Dia de repercussão
Dúvidas sobre a equipe econômica no segundo mandato do presidente Lula e movimentos técnicos de olho nos vencimentos do fim do mês fizeram o dólar fechar em alta ontem, depois de três sessões de baixa. No primeiro pregão depois do resultado da eleição que deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dólar fechou em alta de 0,66%, a R$ 2,150. No final da tarde, a Bolsa de Valores de São Paulo caia 1,24%.

Peso
''O mercado amanheceu lá fora meio para baixo e pesou o resultado das eleições, (com incerteza) referente ao quadro de ministros, se realmente vai ser mais desenvolvimentista (a próxima equipe)'', comentou Daniel Szikszay, gerente de câmbio do banco Schahin.

Análise
A segunda-feira foi de análise dos discursos proferidos por membros do governo no domingo e incertezas sobre até que ponto os comentários irão interferir na política econômica dos próximos quatro anos.

Conservadorismo
Enquanto Lula prometeu responsabilidade fiscal no seu discurso de comemoração, outros componentes do governo criticaram a postura muito conservadora da gestão econômica e pediram mais cortes no juro.


Discursos
''O mercado vai avaliar dois discursos, um é esse em que o Lula retomou a pauta de austeridade fiscal, necessidade de controle de gastos, que é positivo, e outro é o de fogo-amigo'', disse Sandra Utsumi, economista-chefe do Bes Investimentos.

Afirmação
''Essa seria a primeira necessidade de afirmação por parte do Lula em relação à importância do Banco Central e também de se manter, do ponto de vista macroeconômico, uma agenda de ortodoxia'', completou a economista. ''Esse viés desenvolvimentista nao é de agrado de mercado.''

Especulações
O operador de câmbio da corretora Didier Levy Júlio César Vogeler lembrou que, passada a eleição em que o mercado já esperava a vitória de Lula, o foco ''é o crescimento da economia brasileira e como ele (presidente) vai fazer''. ''Agora vão começar as especulações em torno da formação da nova equipe'', disse.

EUA
Somadas às dúvidas sobre a política econômica interna, o mercado também avaliou o rumo da economia norte-americana, diante da divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE) nos Estados Unidos - uma das medidas de inflação preferidas do Federal Reserve. O núcleo do indicador avançou 0,2% em setembro, em linha com o previsto. O dado de agosto foi revisado para alta de 0,3%.

Focus
A indústria nacional deve crescer não mais que 3,40% neste ano, de acordo com a expectativa média de uma centena de analistas de mercado, consultados pelo Banco Central na sexta-feira, e divulgada no boletim Focus que o Banco distribuiu ontem.

PIB
A previsão para o crescimento industrial é menor que a projeção de 3,46% da semana anterior, mas não altera a perspectiva de 3% para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país. Também mantém a tendência de a dívida líquida do setor público encerrar o ano equivalente a 50,40% do PIB, com possibilidade de cair para 49,15% no ano que vem.

Balança
De acordo com a pesquisa, tudo indica que o saldo da balança comercial (exportações menos importações) alcançará US$ 44 bilhões neste ano (US$ 38 bilhões em 2007), o que permite projetar US$ 11 bilhões para o saldo de conta corrente, que envolve todas as transações comerciais e financeiras com o exterior. A estimativa de saldo de conta corrente para 2007 foi mantida em US$ 5 bilhões.

Dólar
São projeções para um cenário de mercado no qual o dólar norte-americano feche o ano cotado a R$ 2,16 - ante R$ 2,17 na pesquisa anterior - e a taxa básica de juros (Selic) caia dos atuais 13,75% para 13,50% ao ano na reunião quer o Comitê de Política Monetária (Copom) fará no final de novembro. Os analistas de mercado acreditam que a taxa cairá para 12% no ano que vem, e não mais 12,25%, que era a aposta anterior.

IGP-M
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 0,47% em outubro ante alta de 0,29% em setembro. A taxa, anunciada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), superou o teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam um resultado entre 0,25% a 0,40%. Até outubro, o IGP-M acumula elevações de 2,73% no ano, e de 3,13% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de outubro foi do dia 21 de setembro a 20 de outubro.

Com agências Estado e Folhapress

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