MERCADO FINANCEIRO
Dia de pacote
O anúncio das medidas cambiais feito na tarde de ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega (leia na página 4), foi o principal evento do dia para o mercado doméstico. A primeira reação ao pacote foi a queda das cotações do dólar ante o real. Analistas viram as medidas como uma redução de custos e uma melhora operacional ao exportador, mas com efeito neutro para a taxa de câmbio no curto prazo. De uma forma geral, no entanto, as medidas tiveram repercussão positiva no sentido de flexibilização do câmbio.
Câmbio
O dólar comercial recuou 0,54%, para R$ 2,191, apesar de o Banco Central ter realizado mais um leilão de compra de divisas no mercado à vista, com corte a R$ 2,194. Tampouco o pacote cambial anunciado pelo governo (leia na página 4) mexeu com as cotações. No final do dia, o risco-país tinha baixa de 0,87%, aos 227 pontos.
Juros
No mercado de juros futuros da BM&F, o contrato de DI de janeiro de 2008, um dos mais negociados, encerrou a sessão com taxa de 14,61% (14,68% terça). O DI de janeiro/09 fechou a 14,81% (14,87% terça); DI janeiro/07, 14,36% (14,37% terça).
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo passou boa parte de ontem em território positivo mas não conseguiu sustentar a elevação até o final do dia. Fechou em queda de 0,24%, aos 36.594 pontos, interrompendo dessa forma uma série de duas altas. O giro foi de R$ 1,688 bilhão.
Destaques
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Telemar PN (+2,99%), Telemar ON (+2,95%) e Telemar Norte Leste PNA (+1,61%). As maiores baixas foram Sadia PN (-2,95%), Light ON (-2,30%) e Arcelor ON (-2,27%). ()
Ações
O mercado de renda variável mostrou sua força na primeira metade de 2006. As emissões de ações alcançaram R$ 15,26 bilhões no primeiro semestre, superando em 169% o resultado obtido em igual período do ano passado. Os números apresentados ontem pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) mostraram que a emissão total de ações - IPOs, emissões secundárias e outros - nos primeiros seis meses deste ano superou o volume registrado em todo o ano de 2005, que ficou em R$ 14,14 bilhões. E isso sem contar o último IPO (lançamento inicial de ações de uma empresa que abriu seu capital), o da MMX Mineração e Metálicos, que estreou no pregão da Bovespa na segunda-feira.
Nos EUA
Nos Estados Unidos, o Livro Bege do Federal Reserve apontou que a economia norte-americana dá sinais de desaceleração e que as pressões inflacionárias podem estar se reduzindo. Mas resultados corporativos ruins acabaram prevalecendo sobre o documento do Fed e as bolsas caíram em Wall Street.
Quedas
A Bolsa de Nova York caiu 0,01%, para 11.102,51 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) recuou 0,16%, aos 2.070,46 pontos. Divulgado logo cedo, o resultado da loja virtual Amazon.com no segundo trimestre decepcionou os investidores, bem como o balanço da Boeing.
Livro Bege
Outro motivo para desânimo foi o ''Livro Bege'', documento elaborado pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos), no qual a instituição comentou que o ritmo de crescimento da economia desacelerou a partir de junho e a inflação continua evoluindo moderadamente. Embora por um lado essa possa ser uma boa notícia, na medida em que significaria o ansiosamente esperado fim do ciclo de aperto monetário, o medo de uma recessão falou mais alto.
Oriente Médio
A evolução do conflito no Oriente Médio também está no centro das atenções. O grupo terrorista libanês Hezbollah disse que a guerra entrou em uma nova fase, que não aceitará condições ''humilhantes'' para um cessar-fogo e que não cessará o lançamento de foguetes contra o território israelense. O barril do petróleo em Nova York era negociado a US$ 73,94, em alta de 0,12%.
Eventos e indicadores
Hoje, sai a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na qual a Selic, taxa básica de juros da economia do país, foi reduzida em 0,5 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Os investidores esperam encontrar sinais de mais cortes de juros. Amanhã será a vez do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre do ano. A previsão é de que a economia norte-americana tenha crescido cerca de 3% no período.
Paralelo e turismo
Européias
As principais Bolsas de Valores da Europa fecharam em alta ontem. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,20%, a 4.943,00 pontos. Em Londres, o Footsie subiu 0,44%, para 5.877,10 pontos. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,31%, ficando a 5.583,10 pontos.
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em leve alta ontem no mercado nova-iorquino, depois da surpreendente queda nas reservas de gasolina dos Estados Unidos e o fracasso da conferência de Roma para o cessar-fogo imediato no Líbano. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' no contrato de setembro ganhou 19 centavos, fechando a US$ 73,94.
Com agências Estado, Folhapress e AFP





