Dia de lucros
  O dia foi de realização de lucros na Bovespa ontem. Na primeira hora de negócios, a Bolsa brasileira conseguiu sustentar uma pequena elevação; após a abertura dos pregões em Wall Street, inverteu, acentuou a baixa, mas não conseguiu se recuperar quando melhorou o humor por lá. Fechou, assim, em queda de 0,48%, aos 41.048 pontos, com giro de R$ 4,054 bilhões.

Wall Street
  A Bolsa de Nova Iorque, tendo aberto em baixa, no final da tarde subia 0,59%, para 12.176,54 pontos. A Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) avançava 0,46%, para 2.377 pontos. As principais Bolsas européias operavam em alta. O comportamento dos mercados no exterior que deve continuar ditando o rumo do local, mas ontem a vontade de embolsar os recentes lucros - afinal, a Bovespa voltou aos níveis de maio, perto de recorde histórico- foi mais forte.

Eleições
  No exterior, não foi divulgado nenhum indicador econômico importante. As atenções estão concentradas nas eleições para renovar a Câmara dos Representantes (deputados), um terço do Senado e 36 governadores dos 50 Estados do país. Se os democratas obtiverem maioria, como é esperado, pode haver uma reação negativa, pontual, do mercado financeiro. Mas alguns especialistas ponderam que tal resultado já foi precificado, então o impacto nem seria grande.

Produção industrial
  Internamente, saíram os números de produção industrial. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção da indústria brasileira caiu 1,4% em setembro - mais do que previam os economistas.

Inflação
  Os números sobre inflação também preocuparam: o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) ficou em 0,81% em outubro, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) -a taxa é quase quatro vezes maior do que a registrada no mês passado. Tais dados provocaram certo mal-estar entre os investidores.

Câmbio
  A notícia de uma nova captação externa em dólares anunciada pelo Tesouro Nacional fez a moeda norte-americana recuar 0,04%, para R$ 2,138, enquanto o risco-país tinha elevação de 2,36%, aos 216 pontos. Entretanto, os analistas mantêm a previsão de que a cotação oscile entre R$ 2,13 e R$ 2,18 no curto prazo, porque, embora a entrada de divisas no mercado continue grande, têm aumentando as importações de produtos -como é típico desta época do ano- e o Banco Central atua para impedir maiores desvalorizações do dólar.

Riscos
  A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi suficiente para reduzir o risco político para quem pretende investir no Brasil. A avaliação foi feita pela consultoria de segurança Control Risks Group, baseada em Londres, e consta do ‘‘Mapa de Risco 2007’’, divulgado ontem.

Níveis
  O estudo avalia os riscos que os negócios podem enfrentar nas áreas política e de segurança em diversos países do mundo, classificando-os por níveis que vão de ‘‘insignificante’’ até ‘‘extremo’’. O Brasil foi classificado como sendo de risco político médio, o que significa que há uma chance moderada de que os negócios sejam afetados negativamente por decisões de Executivo, Legislativo ou Judiciário.

Análise
  A análise política também leva em conta a capacidade de grupos não-estatais - como sindicatos, lobistas, crime organizado - de prejudicarem os investimentos no país.‘‘O risco médio também reflete a persistência da corrupção no sistema político brasileiro, além dos problemas causados pela burocracia do Estado e pela fraqueza de algumas de suas instituições políticas’’, diz o estudo.

Brasil
  O ‘‘Mapa de Risco 2007’’ tem um capítulo dedicado exclusivamente ao Brasil, intitulado ‘‘Dores do Crescimento’’. Nele, o governo Lula é elogiado por ter aumentado a participação internacional do Brasil, mas há uma crítica ao mau desempenho econômico em comparação com Rússia, Índia e China _os demais países do Bric (bloco das maiores economias em desenvolvimento).

Petróleo
  Os preços do petróleo baixaram ontem, devido às incertezas do mercado sobre as intenções da Opep, que em outubro anunciou uma redução da produção em 1,2 milhão de barris diários. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ‘‘light sweet’’ para entrega em dezembro perdeu 1,09 dólar, fechando a US$ 58,93.
Com agências Estado, Folhapress e France Presse

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