Dia conturbado
O dólar fechou em alta novamente ontem e se aproximou dos R$ 2,2, impulsionado pelo mau desempenho dos mercados internacionais. O cenário externo conturbado e a presença diária do Banco Central impedem que o dólar caia frente ao real há oito sessões consecutivas, apesar do contínuo ingresso de divisas no país.

Perdendo terreno
Ontem, a moeda norte-americana subiu 1,01%, para R$ 2,192. O movimento difere da tendência no mercado externo, onde o dólar vem perdendo terreno para o euro e outras moedas e levantando dúvidas sobre o impacto dessa fraqueza no crescimento global. ''Lá fora piorou bastante, as Bolsas pioraram como um todo e aqui intensificou a alta'', afirmou Flávio Ogoshi, operador de derivativos do Rabobank.

Wall Street
As Bolsas norte-americanas perdiam mais de 1% ontem à tarde, com investidores vendendo as ações do Google depois que um jornal classificou a ação como supervalorizada. Previsões de vendas decepcionantes do Wal-Mart também abateram o humor.

Fatores
Um operador de câmbio de uma corretora nacional acrescentou à lista de fatores negativos o declínio das Bolsas européias para o menor nível em cinco semanas e a subida do risco-país. O risco Brasil avançava quatro pontos ontem à tarde, a 227 pontos-básicos sobre os Treasuries (títulos americanos).

Leilão
Mesmo com o dólar firme sobre o real há oito pregões seguidos, o Banco Central segue atuando diariamente com leilão de compra de dólares. Nesta segunda-feira, o BC aceitou ao menos duas propostas, com corte a R$ 2,1782.

Oscilação
O operador de câmbio Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, já esperava uma oscilação maior do dólar nesta semana em virtude de uma série de indicadores, depois de a moeda ter registrado avanços pequenos na semana passada. ''Em virtude, por exemplo, do Copom, depois tem formação da Ptax, com liquidação na BM&F e vencimento de swap. Com a proximidade do fim do ano, a tendência do mercado é ficar um pouco mais pressionado'', disse.

Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne hoje e amanhã, e o mercado espera um corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic. Nos EUA, a semana reserva a publicação do Livro Bege, duas falas do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, e a divulgação da segunda leitura do PIB do país no terceiro trimestre. Vogeler citou ainda uma cautela dos investidores à espera das medidas econômicas do próximo mandato de Lula e de possíveis trocas de ministros.

Contas públicas
O setor público teve superávit primário de R$ 10,466 bilhões, ante R$ 8,553 bilhões em outubro do ano passado. O resultado foi o melhor para o mês desde o início da série histórica em 1991. O governo central apresentou superávit de R$ 7,767 bilhões enquanto os governos regionais contribuíram com R$ 3,101 bilhões. No desempenho dos governos regionais, os municípios responderam por R$ 566 milhões e os Estados por R$ 2,535 bilhões - o melhor da série histórica para qualquer mês, como destacou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.

Dívida
A dívida líquida do setor público caiu em outubro para 49,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse percentual corresponde a R$ 1,042 trilhão. De acordo com nota do Banco Central, contribuíram para a queda da relação dívida/PIB de outubro o superávit primário e a elevação do IGP-DI do mês, que é utilizado para a valorização do PIB nominal. No ano, a dívida líquida acumula uma queda de dois pontos percentuais em relação ao PIB.

Investidores
Os investidores estrangeiros já compraram cerca de R$ 16,63 bilhões em títulos da dívida interna desde fevereiro deste ano, depois que o governo brasileiro concedeu isenção tributária para o capital estrangeiro. Levantamento obtido com exclusividade pela Agência Estado mostra que a parcela de títulos da dívida interna nas mãos dos estrangeiros saltou de R$ 12,74 bilhões (US$ 5,9 bilhões), em fevereiro, para R$ 29,37 ( US$ 13,6 bilhões) em novembro. Para o Tesouro Nacional, a participação ainda é pequena (2,2% do total da dívida) e há grande potencial de crescimento com o processo em curso de redução do risco País.

Confiança
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 0,9% em novembro ante outubro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado ficou bem abaixo ao registrado em outubro ante setembro, quando o indicador registrou alta de 5%.

Projeções
As projeções do mercado financeiro para a taxa de juros no fim do ano ficaram estáveis em 13,25% ao ano em pesquisa semanal do Banco Central. O porcentual embute uma expectativa de que o Copom reduzirá os juros em 0,50 ponto porcentual na reunião desta semana. As estimativas de taxa média de juros para este ano também não mudaram e prosseguiram em 15,09% ao ano pela terceira semana consecutiva. Há quatro semanas, estas projeções estavam em 15,13% ao ano.

Comércio exterior
A balança comercial registrou um superávit de US$ 530 milhões na quarta semana de novembro, com exportações de US$ 2,775 bilhões (média diária de US$ 555 milhões) e importações de US$ 2,245 bilhões (média diária de 449 milhões). Com o resultado, o superávit acumulado no mês subiu para US$ 2,514 bilhões e no ano, para US$ 40,405 bilhões.

Com agências Estado e Folhapress

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