MERCADO FINANCEIRO
Influências externas
Mais uma vez o clima positivo em Wall Street ajudou a Bovespa a subir ontem. Na sua quarta alta consecutiva, a Bolsa brasileira avançou 1,05%, para 36.486 pontos, com giro de R$ 2,152 bilhões. Pela manhã, foi registrada forte volatilidade -ela oscilou entre o patamar mínimo de 36.031 pontos e o máximo de 36.486 pontos-, mas na segunda etapa do pregão os investidores deixaram um pouco de lado a cautela pré-eleitoral e aproveitaram para comprar.
Wall Street
A Bolsa de Nova Iorque teve elevação de 0,24% e fechou aos 11.718,45 pontos, segundo maior nível da história. A Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) subiu 0,29%, para 2.270,02 pontos.
Petróleo
O petróleo baixou levemente ontem depois da alta da véspera, em um mercado que especula a provável redução da produção da Opep para poder manter os preços. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet crude'' para entrega em novembro baixou 20 centavos, para fechar a US$ 62,76.
PIB americano
Na agenda de indicadores econômicos dos Estados Unidos, os quais são acompanhados com máxima atenção -já que a grande discussão no momento é sobre o ritmo de crescimento da economia americana-, foi destaque a revisão do aumento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. Ele passou de 2,9% para 2,6%, porém teve pouco impacto sobre o humor do mercado.
Apostas
Com esse número, os economistas aumentam as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, vai ao menos manter sua taxa básica de juros nos atuais 5,25% ao ano. Os mais otimistas falam até em corte. ''Está aumentando a convicção de que o desaquecimento da economia dos Estados Unidos vai ser suave'', afirma Alexandre Póvoa, diretor responsável pela Modal Asset Management. ''Assim, os preços das commodities, que recuaram nas últimas semanas, começam a se recuperar.''
Ações
Isso se reflete na Bovespa, já que considerável parte das empresas listadas na Bolsa negocia esse tipo de produto. Ontem as ações preferenciais da Companhia Vale do Rio Doce tiveram valorização de 1,03%, a R$ 40. As preferenciais da Petrobras, que também estão entre as de maior liquidez da Bolsa, ganharam 1,24%, a R$ 40,60.
Tendência
Póvoa alerta, entretanto, que ainda não se pode afirmar que a recuperação da Bovespa nas últimas sessões é uma tendência. ''Seria prematuro dizer isso. Acho que é melhor manter a cautela, até que o cenário externo fique mais claro'', diz.
Câmbio
O dólar comercial teve a terceira queda seguida: recuou 0,73%, vendido a R$ 2,171, acompanhando o risco-país, que caiu 2,52%, para 232 pontos. A melhora do clima no exterior também ajudou a derrubar a moeda norte-americana. Segundo operadores, as cotações devem oscilar entre R$ 2,18 e R$ 2,23 nos próximos dias, mas a previsão para o médio prazo ainda é de queda, já que a entrada de recursos no mercado continua forte.
Reservas
As atuações do governo no mercado de câmbio não são suficientes para uma elevação da cotação do dólar, hoje abaixo de R$ 2,20. Só neste ano, a autoridade já comprou US$ 23,4 bilhões no mercado. Além disso, o Tesouro Nacional contratou US$ 12,3 bilhões para honrar os compromissos que vencem neste ano e outros US$ 3,361 bilhões para 2007. A contratação pode ocorrer até seis meses antes da liquidação da operação.
Estratégia
Segundo Afonso Sant'anna Bevilaqua, diretor de Política Econômica do Banco Central, o Tesouro precisa contratar apenas US$ 4,88 bilhões para o próximo ano. Isso porque a previsão para todos os vencimentos em 2007 é de US$ 8,241 bilhões. A medida faz parte da estratégia do governo de aproveitar a baixa cotação do dólar para trocar dívidas indexadas à moeda norte-americana por títulos lançados no mercado interno.
Política
As eleições praticamente não mexeram com o mercado, à exceção de dois dias na semana passada, segundo analistas. As questões referentes ao ritmo de crescimento da economia mundial são mais importantes, dizem. ''Ademais, entre os candidatos que têm chances de vencer há poucas diferenças no que tange à economia'', comentou um operador. Segundo todas as pesquisas de intenção de voto, Lula deve vencer o pleito no primeiro turno.
Economia
O Banco Central reduziu de 4% para 3,5% sua projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano. O fato de o país estar patinando preocupa. ''Mas com isso abre-se a possibilidade de maiores cortes de juros -a Selic pode chegar a 12% logo -, o que daria um alento para o mercado'', diz Póvoa.
Inflação
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) desacelerou para 0,29% em setembro, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O IGP-M em setembro ficou levemente abaixo das projeções de analistas do mercado financeiro que esperavam por uma variação de 0,30%. Em agosto, a taxa havia apurado variação de 0,37%. No ano, a alta acumulada é de 2,26% e, nos últimos 12 meses, de 3,28%.
Com agências Estado, Folhapress e France Presse





