Reflexos da crise
A crise política foi ontem um dos temas preferidos nas mesas de operações. Mas diferentemente da quinta-feira, o peso da disputa eleitoral perdeu força na formação de preços, principalmente no período da tarde, quando os boatos sobre o conteúdo das revistas semanais perderam em importância.

Cuidados
O cenário internacional, no entanto, continua inspirando cuidados. O mercado ainda analisa com cuidado a atividade econômica nos EUA, bem como a instabilidade em países como Tailândia, Hungria e Equador. Por aqui, os juros recuaram. Dólar e bolsa fecharam praticamente estáveis, em ligeira baixa.

Juros
As taxas dos principais contratos de juros futuros caíram e fecharam o dia perto das mínimas, em um movimento classificado como puramente técnico pelos operadores. Os negócios estiveram bastante concentrados no DI de janeiro de 2008, com quase 600 mil contratos, cuja taxa encerrou em 13,71%, de 13,88% quinta. O DI janeiro 2007 projetava 13,78%, de 13,83% quinta, e o DI janeiro de 2010 encerrou a 14,05%, de 14,32% quinta.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa de 0,09%, aos 34.798 pontos, com giro de R$ 2,047 bilhões, acumulando perdas de 3,72% na semana. Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Light ON (+5,30%), Telemar Norte Leste PNA (+3,25%) e Ambev PN (+3,19%). As maiores baixas foram Perdigão ON (-3,24%), Souza Cruz ON (-1,66%) e Vale ON (-1,65%).


Câmbio
O dólar comercial - que chegou à máxima de R$ 2,228 - ficou estável, vendido a R$ 2,21, enquanto o risco-país teve elevação de 2,04%, aos 249 pontos. ''Foram dois os fatores que afetaram o humor do mercado nesta semana: a preocupação com o desaquecimento da economia mundial e a crise política interna'', afirmou Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.

Clima negativo
Pelos temores de desaceleração nos Estados Unidos, o clima no exterior também está negativo. As principais Bolsas asiáticas fecharam em queda ontem, bem como as européias. A Bolsa de Nova Iorque recuou 0,22%, aos 11.508,10 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) caiu 0,84%, para 2.218,93 pontos.


Talândia
A instabilidade em outros países emergentes, como a Tailândia, que sofreu um golpe de Estado no início da semana, também aumentaram a aversão pelo risco dos grandes investidores em relação a esses mercados.

Dossiê
Para o desconforto no mercado financeiro contribuiu muito o escândalo da compra de um dossiê contra os tucanos José Serra -candidato ao governo do Estado de São Paulo - e Geraldo Alckmin - candidato à Presidência- por integrantes do PT. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à rádio CBN, qualificou o episódio como ''insanidade'', ''loucura'' e que raiou a ''imbecilidade''.

Atenção
''Estão todos atentos ao desdobramento do caso, em como isso vai afetar a governabilidade. O próximo governo vai precisar fazer reformas, conter gastos, e isso só se consegue com um Legislativo razoavelmente unido'', frisou Álvaro Bandeira, da corretora Ágora.

Estratégia
Guilherme Marins, analista de investimentos da corretora Ativa, recomenda aos pequenos investidores que aplicam na Bovespa que esperem o cenário clarear um pouco antes de mexer em suas posições. ''Por enquanto, a Bolsa está sem rumo. Não é uma boa idéia correr para se desfazer de papéis agora, porque se estaria vendendo na baixa'', explica.

Conselho
Para os que acham que os preços das ações estão atraentes, o conselho também é aguardar. ''É melhor pagar um pouquinho mais caro com um panorama definido do que se arriscar em um quadro tão turbulento'', diz Marins. Segundo ele, a expectativa é que, as eleições transcorrendo tranquilamente, o mercado acionário melhore.

Espera
Bandeira diz acreditar que já na próxima semana o nervosismo deve diminuir. ''Estou bastante tranquilo. Acho que os fundamentos da economia do país são bons, as ações também, talvez seja um bom momento para comprar papéis de empresas reconhecidamente sólidas'', afirma.

Economia brasileira
Os investidores também se inquietam com a perspectiva de baixo crescimento da economia brasileira - o governo espera que o PIB (Produto Interno Bruto avance 4% neste ano, mas os economistas esperam pouco mais de 3%. Em um contexto de retração em todo o planeta desencadeado por uma recessão nos EUA, essa taxa seria ainda menor.

Com Agência Estado e Folhapress

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