MERCADO FINANCEIRO
Efeito PIB
A Bovespa começou o dia ontem em alta, atingiu o patamar máximo de 42.174 pontos, mas a notícia sobre o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre deste ano, como divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pela manhã, desanimou bastante os investidores. A Bolsa chegou a cair até os 41.497 pontos, mas no final do expediente diminuiu a queda: acabou fechando em baixa de 0,09%, aos 41.931 pontos, com giro de R$ 2,462 bilhões. No mês, acumula alta de 6,79%.
Números fracos
Os números vieram muito fracos, lamentou Jason Vieira, economista-chefe da Máxima/UpTrend. Em relação ao segundo trimestre, o avanço foi de 0,5%; ante o período de julho a setembro de 2005, a alta foi de 3,2%. Pode-se até ter a impressão de que são boas taxas, mas ela é falsa, porque que a base de comparação é muito ruim, disse Vieira. E o desempenho foi sofrível em todos os setores.
Investimentos
A Bolsa de Valores de São Paulo repetiu o expressivo desempenho registrado no mês de outubro e encerrou novembro com ganhos acumulados de 6,8%. Isso significa que, na média, investir em ações foi a melhor opção do mês. Em outubro, a Bovespa havia registrado alta de 7,7%. Apesar do recuo de 0,14% de ontem, o dólar se destacou no mês e chegou a bater aplicações de renda fixa. A moeda terminou novembro com valorização acumulada de 1,17%, vendida a R$ 2,167.
Destaque
Entre as aplicações que pagam taxas de juros, o destaque ficou com os fundos DI (que carregam principalmente papéis pós-fixados), que deram retorno médio de 1,13%. O CDB (Certificado de Depósito Bancário) pagou taxa máxima de 1,02%. Os fundos DI continuam a proporcionar excelente juro, apesar da perspectiva de redução das taxas durante 2007. Permanecem a opção mais rentável e segura no momento, avalia o administrador de investimentos Fabio Colombo.
Analistas
Já a poupança pagou taxa inferior (0,63%) à inflação medida pelo IGP-M em novembro (0,75%). No ano, o Ibovespa (índice que reúne as ações mais negociadas na Bolsa) também é destaque, com valorização acumulada de 25,33%. Apesar do bom momento que o mercado acionário atravessa, analistas lembram que aplicar em ações sempre carrega altos riscos. Isso porque nada garante que a Bolsa não vai enfrentar um período de quedas no futuro, movimento que engoliria as economias de quem investiu em ações.
Wall Street
Em Wall Street, como nas últimas sessões, o dia foi de volatilidade. Às 18h33, a Bolsa de Nova York subia 0,39%, para 12.274,56 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) avançava 0,3%, para 2.439,60 pontos.
Câmbio
O dólar comercial mudou de rumo e recuou 0,13%, vendido a R$ 2,167, acompanhando o risco-país, que avançou 0,45%, para 223 pontos. A moeda americana teve valorização de 1,16% em novembro. Nesta época do ano, é normal que suba um pouco, devido ao aumento das importações. Contribuiu para a elevação ainda a atuação do Banco Central, comprando divisas no mercado à vista.
Risco
Treze empresas brasileiras oferecem menos riscos aos credores estrangeiros do que os papéis emitidos pelo Tesouro Nacional, conforme classificação
da Standard&Poors, maior agência de classificação de risco do mundo. Pelos critérios da S&P, os papéis do governo brasileiro estão classificados no nível BB, dois degraus abaixo do chamado nível de investimento, enquanto a Companhia Vale do Rio Doce, a Embraer, a Votorantim Participações, a VCP - Votorantim Celulose e Papel, Aracruz, Alcoa Alumínio e Ambev, têm nota BBB, considerada grau de investimento.
Risco 2
Outras empresas melhor classificadas que o Tesouro são os bancos Bradesco, Itaú e o Itaú-BBA, e as empresas Gerdau, Ultrapar Participações e Usiminas. Essas empresas receberam a nota BB+, um degrau acima do obtido pelas notas do Tesouro brasileiro. Segundo a S&P, o Brasil é o país que reúne o maior número de empresas nessa situação. Isso demonstra a pujança das empresas brasileiras, que fizeram muitos progressos nos últimos anos e são bem vistas pelos investidores, afirmou a presidente da S&P no Brasil, Regina Nunes.
Risco 3
Até o ano passado, a agência tinha como teto para a classificação das empresas a própria classificação dos títulos soberanos (emitidos pelos tesouros). Há um ano, porém, a empresa reavaliou os critérios e hoje tem 76 empresas com ratings superiores aos papéis dos governos de onde estão sediadas. A agência faz avaliações de risco em 103 países.
Petróleo
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta ontem. Na New York Mercantile Exchange (Nymex) os contratos para janeiro fecharam a US$ 63,13 por barril, em alta de US$ 0,67. Na Intercontinental Exchange (ICE, de Londres) os contratos do petróleo Brent para janeiro fecharam a US$ 64,26 por barril, em alta de US$ 1,19.
(Com agências Estado, Folhapress e AFP)





