Dia de apreensão
Indicadores da economia norte-americana divulgados ontem mantiveram os mercados apreensivos em relação à atividade, inflação e taxas de juros naquele país. Analistas temem um quadro de recessão nos EUA, que ainda seria agravado com um eventual desaquecimento da economia chinesa.

Cenário
Por enquanto, esse é o pior cenário, que ainda não está nos preços dos ativos. Mas já preocupa. Juros e dólar fecharam em alta. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o dia no positivo, acompanhando Nova Iorque corrigindo exageros na queda dos dias anteriores.

Bernanke
Hoje, os mercados estarão atentos ao discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) que poderá sinalizar os próximos passos da política monetária. Os indicadores recentes apontam para mais uma pausa na taxa dos Fed Funds.

Bolsa
A Bovespa passou toda a manhã de ontem em queda - na mínima do dia, chegou aos 35.122 pontos -, mas mudou de tendência na segunda etapa do pregão e fechou aos 35.797 pontos, com elevação de 0,8% e giro de R$ 2,01 bilhões.
Depois de cinco dias seguidos de baixa, os investidores aproveitaram para comprar ações que estão com o preço atraente.


Destaques
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram BRT Par ON (+4,36%), Banco do Brasil ON (+3,75%) e Cesp PNA (+3,31%). As maiores baixas foram Telemig Par PN (-3,33%), Arcelor ON (-2,70%) e Tim Par ON (-2,39%).


Dúvidas
Entretanto, a recuperação da Bolsa pode não ser firme - analistas prevêem que ela continue caminhando sem tendência definida nos próximos dias devido às preocupações com o rumo da economia dos Estados Unidos: há perigo de desaceleração? A inflação está subindo demais? E os juros, voltarão a ser elevados?

Evasão
Por conta dessas dúvidas, os investidores estrangeiros continuam indo embora, e, sem os seus recursos, o mercado acionário fica fraco e os investidores locais também não se animam a voltar a aplicar nos papéis.

Indicadores
Na quarta-feira, indicadores sobre o mercado imobiliário que sinalizavam o desaquecimento da economia dos EUA deixaram os investidores nervosos. Números a respeito do mesmo setor divulgados ontem reforçaram os temores: as vendas de casas novas tiveram queda de 4,3% em julho, atingindo a taxa anualizada de 1,072 milhão de unidades.

Wall Street
A Bolsa de Nova York apresentou volatilidade mas terminou o dia em alta de 0,05%, aos 11.304,46 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) avançou 0,11%, para 2.137,11 pontos. Os preços do petróleo a subiram 1,27%, para US$ 72,67.

Câmbio
O dólar comercial também oscilou bastante - variou de R$ 2,145 a R$ 2,169 - e encerrou o expediente em alta de 0,09%, vendido a R$ 2,154, enquanto o risco Brasil subiu 1,8%, aos 226 pontos. No curto prazo, segundo operadores, as cotações devem oscilar entre R$ 2,13 e R$ 2,18. O Banco Central realizou leilão de compra de divisas com corte a R$ 2,1575. No fim da tarde, o risco Brasil subia 1,35% (3 pontos) para 226 pontos base.

Juros
As taxas dos DIs longos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) mantiveram-se pressionadas e o DI janeiro de 2008, cujo volume subiu bastante (mais de 300 mil contratos), encerrou em 14,32%, ante 14,29% quarta. A taxa do DI janeiro de 2010 avançou de 14,44% para 14,50%, enquanto o DI janeiro 2009 projetava 14,41%, de 14,38% quarta.

Contas públicas
O crescimento acentuado das despesas públicas reduziu pela metade o superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida) de governo federal, Estados, municípios e estatais no mês passado. Em julho, o governo economizou R$ 5,615 bilhões, um resultado muito inferior aos R$ 10,444 bilhões registrados em junho.

Meta
Apesar da piora, o governo ainda tem folga para cumprir a meta do ano. O superávit acumulado nos 12 meses terminados em julho equivale a 4,33% do PIB (Produto Interno Bruto), acima do objetivo de 4,25% do governo. No acumulado do ano, o superávit ficou em R$ 62,769 bilhões (5,39% do PIB).


Com agências Estado, Folhapress e AFP

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