Dia de mau humor
Depois das declarações preocupantes dadas terça-feira pelo presidente do Federal Reserve de Chicago sobre a inflação nos EUA, ontem os dados de venda de imóveis indicaram uma economia hesitante, com tendência de desaceleração mais forte que as estimativas. Também ontem, o presidente dos EUA invocou o Conselho de Segurança da ONU para dizer que é preocupante a forma como o Irã está tratando a questão nuclear. As duas notícias levaram apreensão aos mercados internacionais, com queda generalizada das bolsas de valores.

Bovespa
A Bovespa recuou 3,18% ontem, para 35.512 pontos - patamar mínimo do dia e menor nível desde 21 de julho -, com giro de R$ 2,468 bilhões. O mau humor já dura cinco pregões - o período, a Bolsa perdeu 5,75%. As preocupações com o rumo da economia dos Estados Unidos, que já se tornaram crônicas, mais uma vez derrubaram a Bovespa.

Ações
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, apenas um fechou em alta. Foi o caso de Contax ON (+1,27%). As maiores baixas do índice foram Eletrobrás PNB (-5,40%), Usiminas PNA (-5,16%) e BRT Par PN (-5,01%). Mais negociadas na Bovespa, as ações preferenciais da Companhia Vale do Rio Doce tiveram desvalorização de 3,6%, a R$ 39,02. Os papéis preferenciais da Petrobras caíram 2,84%, para R$ 42,99.

Ciclo de altas
Neste mês, o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano interrompeu o ciclo de alta dos seus juros após 17 aumentos. A esperança do mercado é de que não seja necessário tão cedo voltar a elevar a taxa, que está em 5,25%, e por isso cada indicador econômico divulgado é analisado com atenção para calibrar as expectativas.

Dúvidas
Essas dúvidas têm provocado volatilidade na Bolsa brasileira. Quando os juros dos EUA sobem, grandes investidores internacionais abandonam suas aplicações em mercados como o brasileiro para se refugiar em ativos de menor risco, por exemplo os treasuries (títulos do Tesouro americano).

Casas
Ontem, o grande motivo para o pessimismo foram os dados sobre o mercado imobiliário americano. As vendas de casas usadas nos EUA caíram 4,1% no mês passado ante junho, chegando a uma taxa anualizada de 6,33 milhões de unidades - o menor nível desde janeiro de 2004-, quando a projeção dos economistas era de 6,55 milhões.


Câmbio
O dólar comercial não conseguiu se manter alheio ao mau humor. Tendo recuado até R$ 2,129 pela manhã, mudou de tendência e subiu 0,65%, vendido a R$ 2,152. O risco-país tinha alta de 1,82%, aos 223 pontos. Apesar do nervosismo, o Banco Central realizou leilão de compra de divisas à vista, com corte a R$ 2,147. A instituição tem atuado quase diariamente mas não consegue impedir o avanço das cotações. Na avaliação de operadores, o BC apenas diminui o ritmo em que a moeda norte-americana caminha para os R$ 2,10, já que o volume de recursos que entra no mercado se mantém elevado.

Risco
O risco país refletiu o aumento da aversão ao risco. No fim da tarde, o risco dos emergentes estava em alta. O risco Brasil subia 4 pontos para 223 pontos base.

Juros
O contrato DI de janeiro de 2008 encerrou em 14,29%, contra 14,24% terça. A taxa do contrato de janeiro de 2010 avançou de 14,30% para 14,44%. Já a parte curta da curva, mais atrelada à política monetária de curto prazo, foi menos atingida. O DI janeiro 2007 fechou estável em 14,28%.

Wall Street
Até a palavra recessão foi ouvida ontem em Wall Street. A Bolsa de Nova Iorque caiu 0,37%, para 11.297,90 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) teve baixa de 0,71%, a 2.134,66 pontos.

Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em baixa ontem depois do inesperado anúncio do aumento das reservas americanas de gasolina, que tranquilizou os operadores sobre o fornecimento de combustível. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em outubro perdeu 1,34 dólar, fechando em US$ 71,76. Em Londres, o Brent do Mar do Norte para entrega em outubro teve uma redução de US$ 1,22 dólar, cotado a US$ 72,02.

Caixa
A Caixa Econômica Federal terminou o primeiro semestre do ano com um lucro recorde de R$ 1,344 bilhão. O valor ficou 43% acima dos R$ 937 milhões obtidos em igual período do ano passado. Para este semestre, de acordo com o vice-presidente de Controladoria e Finanças da Caixa, João Dornelles, a perspectiva é de redução dos ganhos para cerca de R$ 1,1 bilhão. Mesmo assim, o lucro do ano terminaria em R$ 2,4 bilhões e permaneceria acima dos R$ 2,1 bilhões de 2005.

Títulos
O bom resultado da primeira metade do ano foi sustentado, em grande parte, pelas operações com títulos públicos feitas pela tesouraria da Caixa. ''Um total de 43% das nossas receitas no primeiro semestre veio dessas operações'', disse Dornelles. No total, foram R$ 7,775 bilhões obtidos por meio destas transações. O crédito, de acordo com Dornelles, respondeu por 24% das receitas e os ganhos com a cobrança de tarifas por mais 15%.

Com agências Estado, Folhapress e AFP

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