Efeito Fed
Todas as atenções do mercado ontem estiveram voltadas para a reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed), e sua decisão sobre a taxa básica de juros nos Estados Unidos, anunciada às 15h15 no Brasil. E tudo saiu como os analistas esperavam. O Fed (banco central americano) interrompeu o ciclo de aumento de juros iniciados há mais de dois anos e decidiu manter a taxa básica da economia dos EUA em 5,25% ao ano.

Alvoroço
A decisão provocou alvoroço nos mercados internacionais. As bolsas de Nova Iorque subiram mas fecharam o dia em queda. O mesmo aconteceu com a Bolsa de Valores de São Paulo. O dólar também fechou em baixa

Recessão
Desde junho de 2004, foram 17 aumentos consecutivos, que levaram a taxa de 1% ao ano (a menor desde 1958) para os atuais 5,25%. O objetivo de manter a taxa tão baixa entre 2003 e 2004 foi reativar a economia americana, que vinha flertando com a recessão desde 2001.

Emergentes
Em tese, o fim das altas pode ser benéfico para países emergentes como o Brasil, já que a continuidade dos aumentos poderia levar a uma migração do capital estrangeiro que está no país para os EUA. O presidente do Fed, Ben Bernanke, havia apontado em julho para o desaquecimento da economia dos EUA como um contrapeso aos preços da energia, que vinham causando pressões sobre a inflação no país.

Dados econômicos
Os dados econômicos do país corroboraram a indicação de Bernanke: depois de um crescimento de 5,6% (dado anualizado) do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre deste ano, a economia desacelerou, para uma expansão de 2,5% no segundo. Em junho, a inflação subiu apenas 0,2%. O número de empregos criados no país foi de 113 mil em junho, menos que os 145 mil esperados.

Desaquecimento
Alguns dados destoam da avaliação de Bernanke (a produção cresceu 0,8% em junho; o desempenho do setor manufatureiro no mês passado foi superior ao de junho), mas o cenário geral é de um desaquecimento - em boa parte devido ao setor imobiliário: as vendas de casas novas no país em junho tiveram uma queda de 3% na comparação com maio; as de casas usadas, de 1,3%.

Alerta
O ex-presidente do Fed Alan Greenspan já alertava para se ter cuidado com a desaceleração no mercado imobiliário americano: depois de cinco anos de atividade intensa no setor, as taxas de juros altas criaram um risco -o de elevar taxas de hipotecas e derrubar vendas, causando queda brusca de preços e afetando os americanos, que se endividaram contando com a valorização ininterrupta de seus imóveis. A consequência poderia ser o país cair de novo na recessão.

Preocupações
O setor imobiliário se mostrou uma preocupação moderada; Bernanke disse no mês passado que ''a virada para baixo do mercado imobiliário parece, até o momento, ser ordenada''. O que não está em suas mãos é controlar dos preços do petróleo. O preço da commodity chegou ao patamar dos US$ 30 em dezembro de 2002, e nele ficou até maio de 2004, quando chegou ao dos US$ 40 -um intervalo de 17 meses. O capítulo mais recente na história das altas da commodity é o recorde atual, de US$ 78,40, atingindo no dia 14 do mês passado.

Inflação
A inflação, de fato, entrou em trajetória ascendente no país, tanto por conta do aquecimento econômico como pela alta do petróleo. Neste ano, até junho, acumula alta de 4,3%. O núcleo da inflação (que exclui alimentos e energia), por sua vez, acumulou alta, até junho, de 3,2% - maior que os 2,2% registrados para todo o ano passado.


Desafio
O desafio do Fed agora será encontrar, e manter, o ponto de equilíbrio -conseguir manter a inflação contida, mesmo com a pressão dos preços da energia. A expectativa para a economia americana ainda é de mais desaquecimento no restante do ano (o crescimento do PIB deverá ficar entre 2,5% e 3% no atual trimestre), mas o petróleo não dá sinais de que venha a perder força. Os analistas, no entanto, ainda não descartam mais uma alta de 0,25 ponto percentual neste ano, levando a taxa para 5,5%.


Européias
As principais bolsas de valores européias fecharam em alta, à exceção de Londres. Os volumes foram reduzidos, com os mercados na expectativa do resultado da reunião do Federal Reserve norte-americano. ''O pequeno alívio mostrado nas Bolsas do Japão e do extremo oriente se extravasou para as Bolsas européias'', comentou Peter Kysel, da MFC Global Investment Management. Na bolsa de Londres, o índice FT-100 fechou em queda de 0,18%. O índice CAC-40, da bolsa de Paris, fechou em alta de 0,23%. Na bolsa de Frankfurt, o índice Xetra-DAX fechou em alta de 0,45%. E o índice S&P-Mib, da bolsa de Milão, fechou em alta de 0,34%.

Petróleo
Os preços do petróleo recuaram ligeiramente nesta terça-feira, afetados pela realização de lucros depois de sua alta da véspera, num mercado ainda preocupado com a interrupção da produção no Alasca e as tensões no Oriente Médio. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do ''light sweet cru'' para entrega em setembro perdeu 67 centavos, fechando a US$ 76,31.

Com agências Estado, Folhapress e AFP

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