Dia de estabilidade
O dólar encerrou praticamente estável ontem, quando a sessão foi esvaziada pelo fechamento dos pregões na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Os segmentos acionário e futuro não funcionaram por conta do feriado na capital paulista. Diante da baixa liquidez, os poucos agentes que operaram preferiram não assumir posições.

Fechamento
No fechamento, a moeda americana apresentou a mesma variação positiva vista durante quase toda a jornada, de 0,04%, a R$ 2,1590 na compra e R$ 2,1610 na venda - a mínima do dia. No maior preço, a divisa chegou a subir para R$ 2,1650.

Efeito feriado
De acordo com o economista da Grau Gestão de Ativos, Pedro Paulo Silveira, o dia foi de pouca movimentação no segmento cambial, com as praças de São Paulo e Rio de Janeiro paradas por conta do feriado pelo Dia da Consciência Negra. ''Os poucos negócios efetuados atenderam basicamente às demandas de exportadores e importadores de outras cidades'', explicou o profissional.

Liquidez
Ausência de operações na BM&F também contribuiu com a menor liquidez. ''Ficou sem parâmetro'', disse o operador de câmbio de uma corretora em São Paulo. Nem o Banco Central atuou no segmento ontem.

Repercussão
As notícias desta sessão só deverão repercutir no mercado hoje, quando os mercados acionário e de futuros retomam as negociações. Entre elas, está o superávit de US$ 1,526 bilhão da conta corrente do Balanço de Pagamentos (resultado dos compromissos externos do país) em outubro, segundo informou o BC. Os investimentos externos diretos líquidos que ingressaram no país somaram US$ 1,722 bilhão.

Européias
As ações européias fecharam em sua maioria alta, animadas pelas notícias sobre fusões e aquisições nos setores de metais e de operadoras de Bolsas. O novo recuo do preço do petróleo também contribuiu para as altas. Às 15h30 (de Brasília), o barril do Brent para entrega em janeiro recuava 0,58% para US$ 58,64. Em Londres, o índice FTSE 100 subiu 0,20%. O índice DAX, de Frankfurt, fechou em alta de 0,6%. Em Paris, o CAC 40 fechou em alta de 0,3%. Em Madri, o Ibex-35 subiu 0,6%. Na Bolsa de Milão, o índice S&P Mib terminou em alta de 0,2%. em 40.721 pontos.

Bovespa
Desde 2000, o valor de mercado das empresas negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 190%, de US$ 225,5 bilhões para US$ 655,1 bilhões. Nem o investidor mais otimista poderia prever o forte crescimento. A valorização dos papéis contrasta com o pífio crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo período: 18%.

Fatores
Para o economista-chefe do Banco Pátria, Luiz Fernando Lopes, essa explosão do mercado de capitais pode ser explicada por dois fatores: a percepção de que o prêmio de risco dos ativos no Brasil estava precificado errado e a melhora no ambiente externo, que aumentou o fluxo de investimentos para países emergentes.

Avanços
Lopes lembra que o País conseguiu obter avanços importantes nos últimos anos, como a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, a criação do sistema de metas de inflação e a consolidação da política de câmbio flutuante. A constatação de que o Brasil é um país solvente, destaca, levou os investidores a corrigir os preços pagos pelos ativos nacionais. ''O Brasil é um caso único. Foi construída toda uma história de país estável, mas não se consegue impulsionar o crescimento'', afirma.

Risco
O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e sócio da Mauá Investimentos, Luiz Fernando Figueiredo, concorda com a análise. Ele observa que o Risco Brasil, principal termômetro da confiança dos estrangeiros no País, registrou queda importante no período. O que, pondera, evidencia uma mudança de postura em relação ao Brasil. O risco País hoje é negociado na casa dos 200 pontos, mas chegou a ultrapassar os 2 mil pontos em 2002, antes das eleições presidenciais. A melhora na avaliação do risco permitiu também que as empresas nacionais pudessem captar recursos a taxas mais baixas.

Focus
As projeções do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caíram de 2,97% para 2,95% em pesquisa semanal do Banco Central divulgada hoje. Essa foi a segunda queda consecutiva destas previsões, que estavam em 3% há quatro semanas. Com a nova redução, as estimativas de expansão do PIB ficaram ainda mais abaixo dos 3,50% projetados pelo próprio BC.

Focus 2
As estimativas de aumento da produção industrial neste ano, em contrapartida, subiram de 3,12% para 3,16%. Há quatro semanas, essas previsões estavam em 3,46%. Para 2007, as projeções de crescimento do PIB seguiram estáveis em 3,50%. Apesar disso, as estimativas de crescimento da produção industrial no próximo ano subiram de 4,15% para 4,30%.

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