Discurso neutro
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, fez ontem um discurso considerado ''neutro'' por não abordar temas relativos à política monetária e, o que era para ser o principal fato do dia, acabou passando quase que despercebido nos mercados domésticos. Nas mesas de operações de DI, as atenções se concentraram na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece na próxima semana.


Apostas
Começa a haver um movimento de aumento das apostas de corte superior a 0,25 ponto porcentual (pp) na Selic. Já o dólar fechou em alta pela quarta sessão consecutiva, refletindo as incertezas sobre a economia norte-americana. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por sua vez, teve um dia positivo, mas com fraco volume financeiro. O mercado de ações manteve a cautela à espera da semana que vem, que guarda uma agenda repleta de indicadores importantes tanto no Brasil quanto nos EUA.


Bovespa
O dia foi de volatilidade para a Bovespa, que passou todo o pregão dividida entre a vontade de dar continuidade à recuperação iniciada ontem e o mau humor em Wall Street. Tendo oscilado entre o patamar mínimo de 35.586 mil pontos e o máximo de 36.128 mil pontos, a Bolsa acabou fechando em alta de 0,44%, aos 35.957 pontos, com giro de apenas R$ 1,477 bilhão -a média diária de agosto é de R$ 2,27 bilhões. Na semana, há baixa acumulada de 4,25%.

Ranking
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Light ON (+4,48%), Transmissão Paulista PN (+3,94%) e Comgás PNA (+3,64%). As maiores baixas foram BRT Par ON (-3,64%), Banco do Brasil ON (-2,87%) e BRT Par PN (-2,64%).

Atraentes
Os investidores continuam buscando ações que estão com os preços atraentes depois de a Bolsa ter caído bastante nos últimos dias, mas sem entusiasmo. Eles esperam que as incertezas a respeito do rumo da economia norte-americana, especialmente quanto a inflação, juros e aquecimento, sejam reduzidas consideravelmente. Até que isso aconteça, os estrangeiros se mantêm afastados e os locais também ficam cautelosos.

Espera
Ontem o mercado estava esperando ansiosamente, pela manhã, o pronunciamento de Ben Bernanke, presidente do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), em um simpósio sobre integração econômica global. Esperava-se que ele falasse sobre a política monetária levada a cabo pela instituição -fonte de preocupação do mercado há cerca de quatro meses para o mercado financeiro-, porém o assunto não foi mencionado.

Sem ânimo
Nesse caso, não ter notícia é uma boa notícia, mas não foi suficiente para animar os investidores na Bolsa de Nova Iorque, preocupados com o avanço dos preços do petróleo. O índice Dow Jones recuou 0,18%, para 11.284,05 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) teve alta de 0,15%, aos 2.140,52 pontos.

Petróleo
O barril do petróleo teve alta de 0,18%, vendido a US$ 72,49, devido à formação de uma tempestade tropical no Golfo do México. Durante o dia, chegou a US$ 73,75.

Recomendações
Aos pequenos investidores, os especialistas continuam recomendando cautela. O dólar comercial subiu 0,13%, vendido a R$ 2,157, enquanto o risco-país teve elevação de 1,33%, aos 229 pontos. Na semana, a moeda norte-americana acumula valorização de 0,51%. O Banco Central realizou leilão de compra de divisas com corte a R$ 2,158, e os analistas esperam que as cotações variem entre R$ 2,13 e R$ 2,18 nos próximos dias.


Futuro
No mercado de dólar futuro, dos oito vencimentos negociados ontem, cinco projetaram altas (setembro, outubro, novembro/06 e janeiro e março/07) e três, apontaram quedas (dezembro/06 e abril e julho/07). Para 1º de setembro/06, a projeção é de alta de 0,03% a R$ 2,160; e para 1º de julho/07, queda de 0,13% a R$ 2,300. O volume negociado caiu 18% para cerca de US$ 12 bilhões, com 239.018 contratos.

Indicadores
Na próxima semana, serão divulgados vários indicadores da inflação brasileira. São os casos do IPC-Fipe (terceira semana de agosto), IPC-S e IGP-M fechados do mês. Sai também o PIB brasileiro do segundo trimestre de 2006, além da realização, na quarta-feira, da segunda parte da reunião do Copom. Nos EUA, haverá divulgação da minuta da reunião de agosto do Fomc, da segunda prévia do PIB do segundo trimestre, da taxa de desemprego no mês passado, além de mais um discurso de Bernanke.

Com agências Estado, Folhapress e AFP

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