Reação positiva
A Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa) encerrou o pregão de ontem, primeiro dia útil do mês de outubro, em forte alta de 1,67%, aos 37.057 pontos, com o mercado reagindo positivamente ao fato de a eleição presidencial ter ido para o segundo turno. O mesmo fator eleição teve influência sobre os negócios com o dólar. A definição de um segundo turno trouxe otimismo ao mercado de câmbio e fez o dólar recuar 0,6%, encerrando os negócios vendido a R$ 2,158.

Bovespa
Embora a incerteza sobre o resultado do pleito tenha sido prolongada por quase um mês, alguns investidores apostam em uma possível vitória do tucano Geraldo Alckmin. Segundo os analistas, ele enfrentaria menos problemas de governabilidade que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os ganhos no pregão paulista só não foram melhores devido a indefinições em Wall Street.

Ânimo
Na avaliação do economista-chefe da Up Trend Consultoria Econômica, Jason Vieira, o ânimo veio mais da subida do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) do que da definição do segundo turno. ''Aumentaram as chances do candidato tucano na disputa eleitoral'', explicou.

Capacidade
A avaliação no mercado financeiro é de que Alckmin teria uma capacidade maior de aprovar reformas no Congresso, por conta da coligação que comandou sua campanha ''entre PSDB e PFL'' ter ganho força na Câmara e no Senado, além de conquistar o governo ainda no primeiro turno em estados importantes, como São Paulo e Minas Gerais.

Alianças
Tal cenário facilitaria alianças em Brasília ao tucano. Além disso, não é segredo que os agentes têm preferência por Alckmin, considerados por eles um candidato mais ''pró-mercado''. Mas os próximos pregões ainda devem mostrar volatilidade, na medida em que o teor das campanhas for sendo conhecido.

Standard & Poors
A analista responsável pelo Brasil na agência de classificação de risco Standard & Poors, Lisa Schineller, disse ontem em entrevista à Agência Estado que a realização do segundo turno na eleição presidencial não terá um impacto econômico sobre a avaliação do País. ''No geral os mercados não gostam de incertezas e o segundo turno poderá causar uma pequena volatilidade nas próximas semanas'', disse Schineller. ''Mas os fundamentos econômicos do Brasil estão muito mais fortes e isso limitará qualquer volatilidade.''

Sem temor
Ela salientou que, ao contrário do ocorrido na última eleição presidencial, em 2002, não há o temor de um abandono ''da política econômica prudente''. Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, sinalizam uma continuidade de políticas econômicas ortodoxas. ''Isso se reflete na perspectiva estável da nota conferida ao Brasil'', afirmou.

Congresso
A analista salientou também que ainda é necessária uma avaliação minuciosa da nova composição do Congresso para se ter uma noção mais precisa das condições de governabilidade Lula ou Alckmin.

Nos EUA
O principal jornal financeiro dos EUA, The Wall Street Journal, afirma que a realização do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil ''apresenta uma situação ganha-ganha para os investidores''. Segundo o Journal, Lula provou no primeiro mandato que é um administrador responsável da política fiscal ''e os mercados financeiros desfrutaram de um longo rali desde que ele assumiu em 2003''.

Alckmin
Mas a maioria dos investidores, acrescenta o jornal, acredita que Geraldo Alckmin tem uma ''noção mais clara'' das reformas na Previdência e nas leis trabalhistas que o Brasil precisa para revigorar sua economia de baixo crescimento.

Retórica
O Journal prevê uma retórica sórdida na campanha para o segundo turno. Lula deve martelar sobre os benefícios que levou aos brasileiros pobres, que se favorecem de baixos preços de alimentos e da ajuda do governo a 11 milhões de famílias. Alckmin continuará desafiando Lula quanto aos casos de corrupção, diz o Journal.

Tendências
Algumas tendências continuaram trabalhando em favor do Brasil quando o próximo governo assumir em 1º de janeiro, acredita o jornal. As taxas de juros, que estiveram entre as mais altos do mundo, estão caindo e recentemente atingiram a mínima em 20 anos, o que deverá favorecer o consumo.

Focus
O comportamento recente do mercado financeiro fez com que os economistas consultados pelo Banco Central elevassem ligeiramente a projeção de valor do dólar norte-americano. A previsão anterior para o final deste ano era de que o dólar valeria R$ 2,18, mas a pesquisa publicada ontem no boletim Focus já fala em R$ 2,20, embora mantenha a projeção de R$ 2,30 para o final de 2007.

Com agências Estado e Folhapress

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