Preocupação
O cenário externo voltou a chamar a atenção dos mercados domésticos ontem, com a divulgação de indicadores que mostram aquecimento da economia norte-americana maior do que as previsões. Esse fato trouxe de volta a preocupação com a inflação nos EUA e ainda aumentou a importância da divulgação, nesta sexta-feira, do CPI e da produção industrial americana em agosto.

Dia fraco
As bolsas tiveram um dia fraco em Nova York, influenciando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que voltou a cair impulsionada pela queda das ações da Petrobras. O dólar fechou em alta em relação ao real, também refletindo o cenário externo. Já os juros caíram nos contratos de DI com a expectativa de novo corte na taxa Selic.

Juros
O clima no mercado financeiro doméstico está positivo, ainda que não seja de euforia, e o fechamento das taxas futuras de DIs é a prova disso. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), as taxas encerraram levemente abaixo das de ontem: para janeiro de 2007 fechou em 13,85% ante 13,86% de ontem; a de janeiro de 2008 encerrou em 13,68%, mínima do dia, contra 13,71% da véspera; e a de 2009 passou de 13,89% para 13,87%.


Bovespa
Depois de dois dias de recuperação, a Bovespa voltou a cair ontem. Acompanhando o mau humor em Wall Street, recuou 1,09%, para 36.153 pontos, com giro de R$ 1,695 bilhão.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Telemar ON (+4,92%), TAM PN (+3,91%) e BRT Par ON (+2,85%). As maiores baixas foram Petrobras ON (-3,45%), Petrobras PN (-2,90%) e Eletrobras ON (-2,88%).

Nova Iorque
A Bolsa de Nova Iorque teve queda de 0,14%, para 11.527,39 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) subiu 0,04%, para 2.228,73 pontos. Os números sobre vendas do setor varejista desanimaram os investidores americanos.


Desaquecimento
Segundo o Departamento do Comércio dos Estados Unidos, as vendas subiram apenas 0,2% em agosto - em julho, a alta havia sido de 1,4%. Esse dado reforça as preocupações de um desaquecimento da maior economia do planeta maior do que o que seria desejado.


Expectativa
Agora, a expectativa é pelo CPI (Índice de Preços ao Consumidor) relativo ao mês passado, que sai hoje. Os economistas esperam que o indicador mostre um avanço de 0,2% dos preços.

Dúvidas
As incertezas sobre a economia americana e o rumo dos seus juros é que tem impedido a Bovespa de retomar o caminho de uma elevação consistente. Devido a tais dúvidas, os investidores estrangeiros relutam em voltar a colocar seus recursos em ativos de países emergentes como o Brasil.

Câmbio
O Banco Central voltou a atuar no câmbio ontem, comprando moeda a R$ 2,1553. No encerramento dos negócios, o dólar comercial avançou 0,27%, vendido a R$ 2,164, enquanto o risco-país ficava estável aos 223 pontos.

Petróleo
Os preços do petróleo caíram ontem a seus menores níveis desde fins de março passado nesta quinta-feira, após a publicação dos dados sobre as reservas americanas de gás natural e a suspensão de uma greve no setor na Nigéria. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em outubro perdeu 75 centavos e fechou a US$ 63,22, mas chegou a ser negociado a 63 dólares durante a sessão, seu nível mais baixo desde 23 de março. O barril de petróleo perdeu 15 dólares desde seu recorde histórico de US$ 78,40 alcançado em meados de julho.

Último lugar
As previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) colocam o Brasil no último lugar em termos de crescimento econômico na América Latina. O relatório World Economic Outlook, divulgado ontem, prevê crescimento de 5,1% para a economia mundial neste ano. O Brasil, com aumento de 3,6% para o Produto Interno Bruto (PIB) - melhora de 0,1 ponto percentual em relação a abril - será inferior à média da América latina, cujo crescimento neste ano tem previsão de chegar a 4,8%.

Outras previsões
O relatório foi divulgado durante a reunião de outono do Fundo, que se realiza em Cingapura, e a previsão supera em 0,3 ponto percentual a da reunião de verão, ocorrida em abril. O Fundo estima para os Estados Unidos crescimento de 3,4%, enquanto para a União Européia a previsão é de que deverá crescer 2,4%. Para 2007, o Fundo aponta que o Brasil vai crescer 4%, enquanto o desempenho do mundo será de 4,9% e o da América Latina, de 4,2%.

Com agências Estado, Folhapress e France Presse

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