Sem euforia
O fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre, divulgado ontem pela manhã, impediu o mercado financeiro de comemorar o corte de juros além do esperado efetuado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A Bovespa oscilou entre o patamar mínimo de 36.013 pontos e o máximo de 36.606 pontos e fechou aos 36.232 pontos, em queda de 0,22%, com giro de R$ 2,527 bilhões. No mês de agosto, a Bolsa perdeu 2,28%.

Copom
Na quarta-feira, o Copom decidiu reduzir a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, em 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano. A aposta majoritária entre os economistas, entretanto, era de um corte de 0,25 ponto percentual.

IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira teve expansão de 0,5% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses deste ano -foi o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2005, quando houve recuo de 1,2%. A expectativa dos analistas era de um avanço entre 0,5% e 0,7%.

Wall Street
A mudança de clima em Wall Street também contribuiu para o desânimo entre os investidores no mercado acionário brasileiro. A Bolsa de Nova York caiu 0,02%, para 11.381,15 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) teve baixa de 0,09%, aos 2.183,75 pontos.

Ânimo
Indicadores que mostraram que a economia dos Estados Unidos não está tão desaquecida quanto se temia e que a inflação continua comportada animaram os investidores americanos, porém, depois de algumas sessões de otimismo, eles preferiram embolsar os lucros.

Gastos
Os gastos do consumidor americano cresceram 0,8% em julho - o maior aumento dos últimos seis meses- e a renda dos trabalhadores subiu 0,5%, de acordo com o Departamento do Comércio. Amanhã, sai o índice de desemprego. O presidente do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, Ben Bernanke, em uma conferência disse que a produtividade no país deve continuar crescendo.

Câmbio
Apesar da atuação do Banco Central, que neste mês realizou leilões de compras de divisas à vista quase diariamente - na operação de ontem, o corte ficou em R$ 2,1445 - e uma venda de contratos de swap reverso, o que equivale à aquisição de moeda no mercado futuro, o dólar comercial acumula desvalorização de 1,43% ante o real. No último dia de agosto, avançou 0,32%, vendido a R$ 2,145, mas os ingressos de recursos no mercado continuam grandes, por isso a sua tendência ainda é de queda apesar de o BC prosseguir com a redução dos juros. No final dos negócios, o risco-país caía 1,34%, para 220 pontos.

Moody's
A agência de classificação de risco Moody's elevou ontem o ''rating'' (nota) da dívida brasileira. Em tese, a decisão pode baratear a tomada de empréstimos pelo setor público e empresas do país, que teriam acesso a financiamento com juros menores. A nota para a dívida brasileira em moeda estrangeira foi elevada de ''Ba3'' para ''Ba2'', a melhor nota desde 1989. Mesmo com a elevação, o Brasil continua dois degraus abaixo do chamado ''grau de investimento'', concedido apenas a aplicações consideradas seguras pelo mercado.

Desafios
Duas outras grandes agências de classificação de risco, a Fitch e a Standard & Poor's, já haviam elevado a nota do Brasil neste ano para ''BB'', nota semelhante ao ''Ba2'' da Fitch. Para conseguir uma nova elevação, entretanto, o Brasil teria, segundo a Moody's, de enfrentar desafios como a estrutura ''rígida'' de gastos públicos e a necessidade de ''consenso político'' para reduzir despesas.

Mudanças
Para justificar a decisão, a Moody's cita ''mudanças significativas'' na estrutura de endividamento do governo brasileiro, que tem reduzido sua dívida externa -apesar de elevar a interna. A agência admite, entretanto, que a capacidade de o Brasil superar crises financeiras internacionais aumentou devido à ''diversidade da estrutura de exportações''.

Influência
Também influenciou a melhora do ''rating'', ainda que ''em menor escala'', a redução dos juros da dívida interna -a taxa básica da economia brasileira (Selic) caiu ontem para 14,25%, a menor em dez anos.

Européias
As principais bolsas de valores européias fecharam em queda, depois de o Banco Central Europeu (BCE) manter sua taxa básica de juros inalterada em 3%, como se previas, mas sinalizar que deverá apertar a política monetária ainda neste ano. Na bolsa de Londres, o índice FT-100 fechou em queda de 0,39%. Na bolsa de Frankfurt, o índice Xetra-DAX fechou em baixa de 0,14% e o índice S&P-Mib, da bolsa de Milão, fechou em queda de 0,14%.

Petróleo
Os preços do petróleo permaneceram estáveis nesta quinta-feira apesar da negativa do Irã de suspender o enriquecimento de urânio, num mercado que relativiza a ameaça de sanções imediatas da ONU. No New York Stock Exchange (Nymex), o barril do ''light sweet crude'' para entrega em outubro aumentou 23 centavos, fechando a US$ 70,26.


Com agências Estado, Folhapress e AFP

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