MERCADO FINANCEIRO
Dia de recuperação
Ajudada por Wall Street, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve ontem o segundo dia de recuperação após quatro sessões consecutivas de baixas, durante as quais se acumularam perdas de 4,62%. A Bolsa brasileira avançou 2,42%, para 35.818 pontos, com giro de R$ 2,455 bilhões.
Superávit
Foi bem recebido pelo mercado o superávit primário de R$ 6,427 bilhões registrado pelo governo central em agosto, ante um resultado de R$ 3,010 bilhões em julho. O resultado foi quase o dobro do que os analistas esperavam. O Tesouro informou que, com o resultado de agosto, o superávit primário do governo central nos primeiros oito meses deste ano superou em cerca de R$ 5 bilhões a meta do governo para o segundo quadrimestre. ''O número foi muito bom e esse tipo de indicador é sempre motivo de atenção para os analistas estrangeiros'', comentou um operador.
Correção
Depois de tantas quedas na Bolsa, é natural que haja uma correção - muitos papéis ficam com preços atraentes e começam a atrair de novo os investidores. As ações preferenciais da Companhia Vale do Rio Doce e da Petrobras, que são os mais negociados da Bovespa, tiveram significativa alta ontem: subiram 2,67%, a R$ 38,44, e 2,08%, a R$ 39,10, respectivamente.
Confiança
A melhora da confiança do consumidor, segundo informado pelo instituto privado de pesquisa The Conference Board - o índice subiu de 100,2 pontos em agosto para 104,5 em setembro - animou os investidores no mercado acionário americano, pois ficou acima das expectativas. A Bolsa de Nova York avançou 0,8%, para 11.669,39 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) teve elevação de 0,54%, aos 2.261,34 pontos.
Sem recessão
Os dados de confiança do consumidor somaram-se aos argumentos de alguns economistas de que a economia dos Estados Unidos e, por conseguinte, a mundial, não vai sofrer uma recessão como se temia -ela deve desacelerar mais suavemente. Ontem, especulou-se até que o Federal Reserve, (Fed) banco central americano pode voltar a reduzir a sua taxa básica de juros, a qual está atualmente em 5,25% ao ano.
Câmbio
A melhora do clima no exterior também ajudou a derrubar o dólar comercial. A moeda norte-americana teve baixa de 1,26%, vendida a R$ 2,193, enquanto o risco-país caiu 2,4%, para 243 pontos no final dos negócios. Segundo analistas, a volta gradual dos estrangeiros à Bovespa ajuda a explicar a desvalorização do dólar comercial.
Leilão
O Banco Central realizou leilão de compra de divisas em leilão à vista, com corte a R$ 2,192. Mas, na venda de contratos de swap cambial reverso -operação que equivale à aquisição de moeda no mercado futuro-, diminuiu a quantidade oferecida.
Cautela
Ainda é cedo para dizer se a elevação da Bolsa e a retomada da trajetória de queda do dólar são tendência. As incertezas são várias: os rumos da economia americana e dos seus juros, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, as eleições.
Tensão
Diminuiu um pouco a tensão quanto ao cenário político. Segundo a última pesquisa CNT/Sensus, divulgada ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria 59% dos votos válidos e seria reeleito no primeiro turno. Geraldo Alckmin (PSDB) teria 31,8% dos votos válidos. No entanto, permanece a preocupação com a governabilidade caso Lula vença mesmo.
Ações
Os papéis da Arcelor Brasil foram destaque no pregão após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu manter a decisão de obrigar a siderúrgica Mittal a estender a oferta de compra de ações aos acionistas brasileiros da companhia, depois da aquisição da sua controladora. Os papéis tiveram valorização de 7,12%, a R$ 36,70. Na máxima do dia, chegaram a R$ 37,80.
Telemar
E com o parecer da CVM de que os detentores de ações ordinárias e preferenciais da Telemar têm direito a votar na assembléia que vai aprovar ou rejeitar sua reestruturação societária, os papéis da companhia também subiam. Os preferenciais da Tele Norte Leste avançaram 5,43%, a R$ 45,75 e os ordinários subiram 7,02%, a R$ 99; os preferenciais da Telemar ganharam 4,07%, a R$ 29,14, e os ordinários tiveram alta de 6,48%, a R$ 67,30.
Petróleo
O petróleo fechou em leve baixa ontem. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet crude'' para entrega em novembro perdeu 44 centavos, a US$ 61,45. Em Londres, o Brent do Mar do Norte para entrega em novembro caiu 68 centavos para fechar a US$ 60,12 o barril.





