MERCADO FINANCEIRO
Dia de preocupações
O assunto dos mercados ontem deveria ter sido a reunião do Comitê do Mercado Aberto (Federal Open Market Committee, FOMC), que manteve os juros nos Estados Unidos inalterados em 5,25% ao ano. Afinal, a economia dos EUA é alvo principal das preocupações das economias no mundo todo. Mas o cenário político-eleitoral acabou pesando mais. Analistas temem que o acirramento da disputa entre o governo Lula, o PT e a oposição liderada por PSDB-PFL possa criar um ambiente desfavorável às reformas e ao crescimento econômico.
Sinais do Fomc
Nos EUA, o Fomc deu sinais de que a economia norte-americana continua dependendo de novos indicadores para que se possa fazer uma avaliação mais clara dos seus rumos. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa. Juros e dólar subiram.
Bovespa
Apesar da alta das bolsas em Nova Iorque, o mercado de ações doméstico despencou ontem. A Bovespa fechou em baixa reagindo ainda ao golpe na Tailândia, à tensão do momento político-eleitoral no Brasil, à queda das ações da Petrobras que acompanharam mais um dia de forte baixa das cotações do petróleo e ainda ao comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que levantou comentários sobre um possível ''hard landing'' (pouso forçado) na economia norte-americana.
Queda
O Índice Bovespa fechou em queda de 1,92%, com 35.196 pontos. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular baixa de 2,86% em setembro e alta de 5,20% em 2006. O movimento financeiro ficou em R$ 2,268 bilhões.
Cenário
A Bovespa até que ensaiou uma recuperação pela manhã em relação às perdas verificadas na véspera. Operou em alta por um tempo, mas não resistiu ao cenário negativo para os negócios. Embora as consequências do golpe de Estado na Tailândia tenham perdido o fôlego registrado na terça-feira, ele ainda foi um dos motivos para a cautela em relação às economias emergentes, com a alta de dois pontos porcentuais do risco Brasil na tarde de hoje.
Política
Operadores também citaram a crise político-eleitoral brasileira, com as denúncias envolvendo assessores próximos do presidente Lula em suposta compra de dossiê que envolveria o ex-ministro da Saúde e candidato do PSDB ao governo paulista, José Serra, no esquema dos sanguessugas. Analistas políticos estariam estimando que, mesmo que seja reeleito, Lula teria dificuldades para governar e fazer as reformas que o mercado considera necessárias para intensificar o crescimento econômico brasileiro.
Petrobras
A queda dos papéis da Petrobras também influenciou a Bovespa ontem. Petrobras PN fechou em baixa de 2,86% e teve giro de R$ 351 milhões. Petrobras ON caiu 3,08%. Em Nova Iorque, a cotação do petróleo despencou ao fechar em queda de 1,95%, em US$ 60,46 o barril para entrega em outubro.
Pouso
Mas o que derrubou mesmo a Bovespa foi a divulgação do comunicado do Fomc, a partir das 15h15. O banco central dos EUA manteve os juros em 5,25%, como já era esperado, mas ao ler o comunicado o mercado entendeu que o Fed alertava para o risco de um hard landing (pouso forçado) na economia norte-americana.
Detalhes
Chamaram a atenção dos operadores frases como a de que o efeito acumulado da alta dos juros se limitará à inflação que ''a moderação no crescimento econômico parece estar continuando, refletindo, em parte, um arrefecimento do mercado de imóveis residenciais''.
Wall Street
Em Nova Iorque, o comportamento das bolsas foi mais moderado após a decisão do Fomc. O Dow Jones fechou em alta de 0,63%, o Nasdaq avançou 1,37% e o S&P 500 subiu 0,52%.
Ranking
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram VCP PN (+4,90%), Telesp PN (+3,53%) e Embraer ON (+1,63%). As maiores baixas foram Eletropaulo PNA (-4,83%), BRT Operadora PN (-4,73%) e BRT Par ON (-4,58%).
Juros
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato DI janeiro de 2008 encerrou em 13,71%, de 13,65% terça, e o DI janeiro de 2010 subiu de 13,92% para 14,04%. O contrato DI de janeiro de 2007 projetava 13,81%, de 13,80% terça.
Câmbio
No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta de 0,65% no mercado de balcão, cotado a R$ 2,177 para a venda, próximo da máxima de R$ 2,180. Na roda de pronto da BM&F, a moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 2,176, alta de 0,62%. Apesar da boa performance nos mercados externos, inclusive após a divulgação do comunicado da decisão do Federal Reserve que manteve os juros americanos em 5,25% ao ano, o clima foi de estresse nas mesas de operação locais.
Com Agência Estado





