MERCADO FINANCEIRO
Boa notícia
Os dados sobre a taxa de desemprego nos Estados Unidos (payroll) de julho confirmou o que os analistas estavam esperando: o mercado de trabalho está menos aquecido do que se temia e abre espaço para que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não eleve os juros na sua reunião da próxima semana. O Departamento de Trabalho dos EUA informou que foram criadas 113 mil vagas em julho, abaixo da expectativa de 150 mil. A taxa de desemprego subiu para 4,8%, acima da mediana de 4,6%.
Reflexos
Em Nova York, essa notícia foi considerada positiva num primeiro momento. Mas as bolsas acabaram fechando em ligeira queda, temendo que a economia dos país se desacelere muito rapidamente. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta e os juros embutidos nos contratos de DI, em baixa. O dólar, depois de dois dias consecutivos em queda, voltou a subir num movimento de realização de lucros.
Bovespa
A Bovespa passou toda o dia em alta, apesar de, à tarde, o humor ter azedado em Wall Street. A Bolsa fechou aos 37.847 pontos, subindo 1,05%, com giro de R$ 2,131 bilhões. Na semana, acumula elevação de 1,25%. Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Sabesp ON (+4,34%), Unibanco Unit (+3,63%) e Telesp PN (+3,52%). As maiores baixas foram VCP PN (-3,61%), Aracruz PNB (-1,35%) e Contax PN (-1,23%).
Juros
No mercado de juros futuros da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o contrato de DI de janeiro de 2008, um dos mais negociados, encerrou a sessão com taxa de 14,54% (14,58% ontem e também na sexta-feira passada), com 157 mil contratos. O DI de janeiro/09 fechou a 14,74% (14,81% ontem e 14,77% na sexta-feira da semana passada); DI janeiro/07, 14,38% (14,40% ontem e sexta passada).
Câmbio
O dólar comercial, que chegou a cair até R$ 2,168, inverteu a tendência após o Banco Central fazer um leilão de compra de divisas no mercado à vista - com corte em R$ 2,177- e avançou 0,22%, vendido a R$ 2,183. No final do dia, o risco-país caía 1,34%, para 220 pontos.
Aposta
Os sinais de desaquecimento nos EUA alimentam as esperanças de que o Federal Reserve, banco central norte-americano não vai aumentar sua taxa de juros no próximo dia 8; no Brasil, a aposta é de que o Banco Central vai continuar cortando a Selic, por conta da taxa divulgada ontem pelo IBGE de que a produção industrial brasileira caiu 1,7% em junho ante maio. Entretanto, a desaceleração da maior economia do mundo também é uma má notícia, por isso os investidores no mercado acionário americano se retraíram.
Wall Street
A Bolsa de Nova York recuou 0,02%, para 11.240,35 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) teve queda de 0,34%, aos 2.085,05 pontos. Em junho, os juros americanos foram elevados pela 17 vez consecutiva, em 0,25 ponto percentual, a 5,25% ao ano, e a autoridade monetária disse que aumentos adicionais dependeriam do comportamento dos indicadores econômicos. Por isso, os índices são acompanhados com máxima atenção e determinam o humor dos investidores.
Copom
No dia 19 de julho, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC do Brasil reduziu em 0,5 ponto percentual, para 14,75% ao ano, a taxa básica de juros da economia do País. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a taxa real de juros deve cair para 5% até o final do próximo mandato presidencial, em 2010.
Indústria
A produção da indústria caiu 1,7% em junho na comparação livre de influências sazonais (típicas de cada período) com maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o pior desempenho desde setembro de 2005 (-2%). Em maio, a indústria bateu o melhor resultado do ano, com uma expansão de 1,6%. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve queda de 0,6%. No ano, a alta alcança 2,6%.
Destaques
Entre os maiores destaques negativos estão veículos automotores (-4,6%), outros produtos químicos (-4,8%) e indústria extrativa (-3,4%). Por outro lado, os segmentos farmacêutico (5,5%) e refino de petróleo e produção de álcool (1,5%) tiveram aumento representativo. Entre as categorias de uso, o setor de bens intermediários (insumos), que tem o maior peso no índice, teve o pior resultado: queda de 1,9%. Os bens de capital (máquinas) e bens de consumo semi e não-duráveis (roupas e alimentos) tiveram recuo de 1% na produção.
TAM
A companhia aérea TAM informou ontem ter registrado lucro líquido de R$ 97,1 milhões no segundo trimestre deste ano, recuperando-se dessa forma de R$ 24,7 milhões no mesmo período do ano passado. As ações da empresa tiveram desvalorização de 0,88%, a R$ 60,70.
Na Europa
As principais bolsas européias fecharam em alta, depois de os dados do nível de emprego nos Estados Unidos em julho sugerirem que o Federal Reserve não voltará a elevar as taxas de juro de curto prazo na reunião da próxima terça-feira. Em Paris, o índice CAC 40 ganhou 1,15%, a 5.040,95 pontos. Em Londres, o Footsie-100 subiu 0,87%, a 5.889,40 pontos. Em Frankfurt, o Dax terminou em alta de 1,47%, a 5.723,03 pontos.
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em baixa ontem, com os operadores mais tranquilos após a dispersão da tempestade tropical Chris, que poderia se transformar em furacão e atingir as refinarias do Golfo do México, mas a crise continua no Oriente Médio e na Nigéria. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em setembro caiu 70 centavos, fechando a US$ 74,76.
Das agências Estado, Folhapress e AFP





