). As maiores baixas foram Braskem PNA (-3,08%), Pão de Açúcar PN (-2,00%) e Banco do Brasil ON (-1,84%).
Patamar
Já era esperado que os investidores aproveitassem para embolsar os ganhos dos últimos dias, mas isso não altera, segundo os especialistas, as expectativas de que em dezembro se busque o patamar de 44 mil pontos. A principal condição para isso é que os estrangeiros continuem aplicando nos ativos locais, e isso está sendo observado.
Produção industrial
O crescimento da produção industrial brasileira abaixo do esperado em outubro -0,8%, contra a projeção de 1,5% dos analistas - desanimou um pouco o mercado, que acompanha com atenção os indicadores e eventos econômicos. Hoje sai o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a novembro, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que ajudará a afinar as sobre o rumo dos juros.
Lá fora
Nos Estados Unidos, destacam-se os dados a respeito do mercado de trabalho, que devem ser divulgados na sexta-feira. As principais Bolsas européias terminaram o dia em baixa, em Wall Street o clima também ficou negativo. No final do expediente, a Bolsa de de Nova York recuava 0,19%, para 12.307,97 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) tinha baixa de 0,2%, aos 2.447,27 pontos.
Câmbio
O dólar comercial caiu 0,27%, vendido a R$ 2,146, acompanhando o risco-país, que recuou 1,37%, para 215 pontos. A expectativa dos operadores é de que as cotações da moeda americana oscilem entre R$ 2,15 e R$ 2,20 no curto prazo.
Juros
Os juros futuros seguiram em queda ontem, discreta nos contratos curtos e mais visível nos DIs de longo prazo. Na BM&F, o DI janeiro de 2008 encerrou em 12,65%, de 12,66% terça. O DI janeiro de 2007 fechou em 13,16%, de 13,17% terça, e o DI janeiro de 2010 recuou de 13,01% para 12,96%. Operadores destacam que nesses últimos dias tem havido presença forte de investidores estrangeiros nos mercados emergentes de maneira geral e aqui sua atuação chama a atenção não somente no mercado de juros como também na Bolsa e no câmbio.
Empresas
Pela segunda vez consecutiva depois de cerca de dez anos, o saldo entre as aberturas de capital de empresas e fechamentos será positivo no Brasil, segundo a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca). Isso mostra que a economia, na área do mercado de capitais, está reagindo bem, avaliou o presidente da Abrasca, Alfried Pluger. Segundo uma estimativa da associação, o saldo do ano seria de cerca de 15 empresas com abertura de capital.
Fatores
Pluger explicou que isso se deve a fatores como liquidez internacional que tem rendimentos no exterior de 1% a 1,5% acima da inflação e procura melhores rendimentos aqui. O executivo argumentou que o mercado de capitais brasileiro é, sem dúvida, um dos instrumentos de se alavancar esses rendimentos, bem como os investimentos em renda fixa.
Governança
A Bolsa de Valores do país se torna atrativa para essa finalidade de atrair capital estrangeiro, uma vez que as empresas negociadas, segundo ele, demonstram cada vez maior preocupação com a governança corporativa, transparência, sustentabilidade em suas operações. Tudo isso cria credibilidade lá fora. E se há uma coisa que os investidores internacionais são altamente sensíveis é a questão da credibilidade. Então, toda vez que a credibilidade for abalada, essa é uma recuperação dificílima, de longo prazo e onerosa, afirmou.
Credibilidade
O presidente da Abrasca frisou que o mercado de capitais brasileiro conseguiu recuperar boa parte dessa credibilidade, levando o país a captar, até o final deste ano, recursos da ordem de R$ 120 bilhões. Recursos nunca sonhados até então. Ele acredita que o volume de ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem condições de crescer pelo menos 10% em 2007.
Problemas
Na opinião do executivo, o governo Lula tem pela frente cinco problemas principais para enfrentar no segundo mandato. Eles se relacionam à infra-estrutura, marcos regulatórios, carga tributária, baixo investimento público e privado e câmbio. Em relação à economia mundial, a análise da Abrasca é de que o ano de 2006 foi ruim para as companhias abertas que tiveram, por outro lado, um mercado de capitais extremamente favorável. O presidente da entidade acredita que, em 2007, o cenário não deverá sofrer mudanças significativas.
Com agências Estado, Folhapress e ABr





