MERCADO FINANCEIRO
Dia de expectativa
Ontem, No dia da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste ano, a briga de expectativas pelo corte da taxa Selic esquentou na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O giro de negócios disparou, mas ninguém chegou a um consenso sobre qual seria a decisão. Mesmo assim, as apostas de uma redução de 0,50 pp aumentaram nas últimas horas em relação a um corte de 0,25 pontos percentuais.
Bovespa
Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o pregão foi amplamente positivo. A Bolsa brasileira subiu 2,26%, para 41.970 pontos -o patamar máximo do dia foi 41.987 pontos. A revisão para cima do PIB norte-americano relativo ao terceiro trimestre alavancaram os negócios em Wall Street, com reflexos diretos na bolsa paulista. A alta dos papéis da Petrobras e a disparada das ações da Eletrobrás na última meia hora do pregão também contribuíram.
Ranking
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Eletrobrás ON (+8,31%), Eletrobrás PNB (+5,45%) e BRT Par ON (+5,22%). Apenas cinco ações fecharam em baixa. As maiores quedas foram Tim Par ON (-1,02%), Transmissão Paulista PN (-0,37%) e Natura ON (-0,34%).
Juros
O volume de negócios com juros futuros negociados na BM&F disparou ontem, com o acirramento das apostas para a reunião do Copom. O DI janeiro de 2007 encerrou em 13,26%, de 13,28% terça, e teve quase 1 milhão de contratos negociados. O DI janeiro de 2008 também encerrou com viés de queda, a 12,86%, de 12,89% terça.
Wall Street
Em Nova York, às 18h15, o Dow Jones operava em alta de 0,67%. O Nasdaq subia 0,75% e o S&P 500 avançava 0,87%.
PIB
O PIB do terceiro trimestre dos Estados Unidos cresceu à taxa anualizada de 2,2%, acima da estimativa anterior de expansão de 1,6%. O crescimento revisado foi superior à estimativa dos economistas, de expansão de 1,8%. No segundo trimestre, o PIB registrou expansão anualizada de 2,6%; no primeiro trimestre, de 5,6%. O enfraquecimento foi provocado pela queda na atividade do setor imobiliário.
PIB 2
Na terça-feira, as declarações de Ben Bernanke, presidente do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), de que a inflação está se comportando melhor e a perspectiva é de que recue em 2007 também deixaram o mercado mais otimista - apesar de terem crescido as apostas de que não deve haver um corte de juros tão cedo. O Livro Bege, relatório elaborado pela instituição financeira, saiu ontem mostrando que a atividade econômica continua moderada.
Câmbio
O dólar comercial caiu 0,82%, vendido a R$ 2,17, acompanhando o risco-país, que caiu para 222 pontos. O paralelo ficou estável a R$ 2,38 e o turismo também se manteve em R$ 2,28.
Risco
Por volta das 17h50, o risco Brasil caía 4,35% ou 10 pontos, na mínima de 220 pontos base, enquanto o risco dos emergentes permanecia em baixa de 2,48% (-5pb) a 197 PB. ''Esse recuo do risco País reflete a valorização dos títulos da dívida brasileira, por causa da revisão em alta do PIB do 3º trimestre dos Estados Unidos, que deu sustentação à subida das Bolsas e, como os Treasuries hoje tiveram menor volatilidade, com queda das taxas projetadas, os spreads do risco Brasil fecharam'', explicou Felipe Brandão, da corretora Arke DTVM.
Moody's
Os indicadores de vulnerabilidade externa brasileiros avançaram muito nos últimos anos, mas o país ainda está longe do perfil das economias cuja dívida pública é considerada investimento relativamente seguro para os investidores, segundo a Moody's, agência de classificação de risco dos EUA, que avalia que apenas uma reforma fiscal aproximaria o Brasil de uma melhora rápida de ''rating''.
Melhora
Mauro Leos, da Moody's, que realizou seminário ontem em São Paulo, admite que indicadores importantes da economia brasileira melhoraram muito nos últimos anos. A relação entre a dívida externa e o volume de exportações, por exemplo, caiu de 303% para 98% entre 2002 e 2005. Mas, mesmo com a melhora, o Brasil chegou onde estão hoje países como Colômbia, Peru e Costa Rica. Em alguns casos, os três países têm indicadores até melhores que os do Brasil, disse.
Comparações
O Brasil, para Leos, perde feio quando são comparados os dados fiscais do país com os dos demais países que têm nota similar à nota atribuída aos papéis brasileiros. Em média, a relação entre a dívida pública e o tamanho da economia desses países é de 44%, enquanto no Brasil é de 73%. É justamente o nó fiscal que empaca uma melhora na avaliação da economia brasileira. ''Todos sabem o que precisa ser feito'', disse Leos, insistindo na necessidade de uma reforma fiscal que gere economia de recursos públicos e redução mais acentuada da relação dívida/tamanho da economia.
Petróleo
Os preços do petróleo ultrapassaram os US$ 62 dólares ontem, seu maior preço em dois meses, após o anúncio de uma queda generalizada das reservas de petróleo nos Estados Unidos, primeiro consumidor mundial de energia. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em janeiro subiu US$ 1,47, para US$ 62,46.
Com agências Estado, Folhapress e AFP





