Dia movimentado
O feriado em Nova Iorque não impediu que os mercados domésticos tivessem um dia movimentado ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta e bateu recorde histórico ao marcar 42.069 pontos. A bolsa refletiu positivamente o anúncio feito na noite de quarta-feira de que o governo pretende estimular os investimentos na Eletrobrás. E também a fusão, confirmada ontem de manhã, das empresas Submarino e Americanas.com.

Pacote
Ontem também foram anunciadas algumas medidas do pacote governamental para alavancar o desenvolvimento econômico. O mercado recebeu o anúncio com reservas. O Índice Bovespa fechou hoje em alta de 0,37%, com pontuação recorde de 42.069 pontos. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular altas de 7,15% em novembro e de 25,75% em 2006. O movimento financeiro ficou em R$ 2,189 bilhões.

Destaques
Submarino ON girou R$ 276 milhões e encerrou o pregão com alta de 15,81%. Já Americanas PN teve volume de R$ 111 milhões e fechou em queda de 8,26%. O forte ganho de Submarino faz sentido, já que a empresa será a que mais ganhará com a fusão. Numa avaliação inicial, os especialistas citaram a distribuição de dividendos aos acionistas da Submarino, de R$ 500 milhões, além do fato de a empresa passar a fazer parte de uma nova realidade, muito maior, pois a Americanas.com movimenta dois terços do total de vendas e lucros da nova companhia. Ou seja, a nova empresa ficaria praticamente sem concorrência.

Ranking
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Eletrobrás ON (+7,36%), Pão de Açúcar PN (+4,75%) e VCP PN (+3,75%). As maiores baixas foram BRT Par ON (-2,86%), Ipiranga Petróleo PN (-1,31%) e Siderúrgica Nacional ON (-0,84%). (Mario Rocha)


Câmbio
O dólar registrou o sexto pregão seguido de alta. Nas operações de ontem, a valorização foi branda, de 0,09%, com a moeda vendida a R$ 2,169 no término dos negócios. Como as altas dos últimos dias foram pequenas, a moeda está abaixo dos R$ 2,17 registrados na segunda-feira da semana passada. Para o fim do ano, a projeção média do mercado, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central, é que a moeda americana esteja em R$ 2,15. Ou seja, não há expectativa de que o dólar vá passar a subir de forma preocupante.

Futuro
No mercado de dólar futuro da BM&F, as apostas se dividiram: três vencimentos (dezembro/06, janeiro/07 e outubro/08) projetaram ligeiras altas; dois vencimentos, quedas (julho/07 e janeiro/08); e um vencimento, estabilidade (fevereiro/07). O dólar dezembro, mais negociado, indicou alta de 0,10% a R$ 2,172. O volume negociado no viva-voz somou cerca de US$ 9,127 bilhões, com 181.784 contratos.

Juros
O mercado de juros futuros ficou de lado ontem e as taxas encerraram praticamente nos mesmos níveis de quarta. O desânimo se deu pela falta de referência do mercado americano, que não operou em razão do feriado do Dia de Ação de Graças. Na BM&F, o DI janeiro de 2008 terminou em 12,95%, ante 12,94% quarta. O DI janeiro de 2010 permaneceu em 13,21%, como na sessão anterior.

Sem parâmetro
Os investidores, sem o parâmetro do mercado externo, voltaram sua atenção ao noticiário doméstico, com destaque para o anúncio de medidas do pacote fiscal que o governo está elaborando, anunciadas pelo Ministério da Fazenda. Entre elas está a redução do prazo da compensação do crédito de PIS e Cofins para Bens e Capital de 24 meses para 18 meses e a desoneração de PIS e Cofins para construções produtivas.

Crédito
Segundo o ministro Guido Mantega, qualquer nova construção ou ampliação de atuais plantas produtivas dará direito ao crédito de PIS e Cofins, como, por exemplo, a construção de usinas hidrelétricas, fábricas e galpões ou edifícios que sirvam para a produção. Também está em estudo a ampliação do prazo de recolhimento da contribuição previdenciária e do PIS e Cofins com o objetivo de desafogar a estrutura produtiva.

Torcida
O mercado torce para que as medidas, de fato, transformem os recursos que seriam empregados em impostos em investimento produtivo. Entretanto, neste primeiro momento, o que mais chamou a atenção foi o tamanho da renúncia fiscal que o pacote fiscal implicará.

Renúncia
De acordo com o ministro Mantega, a renúncia estimada para as medidas de desoneração é de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões para 2007. ''Cada vez há mais dúvidas sobre se o governo conseguirá cumprir a meta fiscal. Agora o risco parece ser maior'', disse um profissional, ressalvando que, por outro lado, a desoneração será positiva para as empresas e pode trazer crescimento.

Preocupação
A preocupação em relação à questão fiscal é legítima também por suas possíveis implicações sobre a política monetária, que está em pleno processo de desaperto. E a redução da Selic deve prosseguir na próxima semana, mas ainda há dúvidas sobre se o Copom manterá os cortes de 0,5 ponto ou se reduzirá o ritmo para queda de 0,25 ponto.

Com agências Estado e Folhapress

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