Dia nervoso
O novo recorde dos preços do petróleo ontem e o aumento da tensão no Oriente Médio mexeram com os mercados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo recuou 2,42%, para 35.354 pontos, com giro de R$ 1,425 bilhão. Foi sua segunda queda consecutiva. O dólar comercial teve alta de 0,86%, vendido a R$ 2,22, e o risco-país subiu 2,41%, para 253 pontos. Apesar do nervosismo, o Banco Central voltou a comprar divisas em leilão no mercado à vista.

Ações
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, apenas três fecharam em alta: Perdigão ON (+1,86%), Sadia PN (+1,08%) e Ambev PN (+0,34%). As maiores baixas foram Embraer ON (-5,20%), Aracruz PNB (-5,05%) e Siderúrgica Nacional ON (-5,03%).


Petróleo
Os preços do petróleo no exterior encostaram em US$ 77 por causa da violência entre Israel e Líbano e da discussão internacional acerca do programa nuclear do Irã e dos testes de mísseis realizados pela Coréia do Norte. A alta do combustível pode provocar um crescimento da inflação e consequente elevação dos juros e desaquecimento da economia global, daí a preocupação que causa.

Temor
O maior consumidor mundial do combustível são os EUA. Se os preços sobem, fazem a inflação crescer e provocam a elevação dos juros - o temor de que a taxa americana, hoje em 5,25% ao ano, aumente mais é justamente a explicação para a recente turbulência, dizem os analistas.


Efeito global
As Bolsas asiáticas e européias tiveram baixa, a de Nova Iorque recuou 1,51%, para 10.846,29 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) caiu 1,72%, para 2.054,11 pontos. A da Argentina desabou 3,37%, aos 1.644,03 pontos.

Balanços
Os investidores em Wall Street também estão apreensivos quanto aos resultados corporativos do segundo trimestre, que começam a ser divulgados e devem dar uma indicação importante a respeito do nível de aquecimento da economia dos Estados Unidos - principal preocupação nas últimas semanas.

Boa impressão
''A economia brasileira vai muito bem: inflação em baixa, expectativa de redução de juros, produção industrial crescendo. Porém as atenções devem se manter concentradas no que acontece lá fora'', afirmou Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating.

Estrangeiros
A possibilidade de que continuasse o aperto monetário nos EUA provocou, desde 10 de maio, uma debandada de mercados como o brasileiro - os investidores partiram em busca de ativos mais seguros. Naquele mês, os estrangeiros retiraram R$ 1,515 bilhão da Bovespa. Em junho, o saldo ficou negativo em R$ 2,260 bilhões.

Inversão
Os analistas de mercado esperam que esse movimento comece a se inverter. Até o dia 10 de julho, os estrangeiros tiraram R$ 52 milhões - diferença entre compras de ações de R$ 3,145 bilhões e vendas de R$ 3,197 bilhões.

Inflação
Com os preços da construção civil subindo menos, a primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de julho subiu 0,17%, inferior à taxa registrada em igual prévia em junho (0,27%). Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgou ontem o resultado, a taxa menor indica que o IGP-M de julho pode fechar o mês bem abaixo do nível de junho (0,75%). O IGP-M é usado para reajustar preços de aluguel e de energia elétrica e a primeira prévia do indicador pesquisou preços entre os dias 21 a 30 de junho.

Juros
O mercado de juros trabalhou em alta durante todo o dia, embalado pelas turbulências no cenário externo. Assim como na quarta-feira, as taxas dos contratos de DI mais longos foram as que mais subiram, enquanto os DI mais curtos estiveram mais perto da estabilidade, ainda refletindo os índices inflacionários e o corte da Selic esperado para a próxima reunião do Copom, na semana que vem.

Estresse
Ontem, no entanto, estes contratos mais curtos também não passaram ilesos ao estresse que tomou conta dos mercados, e operaram em alta. No mercado de juros futuros da BM&F, o contrato de DI de janeiro de 2008, um dos mais negociados, encerrou a sessão com taxa de 14,95%, ante 14,87% ontem. O DI/janeiro 09 fechou a 15,27% (15,16%); DI janeiro/07, 14,57% (14,56%).

Com agências Estado, Folhapress e AFP

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