MERCADO FINANCEIRO
Semana de indicadores
Apesar do feriado de 7 de setembro na quinta-feira, investidores expostos a ativos brasileiros se preparam para uma semana rica indicadores de atividade e inflacionários, fundamentais para a calibragem das expectativas com a política monetária: produção industrial e IPC-Fipe (hoje) e IPCA e IGP-DI (amanhã).
Ata
Mas a atenção especial se concentra na sexta-feira, quando será conhecida a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A maioria dos analistas de instituições estrangeiras avalia que o documento sinalizará uma redução no ritmo de cortes na Selic, para 0,25 ponto porcentual (pp). Mas a possibilidade de o Banco Central (BC) novamente reduzir a taxa em 0,50 pp não é descartada.
Bovespa
Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu dar continuidade, ontem, à recuperação iniciada na última sexta-feira: depois de subir 3,02% naquele dia, avançou mais 0,98%, atingindo os 37.693 pontos -maior patamar desde 7 de agosto, quando a Bolsa fechou aos 37.697 pontos. O giro foi de apenas R$ 1,496 bilhão, entretanto, o que é explicado pelo feriado nos Estados Unidos em comemoração ao Dia do Trabalho. Sem a referência de Wall Street, o mercado financeiro brasileiro teve um dia tranquilo, enquanto os investidores aproveitaram para comprar ações que caíram muito e estavam com preços atraentes.
Vôo
Para Jason Vieira, economista-chefe da Máxima/UpTrend, com o fim das férias de verão dos fundos de investimento dos Estados Unidos os seus recursos devem começar a voltar para o Brasil paulatinamente. ''Da mesma maneira que existe o vôo para a qualidade quando as incertezas aumentam, há o vôo para o risco quando elas diminuem'', diz ele.
Livro Bege
No mês passado, o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) decidiu manter em 5,25% ao ano os seus juros -e os rumos da taxa eram fonte de preocupação para os investidores, bem como a possibilidade de uma desaceleração brusca da maior economia do planeta. Os últimos indicadores mostram que esse medo não se justifica, mas todos os índices continuam sendo acompanhados de perto. Amanhã sai o Livro Bege - relatório sobre a atividade econômica americana, elaborado pelo Fed.
Câmbio
O dólar comercial caiu 0,7%, vendido a R$ 2,124, enquanto o risco-país ficou estável aos 222 pontos. O leilão de compra de divisas realizado pelo Banco Central nesta tarde - com corte a R$ 2,1295 - não mexeu com as cotações.
Feriado
Na quinta-feira, feriado do Dia da Independência, o mercado local também ficará fechado. Um indicador econômico importante que sai hoje é a produção industrial do mês de julho, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especialmente depois da notícia de que o país cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre.
Focus
Segundo o relatório Focus, elaborado semanalmente pelo BC e divulgado ontem de manhã, os analistas de mercado voltaram a reduzir sua expectativa de avanço do PIB (Produto Interno Bruto) no ano para 3,2% -foi a quarta redução consecutiva.
Dívida/PIB
A projeção de Vieira é de um aumento de 3,5%. ''Com o processo de queda de juros, espera-se um segundo semestre melhor do que o primeiro'', afirma o analista. ''Mas é bom frisar que os investidores estrangeiros não olham muito pra isso e sim para a relação dívida/PIB, que não está muito bem, mas a conta corrente e a inflação sim.''
Petróleo
O preço do petróleo caiu abaixo dos US$ 68 o barril pela primeira vez em dois meses e meio devido às previsões que reduzem a ameaça de furacões nos Estados Unidos e a dúvidas sobre a rápida conclusão de um acordo para impôr sanções ao Irã. O barril de Brent do Mar do Norte para entrega em outubro retrocedeu até US$ 67,59 seu menor nível desde 21 de junho, depois de já ter caído 1,10 dólar na sexta-feira.
Celulose
A Aracruz, maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto, está confortável para lidar com uma eventual queda nas cotações da commodity no próximo ano, mesmo com a manutenção do real valorizado em relação ao dólar. Embora o cenário de curto prazo seja positivo para as empresas de celulose e papel, é praticamente consensual entre os especialistas a aposta de que a entrada em operação de novas capacidades produtivas vai pressionar os preços da celulose em 2007, reduzindo-os ligeiramente.
Custos
Para enfrentar esse ambiente, a Aracruz aposta na manutenção do programa de redução de custos, no ganho de escala e em hedge (proteção) financeiro. ''Com a operação de hedge e os ganhos de escala, que reduzem custos, ficamos confortáveis para lidar com uma eventual queda de preços'', afirmou à Agência Estado o diretor financeiro da companhia, Isac Zagury.
Com agências Estado, Folhapress e AFP





