MERCADO FINANCEIRO
Câmbio
O dólar comercial encerrou os negócios ontem em alta de 0,54%, cotado a R$ 2,22 para a venda. O movimento de alta reflete um dia em que os investidores seguiram cautelosos em razão da proximidade das eleições e atentos às variações dos preços das commodities internacionais (produtos e matérias-primas que forma a base das exportações do Brasil).
Bovespa
Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) viveu um dia de grandes variações, terminando a segunda-feira em alta de 0,5%, com o Ibovespa registrando 34.972 pontos, depois de ter chegado a uma baixa de quase 2% pela manhã.
Influências
Essa é a primeira elevação do índice da Bovespa após quatro baixas consecutivas. Entre os fatores que influenciaram o bom resultado estão a melhora de índices acionários americanos e a recuperação nas ações da Petrobras, empresa que obtém ganhos graças ao avanço nos preços do petróleo no mercado internacional.
Política
Porém, assim como ocorreu em relação ao dólar, o quadro político e a saída de investidores estrangeiros da Bolsa seguem inspirando cautela nos negócios do mercado acionário.
Pressão
De acordo com o analista quantitativo da Corretora Santander Banespa, Nilton Cardoso, o ligeiro aumento na aversão a risco, a oscilação nos preços de commodities e a cena política continuam pressionando o desempenho da Bovespa no curto prazo. Mas, no médio e longo prazos, o fato de que há ações com possibilidade de valorização, uma vez que ficaram bastante baratas com a deterioração recente, pode provocar uma melhora na bolsa, avaliou. No acumulado do mês, o Ibovespa caiu 3,48%.
Risco
O risco-país, que mede a confiança do investidor estrangeiro em aplicar seu dinheiro no Brasil, mantinha-se estável ao final da tarde, aos 249 pontos. Este indicador também apresentou alta pela manhã, de mais de 1%. Quanto mais alta a pontuação, pior é a situação do país.
Efeitos
O tom positivo dos mercados norte-americanos ajudou a amenizar a desvaloriação do real frente ao dólar, disseram analistas. ''O início do dia foi todo movido por aquela aversão a risco global, e com o mercado americano melhorando, principalmente as bolsas, (aqui) deu uma acalmada'', disse Alexandre Vasarhelyi, responsável pela área de câmbio do banco ING, em referência ao avanço da cotação da moeda americana pela manhã de 1,13%, nível máximo da sessão.
Preocupação
Segundo o analista, a busca por investimentos mais seguros seguiu um declínio nos preços de commodities na primeira etapa do dia, que trouxe preocupação sobre o efeito dos preços menores sobre ganhos das empresas no Brasil, em razão de poder haver reflexo nas exportações.
Petróleo
Os contratos de petróleo em Nova Iorque também ganharam fôlego e subiram à tarde, com investidores cobrindo posições depois do declínio inicial. Mas o barril permaneceu próximo de US$ 61.
Dossiê
A recuperação dos mercados só não atingiu o câmbio com mais força porque os investidores estão mais cautelosos antes das eleições do domingo, acompanhando com atenção o noticiário político e os desdobramentos do chamado ''dossiê Serra'' e o suposto envolvimento do PT.
Acumulado
Desde terça-feira passada, quando o dólar começou a se firmar sobre o real e o cenário político passou a incomodar um pouco mais, a moeda norte-americana acumula avanço de 3,4%.
Conjuntura
O mercado financeiro passou a prever que o Copom fará um corte de 0,5 ponto porcentual na Selic, na reunião de outubro. A projeção consta da pesquisa semanal Focus, divulgada ontem pelo Banco Central. Até agora, o mercado trabalhava com a expectativa de um corte de 0,25 ponto porcentual.
Enfraquecimento
O ajuste reflete o enfraquecimento da expectativa de crescimento econômico para este ano. Na pesquisa, a projeção do mercado para o crescimento do PIB neste ano caiu de 3,11% para 3,09% A previsão de expansão da produção industrial recuou de 3,66% para 3,55%. Também caiu a expectativa de inflação. A projeção para o IPCA em 2006 passou de 3,23% para 3,03%.
Com agências Estado e Folhapress





