MERCADO FINANCEIRO
Anúncio do Tesouro
O Tesouro Nacional decidiu mudar a estratégia de financiamento externo ao anunciar ontem que as captações terão um papel secundário nos próximos dois anos. O volume de vencimentos para esse período é de US$ 14,193 bilhões, já incluindo o pagamento de juros.
Conforto
De acordo com o secretário Carlos Kawall, essa necessidade poderá ser atendida via compras de dólares do Tesouro no mercado interno. Isso porque o Brasil tem hoje uma situação confortável de balanço de pagamentos, principalmente por conta dos resultados da balança comercial -superávit de US$ 45,2 bilhões em 12 meses-, e pelo alto volume das reservas internacionais -US$ 70,839 bilhões.
Medidas
Desde o ano passado o Tesouro Nacional tem tomado uma série de medidas para melhorar o perfil da dívida externa, com a redução do endividamento e o alongamento do prazo médio de vencimento -que é feito com o resgate dos títulos que vencem no curto prazo.
Dívida velha
No início do ano, o Tesouro anunciou um programa para ter de volta títulos da ''dívida velha'' -os chamados bradies-, que foram os papéis emitidos em 1994 durante a renegociação dos débitos de países emergentes. Até agora, esse resgate soma US$ 5,2 bilhões.
Captações
O Tesouro poderá fazer captações externas para o pagamento da dívida que vence em 2007 e 2008, mas essas emissões terão como objetivo melhorar o perfil da dívida externa. Inclusive poderá ser feita uma captação em reais. O secretário informou ainda que o programa de resgate antecipado de títulos terá prosseguimento.
Reflexos
No final dos negócios, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caia 1,14%, seguido os índices Dow Jones e Nasdaq, de Nova Iorque. O dólar comercial fechou em alta de 0,23%, cotado a R$ 2,137.
IGP-M
Com o fim da deflação nos preços do varejo (de -0,13% para 0,05%), a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu de 0,21% em julho para 0,25% em agosto. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a inflação para o consumidor foi puxada para cima devido ao fim da queda dos preços dos alimentos (de -0,66% para 0,41%), item determinante na taxa apurada pela segunda prévia de agosto.
Índice
Usado para reajustar preços de aluguel e de energia elétrica, o IGP-M acumula altas de 1,80% no ano e de 2,27% em 12 meses, até a segunda prévia de agosto - que abrange o período de 21 de julho a 10 de agosto. Para o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, o resultado da segunda prévia renova as expectativas de que o IGP-M integral do mês seja maior do que a taxa de julho (0,18%).
Alimentação
Ao detalhar o resultado da segunda prévia do IGP-M de agosto, Quadros comentou que a inflação no setor de alimentação, no varejo, foi puxada para cima pela disparada nos preços das frutas (12,39%). ''A aceleração nos preços das frutas foi mesmo a principal influência na alta dos preços dos alimentos'', admitiu o economista.
Carnes
Outro fator ressaltado pelo técnico ao comentar a alta nos preços dos alimentos foi o comportamento das carnes bovinas, cuja deflação também chegou ao fim no varejo (de -1,24% para 0,17%). Isso porque, no atacado, os preços dos bovinos estão acelerando (de 1,07% para 6,80%) - o que conduziu a um repasse desse cenário para os preços ao consumidor.
Atacado
O atacado também contribuiu para a alta na segunda prévia do IGP-M - embora com menos intensidade do que o varejo. A elevação nos preços no setor atacadista passou de 0,21% para 0,25%, da segunda prévia de julho para igual prévia em agosto, pressionada pelo fim da deflação nos preços dos combustíveis (de -0,41% para 0,91%). Já a elevação nos preços da construção civil, de menor peso na formação do IGP-M, perdeu força (de 0,59% para 0,40%), da segunda prévia de julho para igual prévia em agosto.
Petróleo
Os preços do petróleo se estabilizaram ontem no mercado nova-iorquino, quando o Irã convidou as grandes potências a continuar negociando sobre seu programa nuclear. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' ganhou 18 centavos, fechando em US$ 72,63 para entrega em setembro. Para o contrato de entrega em outubro, o preço do barril baixou 20 centavos, para US$ 73,10.
Com agências Estado, Folhapress e AFP





