MERCADO FINANCEIRO
Peso norte-americano
O cenário externo voltou a pesar no comportamento dos mercados domésticos ontem. Indicadores americanos divulgados pela manhã sinalizaram tendências contraditórias da economia dos EUA e criaram novas incertezas sobre o ritmo da economia e da política monetária praticada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). As bolsas fecharam em baixa em Nova Iorque. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi junto, mas também foi influenciada pela queda das ações da Vale do Rio Doce. O dólar voltou a subir e os juros só não tiveram um dia melhor justamente por causa do cenário internacional.
Bovespa
Acompanhando de perto Wall Street, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 1,10% ontem, para 36.944 pontos - menor patamar desde o dia 1º de agosto -, acumulando assim baixa de 2,59% na semana. O giro foi de apenas R$ 1,941 bilhão, um pouco inferior à média de R$ 2,07 bilhões do mês. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular queda de 0,36% em agosto e alta de 10,43% em 2006. O movimento financeiro ficou em R$ 1,941 bilhão.
Destaques
As ações da Vale do Rio Doce foram destaque de baixa e de volume de negócios por conta da proposta da empresa de comprar a mineradora canadense Inco.Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Banco do Brasil ON (+3,55%), Perdigão ON (+3,39%) e Celesc PNB (+1,78%). As maiores baixas foram Eletrobrás PNB (-5,08%), Telemig Par PN (-4,38%) e Eletrobrás ON (-3,13%).
Câmbio
O dólar comercial avançou 0,27%, vendido a R$ 2,166, porém na semana tem desvalorização de 0,78%. O Banco Central realizou leilão de compra de divisas com corte a R$ 2,162. A atuação praticamente diária do BC no câmbio tem impedido a maior queda das cotações. Não fosse isso, dizem analistas, a moeda americana já estaria abaixo dos R$ 2,10. No curto prazo, deve oscilar entre R$ 2,15 e R$ 2,20.
Futuro
No mercado de dólar futuro, os seis vencimentos negociados projetaram altas: o dólar setembro projetou +0,23% a R$ 2,175; e o dólar abril/07, +0,08% a R$ 2,272. O volume negociado caiu 7% para cerca de US$ 6,600 bilhões, com 131.476 contratos.
Preocupação
No final do dia, o risco-país subiu 0,48%, para 208 pontos. A preocupação crônica com o rumo da economia dos Estados Unidos e as pressões inflacionárias, as quais podem obrigar o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) a voltar a elevar os juros depois de ter feito uma pausa nesta semana, deixaram os investidores pessimistas.
Nos EUA
A Bolsa de Nova Iorque caiu 0,32%, para 11.088,03 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) recuou 0,67%, a 2.057,71 pontos. Os preços do petróleo voltaram a subir. O barril avançou 0,47%, para US$ 74,35.
Mais volatilidade
Embora a decisão do Fed em manter a taxa de juros em 5,25% ao ano seja favorável para o mercado brasileiro, possibilitando que parte dos recursos que deixaram o país nos últimos meses comecem a voltar, a incerteza sobre a trajetória dos juros permanece. Por isso, alguma volatilidade ainda é esperada para os próximos dias.
Juros
O mercado de juros teve mais um dia tranquilo e reagiu positivamente à boa notícia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), confirmando o cenário de inflação sob controle. Mas, dizem operadores, as preocupações com a economia norte-americana limitaram um comportamento ainda melhor nos negócios de DIs futuros.
IPCA
Pela manhã, os juros futuros recuaram, diante do IPCA fraco do mês de julho. O indicador mostrou inflação de 0,19%, ante deflação de 0,21% em junho. Mesmo considerando que, não fossem mudanças na base de cálculo do índice, a alta teria sido mais intensa, o mercado é unânime em dizer que o IPCA divulgado ontem confirma um quadro muito favorável para a inflação, que deve ficar abaixo da meta de 4,5% para este ano.
Núcleo
Os núcleos do IPCA também contribuíram para o tom otimista em relação à inflação, assim como a primeira prévia de agosto do IGP-M, que subiu 0,16% ante 0,17% em igual prévia em julho.
Incertezas
O clima de incertezas, que ainda prevalece no exterior, impediu, no entanto, que o mercado de juros prosseguisse em queda. ''A dinâmica do mercado ainda é positiva, mas as dúvidas em relação à economia norte-americana impediram hoje a continuidade da queda'', afirma um operador. Profissionais observam que, ontem, ocorreu um movimento por parte de investidores externo zerando aplicações em DI. ''Mas eu acredito que essas operações foram de giro, e não representem uma mudança de posição'', argumenta outro operador.
BM&F
Na Bolsa de Mercadorias & Futurobs (BM&F), o DI com vencimento em janeiro/08 encerrou o pregão com taxa de 14,42% (ante 14,39% de quinta); DI janeiro/07, 14,35% (estável); e DI janeiro/09, 14,45% (14,47%).
Com agências Estado, Folhapress e AFP





