MERCADO FINANCEIRO
Dia de preocupação
A preocupação com a atividade econômica nos EUA voltou a mexer com os mercados. Indicadores divulgados quinta-feira e ontem aumentaram o receio dos analistas de que a economia norte-americana possa estar andando mais devagar do que o desejado. As bolsas voltaram a cair em Nova Iorque, levando junto os mercados de ações europeus e também a Bolsa brasileira. O dólar fechou em alta ante o real e os juros só não caíram mais na BM&F por causa da piora de humor nos mercados internacionais.
Câmbio
O dólar fechou em alta de 0,16% a R$ 2,1670 na roda da Bolsa de Mercadorias & Futuros de 0,18% a R$ 2,1680 no balcão. No mercado de dólar futuro, dos seis vencimentos negociados, três projetaram ligeiras altas e três, quedas. O dólar janeiro/07 indiciou alta de 0,01% a R$ 2,177. O volume negociado somou US$ 9,40 bilhões, com 186.899 contratos.
Indicadores
Segundo analistas, o comportamento do dólar nos próximos dias vai depender em boa medida do comportamento dos mercados externo, que deverão reagir aos resultados dos próximos indicadores dos EUA e às sinalizações do presidente Fed, Ben Bernanke, sobre inflação e a desaceleração da economia. Essas informações nortearão as avaliações do mercado sobre o rumo dos juros dos Fed Funds para a última reunião do Fed deste ano, no próximo dia 12, e o início de 2007.
Agenda
Na próxima semana, a agenda dos EUA inclui divulgações do indicador de vendas pendentes de imóveis, na segunda-feira; dos dados revisados da produtividade da mão-de-obra no terceiro trimestre e do índice de atividade no setor de serviços dos gerentes de compras, na terça; e dos dados do nível de emprego em novembro e o índice de sentimento da Universidade de Michigan, na sexta.
Wall Street
As bolsas de Nova Iorque tiveram um dia bastante negativo ontem em função de novos indicadores que mostram redução da atividade econômica nos EUA. O Dow Jones indicou 0,23% de queda. O Nasdaq recuou 0,76%. E o S&P 500 operava com variação positiva de 0,01% às 19h15. Os preços do petróleo caíram no mercado internacional. Com base nesses fatos, a Bovespa iniciou dezembro em baixa, empurrada pela realização de lucros e a queda dos preços da Petrobras.
Bovespa
O Índice Bovespa fechou em baixa de 1,44%, com 41.327 pontos. Operou entre a máxima de 42.095 pontos (+0,39%) e a mínima de 41.192 pontos (-1,76%). Com esse resultado, a bolsa inicia dezembro em queda, mas acumula alta de 23,53% em 2006. O movimento financeiro ficou em R$ 2,620 bilhões.
Petrobras
A baixa na Bovespa foi puxada pela queda dos preços das ações da Petrobras, que refletiram a redução dos preços do petróleo durante boa parte do dia. Somente no fim da tarde as cotações do óleo reagiram, para fechar em alta de 0,48% para US$ 63,43 o barril para entrega em janeiro em Nova Iorque. Petrobras PN fechou em baixa de 1,16%. Petrobras ON caiu 0,98%.
Estrago
Mas o que provocou o maior estrago ontem nas bolsas foi o índice de atividade industrial nacional dos gerentes de compras, anunciado de manhã pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM) nos EUA, que caiu para 49,5 em novembro, ante 51,2 em outubro. A expectativa dos analistas era de uma alta para 52,0. Foi a primeira vez em 42 meses que o índice ficou abaixo do nível de 50.
Reservas
O ISM seguiu o índice de Chicago e aumentou a preocupação do mercado com a atividade econômica nos Estados Unidos, comentou um operador. Ontem, os analistas já haviam recebido com reservas o índice de atividade da Associação dos Gerentes de Compras de Chicago. O indicador recuou para 49,9 pontos, ante expectativa de um índice de 54,8. A combinação desses dois indicadores também derrubou as bolsas européias, que fecharam a semana em baixa.
Ranking
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, apenas sete fecharam no azul. As maiores altas foram Banco do Brasil ON (+3,47%), Transmissão Paulista PN (+3,01%) e Telemar ON (+2,57%). As maiores baixas foram Perdigão ON (-4,03%), Cemig ON (-3,88%) e Souza Cruz ON (-3,69%).
Juros
O mercado de juros ontem teve um resquício do ajuste à decisão do Copom de cortar a Selic em 0,5 ponto porcentual, mas as taxas não tiveram muita força para cair, dado o ambiente externo tenso. A maioria dos contratos fechou praticamente de lado. O contrato DI janeiro de 2007 encerrou em 13,16%, de 13,15% quinta; o DI janeiro de 2008 terminou em 12,71%, de 12,74% quinta; e o DI abril de 2007 fechou a 12,97%, de 12,99% na sessão anterior.
Agenda
A próxima semana é de agenda importante para o mercado de juros, com vários índices de inflação, o dado da produção industrial em outubro e, principalmente, a ata do Copom. Na segunda-feira, o Banco Central divulga a pesquisa Focus, que, após a divulgação do PIB do terceiro trimestre ontem, deve trazer novas projeções para o crescimento este ano. Na terça-feira, a Fipe divulga o IPC de novembro.
Agenda 2
Na quarta-feira, o IBGE informa a produção industrial em outubro, dado que pode mexer com as taxas. A Anfavea também informa os números da indústria automobilística em novembro. Na quinta-feira, sai a ata do Copom e na sexta-feira, o IBGE divulga o IPCA de novembro.
Com Agência Estado





