Mau humor
A amarga lembrança da crise da Ásia, ocorrida em 1997, contribuiu para o forte mau humor que tomou conta do mercado financeiro em todo o mundo ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 1,63%, para 35.885 pontos, com giro de R$ 2,026 bilhão - na mínima do dia, chegou aos 35.554 pontos. A Bolsa de Nova Iorque teve queda de 0,12%, aos 11.540,91 pontos.

Golpe
Na Tailândia, o Exército anunciou um golpe de Estado. Os militares cercaram o escritório do primeiro-ministro Thaksin Shinawatra - que está nos Estados Unidos, participando da 61 Assembléia da Organização das Nações Unidas (ONU) -, tomaram o controle de redes de televisão e declararam a instituição de uma autoridade provisória leal ao rei tailandês. A Bolsa de Bancoc, já fechada quando o golpe foi anunciado, caiu 0,5%, para 702,56 pontos, e deve abrir amanhã repercutindo a ação.

Lembranças
''Há nove anos, o problema na Ásia foi endêmico, relacionado à falta de controle de risco'', explicou Jason Vieira, economista-chefe da Máxima/UpTrend. ''Foram feitos muitos investimentos em títulos públicos sem considerar os fundamentos econômicos dos países de destino desses recursos. Quando a bolha estourou, essas nações estavam insolventes, daí a crise.''

Avaliação
Naquela época, as Bolsas de todo o planeta sofreram bastante, mas Vieira salienta que, atualmente, a possibilidade de ocorrer algo semelhante é menor, já que as decisões de investimento são tomadas de acordo com as indicações das agências internacionais de classificação de risco, que acompanham as condições macroeconômicas de cada país. ''Não há motivo para o mercado se preocupar com isso'', disse o analista.

Sinais
A notícia do golpe na Tailândia ajudou a mexer um pouco com os humores, mas não foi o principal motivo para o pessimismo. A declaração do diretor financeiro do Yahoo!, de que o mercado de publicidade online está dando sinais de fraqueza devido ao desaquecimento da economia, fez a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) cair 0,59%, para 2.222,37 pontos, nos Estados Unidos. Na mínima do dia, teve baixa de mais de 1%.

Imóveis
Os dados sobre o mercado imobiliário americano também desanimaram. Segundo o Departamento do Comércio, a construção de casas nos EUA recuou 6% no mês passado na comparação com julho e caiu quase 20% ante agosto do ano passado.
Dessa forma, aumentaram os temores de que a maior potência mundial esteja desacelerando muito rápido.

Ignorados
E os últimos indicadores de inflação, que ficaram abaixo das expectativas, foram praticamente ignorados pelo mercado. O PPI (Índice de Preços ao Produtor) de agosto de agosto ficou em 0,1% -quando os economistas previam 0,2%-, e seu núcleo registrou deflação de 0,4% -contra a projeção de uma alta de preços de 0,2%.

Fed
Os números reforçaram as apostas de que, na sua reunião de hoje, o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) não vai mexer na taxa básica de juros da economia dos Estados Unidos, a qual está atualmente em 5,25% ao ano. ''O comunicado divulgado após o encontro concentra as atenções dos investidores, desta vez mais do que nas anteriores, porque a inflação ainda está acima de um nível considerado confortável'', afirma Vieira.

Câmbio
O dólar comercial subiu 0,74%, vendido a R$ 2,164, enquanto o risco-país avançou 3,67%, para 226 pontos. Como tem feito quase diariamente, o Banco Central comprou divisas à vista em leilão a R$ 2,157, mas a entrada de recursos no mercado ainda é muito forte.


VCP
O diretor-presidente da Votorantim Celulose e Papel (VCP), José Luciano Penido, anunciou ontem um acordo com a International Paper para a troca de ativos na área de papel e celulose. O acordo prevê que a VCP transfira para a International Paper sua unidade de produção de celulose e papel localizada no município de Luiz Antonio (SP), bem como as reservas florestais da unidade.

Transferência
A International Paper, por sua vez, vai transferir para a VCP uma planta de celulose em construção avaliada em US$ 1,15 bilhão, além de terras e florestas plantadas localizadas em Três Lagoas (MS). O início da operação dessa unidade está previsto para janeiro de 2009 e sua capacidade de produção será de 1,1 milhão de toneladas anuais.

Fortalecimento
Com a operação, a VCP deve fortalecer sua posição de uma das maiores produtoras mundiais de celulose, com uma produção anual superior a 3 milhões de toneladas. Já a fábrica de Luiz Antonio se destaca na produção de papéis não-revestidos e oferece possibilidade de criação de valor futuro para a International Paper, que possui uma rede de distribuição internacional de papel.


Petróleo
Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda forte na New York Mercantile Exchange (Nymex) e na Intercontinental Exchange (ICE, em Londres). Na Nymex, os contratos de petróleo para outubro fecharam a US$ 61,66 por barril, em queda de US$ 2,14. Na ICE, os contratos do petróleo Brent para novembro fecharam a US$ 62,17 por barril, em queda de US$ 1,88.

Com agências Estado, Folhapress e France Presse

mockup