Mau humor
Boa parte da euforia que o mercado financeiro viveu na quarta-feira evaporou ontem. E o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano que no dia anterior ajudou as Bolsas de todo o mundo a subir fortemente, ontem provocou sua queda. A Bolsa de Nova Iorque caiu 0,75%, para 10.928,10 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) recuou 1,98%, para 2.039,42 pontos.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 2,55%, aos 35.846 pontos, com giro de R$ 1,705 bilhão. Chegou a subir no começo do dia mas não se sustentou, e ampliou a baixa no meio da tarde, quando foi divulgada a ata da última reunião do Fed, na qual a taxa básica de juros norte-americana foi elevada em 0,25 ponto percentual, para 5,25% ao ano.

Incerteza
No documento, a instituição manifestou incerteza a respeito dos próximos passos da política monetária, apesar de reconhecer que, com a diminuição do ritmo de crescimento da economia, a inflação também arrefeceria. E, mais uma vez, afirmou que as medidas a serem tomadas daqui em diante vão depender dos indicadores econômicos que saírem. Na quarta-feira, Ben Bernanke, presidente do Fed, havia sinalizado que o fim do ciclo de altas dos juros pode estar próximo.

Fuga
As dúvidas sobre o final do aperto monetário provocou um grande movimento de fuga de estrangeiros nos últimos dois meses, com queda da Bovespa e valorização do dólar ante o real. Como a incerteza persiste, os analistas esperam mais volatilidade até agosto, quando o comitê do Fed volta a se reunir para discutir os juros.


Câmbio
O dólar comercial subiu 0,73%, vendido a R$ 2,193, e o risco-país no final da tarde subia 0,85%, aos 236 pontos. O Banco Central atuou duplamente e contribuiu para a elevação das cotações. Primeiro, realizou um leilão de swap cambial reverso, operação que equivale à compra de moeda no mercado futuro. Depois, comprou divisas no mercado à vista.

Contas externas
O balanço de pagamentos das contas externas brasileiras foi deficitário em US$ 614 milhões no mês de junho, apesar do alto superávit de US$ 4,081 bilhões no balanço comercial (exportações menos importações). Os investimentos em carteira tiveram déficit de US$ 4,533 bilhões no mês e a conta de transações financeiras fechou com saldo negativo de US$ 587 milhões.

Serviços
Os números foram divulgados no relatório de junho sobre Setor Externo, elaborado pelo Departamento Econômico do Banco Central. O documento mostra que os serviços tiveram saídas líquidas de US$ 1,018 bilhão no mês por conta de gastos com viagens internacionais, aluguel de equipamentos, serviços de informática e pagamentos de royalties e licenças, principalmente.

Investimentos
De acordo com o relatório do Banco Central, os investimentos estrangeiros diretos no setor produtivo somaram US$ 1,061 bilhão em junho, em um patamar menor que os US$ 1,325 bilhão registrados no mesmo mês do ano passado. No acumulado do primeiro semestre, os investimentos chegam a US$ 7,386 bilhões, também abaixo dos US$ 8,514 bilhões contabilizados em igual período de 2005.

Dívida
O relatório do Banco Central mostra, ainda, que a dívida externa foi estimada em US$ 157,666 bilhões no final do mês passado, com queda de US$ 8,986 bilhões em relação ao último saldo consolidado, em março deste ano, quando a dívida externa contabilizava US$ 166,652 bilhões.

Empréstimo
A diferença cresceu em junho por causa do ingresso de US$ 490 milhões de empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da recompra de US$ 1,433 bilhão em títulos e da amortização de US$ 148 milhões na troca de Bônus Global 30 por Global 34.

Prazos
A dívida externa de médio e longo prazos somava US$ 140,188 bilhões no final de junho, com redução de US$ 8,649 bilhões na comparação com a dívida de março; e a dívida de curto prazo, com vencimento nos próximos 12 meses, registrava US$ 17,478 bilhões, com queda de US$ 337 milhões no trimestre.

Reservas
Enquanto isso, as reservas internacionais tiveram redução de US$ 63,381 bilhões, em maio, para US$ 62,670 bilhões, com queda de US$ 711 milhões em junho. Mês em que não houve intervenções do BC no mercado doméstico de câmbio, e as operações externas propiciaram despesas líquidas de US$ 526 milhões.

Petróleo
Os preços do petróleo encerraram a quinta-feira em alta, após três sessões de nítidas quedas, com o mercado acompanhando com preocupação a situação no Oriente Médio. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em agosto ganhou 42 centavos e fechou a US$ 73,08. Na semana passada, chegou a ser negociado a 78,40 dólares o barril.


Das agências Estado, Folhapress e AFP

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