Dia tranquilo
O dólar encerrou a segunda-feira com leve baixa de 0,32%, a R$ 2,193, na esteira da melhora nos mercados internacionais e do saldo positivo da balança comercial brasileira. As bolsas de valores norte-americanas Nasdaq e Dow Jones subiam mais de 1% ontem à tarde e os títulos da dívida externa brasileira tinham desempenho positivo. No final do dia, às 18h50, o risco-país cedia para 230 pontos-básicos sobre os Treasuries.

Balança
Internamente, o saldo positivo da balança comercial trouxe otimismo para um início da semana de poucos indicadores. O foco está na publicação do Livro Bege do Federal Reserve na quarta-feira e a ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central na quinta-feira. O superávit comercial foi de US$ 1,03 bilhão na terceira semana de julho - o que representa um saldo positivo acumulado no mês de US$ 3,943 bilhões.

Atuação do BC
João Medeiros, diretor de câmbio da Pioneer Corretora, ponderou que a queda do dólar só não foi maior no dia por conta da atuação do Banco Central. A autoridade monetária aceitou 13 propostas no leilão de compra de dólares realizado à tarde, com corte a R$ 2,190. gerente de câmbio da corretora Novação, José Roberto Carreira, citou ainda que o volume de negócios foi fraco. Segundo ele, perto do fechamento o volume de negócios registrados no segmento interbancário era de US$ 800 milhões.

Dívida
A dívida interna do país aumentou R$ 17 bilhões no mês de junho e chegou a R$ 1,016 trilhão. O crescimento foi resultado dos R$ 10,5 bilhões de juros para rolar a própria dívida e da emissão líquida de R$ 6,5 bilhões em títulos públicos, depois de dois meses consecutivos em que os resgates superaram as emissões. Os números foram anunciados ontem pelo coordenador de operações da dívida pública do Tesouro Nacional, Manuel Augusto Silva.

Melhora
Segundo Silva, houve considerável melhora no perfil da dívida pública em relação a maio, por duas razões: diminuíram as incertezas no mercado internacional quanto às taxas de juros do mercado norte-americano e houve indicadores positivos no mercado interno, especialmente com relação ao controle da inflação, que possibilitaram melhores condições para a colocação de títulos.

Focus
O mercado financeiro continua apostando no recuo dos juros e da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Pesquisa Focus divulgada ontem pelo Banco Central (BC) aponta que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai reduzir em apenas 0,25 ponto porcentual a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, na sua próxima reunião, no final de agosto. A previsão para os juros foi mantida em 14,50%. Na semana passada, o Copom cortou a Selic em meio ponto, para 14,75% ao ano. A previsão para o IPCA de 2006 teve ligeira queda, passando de 3,77% para 3,76%.

Projeções
O mercado também deixou inalteradas as projeções para a Selic no final deste e do próximo ano, em, respectivamente, 14,25% e 13% anuais. Para a média da taxa básica em 2006, a mediana das estimativas teve um ligeiro ajuste para baixo, passando de 15,34% para 15,31% ao ano. A expectativa para a Selic média em 2007 foi mantida em 13,70% ao ano.

IPCA
Para o IPCA de julho, as projeções caíram de 0,24% para 0,20%, mas as instituições mantiveram em 0,34% a expectativa para o índice no final de agosto. A estimativa de mercado para Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para 2006 teve ligeira alta, passando de 2,31% para 2,33%. Para 2007, a expectativa para o IPC-Fipe ficou inalterada em 4,28%.


Européias
As principais Bolsas européias fecharam em alta, reagindo à abertura positiva dos mercados norte-americanos, em meio a notícias sobre fusões e aquisições e informes de resultados de grandes empresas. O recuo dos preços do petróleo também contribuiu para o bom desempenho das ações. O índice FT-100, da Bolsa de Londres, fechou em alta de 2%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 também fechou em alta de 2%. Na Bolsa de Frankfurt, o índice Xetra-DAX fechou em alta de 2,33%. E na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 1,58%.


Petróleo
O petróleo fechou em leve alta ontem no mercado nova-iorquino, com os operadores temendo uma queda na oferta de gasolina, por causa de problemas em duas grandes refinarias, uma na Venezuela e outra no norte dos Estados Unidos (Illinois). No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em setembro ganhou 62 centavos, para fechar a US$ 75,05.

Temor
Os preços do cru começaram a sessão em baixa, com o mercado esperando um cessar-fogo no Líbano, entre Israel e o Hezbollah, que limitará o risco da extensão do conflito a países vizinhos de cru. No meio do pregão, os preços inverteram a tendência, sobretudo pelos problemas nas refinarias, que trouxeram temores de diminuição da oferta de gasolina nos Estados Unidos, em plena temporada de férias de verão, caracterizada por muitas viagens longas de carros.

IST
O Índice de Serviços de Telecomunicações (IST) registrou alta de 0,36% em junho, informou ontem a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Com isso, o indicador já subiu 1,72% neste ano. Desenvolvido pela Anatel em parceria com o IBGE, o IST reflete as variações dos custos das operadoras de telefonia e é utilizado no cálculo dos reajustes das tarifas. O índice de junho, divulgado ontem, será considerado nos cálculos dos reajustes que a Anatel autorizará no ano que vem, observando a variação dos preços de junho deste ano até maio de 2007.


Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou o pregão de ontem em queda, com o índice Nikkei 225 em 14.794,50 pontos, 26,76 pontos (-0,2%) abaixo de sexta-feira. O fechamento negativo da Bolsa de Nova Iorque, na sexta-feira, prejudicou as ações do setor de tecnologia. Os papéis das siderúrgicas também estiveram entre os que mais caíram, afetados por preocupações quanto à perspectiva de resultados para o setor. Segundo um operador, a fraqueza dos negócios refletiu incertezas do mercado, inclusive com relação a fatores externos, como o comportamento da economia norte-americana e a política a ser adotada pelo banco central chinês.

Com agências Estado, Folhapress e AFP

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