Dia de euforia
A sinalização do presidente do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), Ben Bernanke, de que o fim do aperto monetário nos Estados Unidos pode estar próximo rendeu ontem um dia de euforia ao mercado financeiro em todo o mundo. Acompanhando essa tendência, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou na máxima, aos 36.785 pontos, com alta de 4,71% -maior elevação desde 29 de junho último, quando subiu 4,74%- e giro de R$ 2,354 bilhões.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Unibanco Unit (+9,30%), Bradesco PN (+8,56%) e Itaubanco PN (+8,23%). O índice teve apenas uma ação em baixa: Souza Cruz ON (-2,10%).

Futuros
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os juros mantiveram a tendência de queda, antecipando um provável corte de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetário (Copom), do Banco Central (BC). O contrato de DI de janeiro de 2008, um dos mais negociados, encerrou a sessão com taxa de 14,68% (14,80% terça), e volume de 165 mil contratos. O DI de janeiro/09 fechou a 14,96% (15,17%); DI janeiro/07, 14,43% (14,46%).


Câmbio
Apesar de o Banco Central ter realizado um novo leilão de compra de divisas no mercado à vista - com corte a R$ 2,179 -, o dólar comercial terminou o dia em queda de 0,77%, vendido a R$ 2,177.

Risco
Os fundamentos domésticos positivos, que estimularam a redução de posições em câmbio, se refletiu na firme queda do risco Brasil. Por volta das 17h53, o risco Brasil caía 2,08% (-5 pontos base) a 236 pontos base - sendo que na mínima atingiu 229 pb, baixa de 5,37% (-13pb). Nesse horário, o risco dos países emergentes caía 1,43% (-3 pb) a 207 pontos base.


Reflexos
A Bolsa de Nova Iorque subiu 1,96%, para 11.011,42 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas do setor de tecnologia) avançou 1,83%, aos 2.080,71 pontos. As européias também registraram forte elevação.

Discurso
Bernanke mencionou que a inflação nos EUA ainda está mais alta do que o esperado e preocupa o Fed, o qual se mantém vigilante para reduzir os danos que o aumento de preços pode causar. Entretanto, afirmou que a economia norte-americana parece estar em transição para um período de crescimento moderado, e o desaquecimento também significaria uma desaceleração da inflação.

Ata
Hoje, o Fed divulga a ata da sua última reunião, na qual foi feita a última elevação da taxa, de 0,25 ponto percentual, para 5,25% ao ano. Quando os juros dos EUA sobem muito, os grandes investidores internacionais abandonam aplicações em mercado como o brasileiro para buscar menores riscos -os treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) estão entre os refúgios favoritos.

Fuga
A incerteza sobre o final do ciclo de altas da taxa provocou um grande movimento de fuga de estrangeiros nos últimos dois meses, com queda da Bovespa e valorização do dólar ante o real.

Outros fatores
Antes da abertura, a divulgação de que os preços ao consumidor nos EUA avançaram 0,2% em junho, com núcleo (que exclui alimentos e energia) de 0,3% -quando se esperava 0,2% - desanimou um pouco. Mas ao pronunciamento de Bernanke se somaram a queda dos preços do petróleo - o barril em Nova Iorque recuou para US$ 72,66 - e os bons lucros no terceiro trimestre informados pela IBM e pelo JPMorgan.

Copom
Hoje, o mercado deve repercutir a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC sobre a Selic. A taxa básica de juros da economia brasileira está atualmente em 15,25% ao ano e a aposta majoritária é de que seja reduzida em 0,5 ponto percentual. A decisão sairia após o fechamento do mercado

Inflação
O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) subiu 0,39% em julho, ante elevação de 0,57% em junho, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado anunciado ontem veio dentro das previsões dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam uma taxa entre 0,26% a 0,65%.


Com agências Estado, Folhapress AFP

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