MERCADO FINANCEIRO
Dia de cautela
Os alertas da ata do Fomc e de mais um dirigente do Federal Reserve (Fed) sobre o núcleo da inflação ''indesejavelmente alto'' e dúvidas se o choque de um avião de pequeno porte com edifício em Nova Iorque era ou não de um ato terrorista - ontem foi 11 de outubro - determinaram o fechamento em queda das Bolsas e em alta dos juros e do dólar aqui e no exterior.
Susto
Mas os mercados de ações devolveram no final parte das perdas, que também foram sustentadas por balanços abaixo do esperado, depois que o FBI informou que não há indícios de terrorismo no choque em Nova Iorque. Hoje é feriado no Brasil mas os mercados operam normalmente no exterior e vários indicadores serão divulgados nos Estados Unidos.
Expectativa
A expectativa é que os ativos domésticos sofram ajustes logo na abertura amanhã. Até porque na sexta também será divulgado às 9h30 (de Brasília) o indicador de vendas no varejo em setembro nos EUA. Esse dado poderá dar mais munição aos investidores para consolidar as previsões sobre o rumo dos juros dos FED Funds no curto prazo.
Juros
Os juros embutidos nos contratos de DI com vencimento em janeiro de 2008, de maior liquidez, fecharam a 13,30%, ante 13,29% na véspera. Os contratos com vencimento em janeiro de 2007 embutiram taxa de 13,63%, ante 13,64% de terça.
Bovespa
A Bovespa se manteve em baixa durante todo dia -oscilou entre o patamar mínimo de 38.090 pontos ao máximo de 38.651 pontos. Acompanhando Wall Street, recuou 0,86% no fechamento, para 38.322 pontos, com giro de R$ 2,175 bilhões. Já era esperada uma realização de lucros depois de a Bolsa brasileira subir por duas sessões consecutivas e voltar ao patamar de maio. Além disso, o feriado de hoje deixou o mercado mais cauteloso.
Ranking
As maiores quedas do Ibovespa foram Brasil Telecom Participações ON (-6,23%), Banco do Brasil ON (-5,52%) e Eletrobrás PNB (-5,08%). As maiores altas foram Light ON (+3,10%), Natura ON (+1,56%) e Sabesp ON (+1,52%).
Wall Street
A Bolsa de Nova Iorque caiu 0,13%, para 11.852,13 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) teve baixa de 0,3%, aos 2.308,27 pontos. Os investidores também aproveitaram para embolsar os ganhos após um novo recorde do índice Dow Jones, na terça, mas resultados corporativos desapontadores contribuíram para o mau humor. A Alcoa informou que seus lucros no terceiro trimestre quase dobraram, mas os números ficaram abaixo das expectativas dos economistas.
Câmbio
O dólar comercial subiu 0,23%, vendido a R$ 2,159. O risco-país ficou praticamente estável aos 216 pontos. O paralelo se manteve em R$ 2,35 e o turismo caiu 0,44%, para R$ 2,24.
Petróleo
O petróleo atingiu o nível mais baixo do ano ontem em Nova Iorque, apesar do anúncio de um consenso na Opep sobre a redução de sua produção, porque o mercado continua duvidando da decisão. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em novembro fechou em queda de 93 centavos, a US$ 57,59 dólares.
Copel
A captação de R$ 600 milhões pela Copel no mercado financeiro mediante uma nova emissão de debêntures foi encerrada nesta semana. Com esses recursos a Copel vai liquidar uma emissão anterior de debêntures, no valor de R$ 400 milhões, cujo vencimento ocorre em março de 2007. Adicionalmente, a empresa irá amortizar parte das debêntures emitidas em maio de 2005, numa operação que captou, ao todo, R$ 400 milhões. Esses papéis, quando lançados, já previam a obrigação de a Copel amortizá-los parceladamente - um terço a cada ano - a partir de 2007.
Debêntures
A operação que foi concluída agora é a complementação de um programa de debêntures no valor de R$ 1 bilhão autorizado no princípio de 2005 pelo Conselho de Administração da Copel e registrado na CVM - Comissão de Valores Mobiliários. A empresa captou R$ 400 milhões e quitou uma emissão de eurobônus no valor de US$ 150 milhões feita em 1997 com vencimento em maio de 2005, mantendo o saldo remanescente como crédito estratégico.
Remuneração
Os papéis recém-colocados têm prazo de cinco anos para amortização, pagamento semestral de juros e taxa de remuneração de 104% da variação do CDI - Certificado de Depósito Interbancário, índice largamente utilizado para lastrear negócios do gênero.
Bancos
A operação foi liderada pelo Banco do Brasil Investimentos, que deu garantia firme para a colocação dos títulos no mercado, e teve a participação dos bancos ABN-Amro/Real e Banif. Os recursos já estão em poder da Copel e serão usados para melhorar o perfil do seu endividamento, alongando os prazos de vencimento dos compromissos e com custos mais baixos.
Com agências Estado e Folhapress





