Dia de volatilidade
Cautela continua sendo a palavra de ordem no mercado financeiro. Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve um dia de volatilidade: abriu em alta, na máxima do dia registrou elevação de 0,9%, na mínima teve queda de 0,99%, e subiu 0,11% no fechamento, aos 36.140 pontos, com giro de R$ 1,084 bilhão. O dólar comercial oscilou de R$ 2,169 a R$ 2,183 mas terminou o dia estável, a R$ 2,182. No final da tarde, o risco-país tinha baixa de 0,82%, aos 241 pontos.

Lá fora
A Bolsa de Nova Iorque também perdeu força na segunda etapa de negócios. O fraco movimento financeiro na Bolsa mostra que, apesar de algumas ações estarem com preços atraentes após as quedas das últimas semanas, os investidores ainda relutam em assumir posições. E, como as incertezas a respeito da economia dos Estados Unidos permanecem - as dúvidas foram o principal motivo para a recente turbulência -, os analistas dizem que essa é a melhor postura no momento.

Fundamentos
No mercado brasileiro, a volatilidade deve ser menor do que em outros emergentes, porque os fundamentos da economia do país continuam bons. A atuação do Banco Central no câmbio impediu a baixa da moeda norte-americana. O BC voltou a realizar leilão de compra de divisas, com corte a R$ 2,173. Segundo operadores, a quantidade comprada ontem foi maior do que nas últimas operações. A previsão dos especialistas é de que as cotações oscilem entre R$ 2,15 e R$ 2,20 no curto prazo.


IPCA
Depois da deflação registrada no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, os analistas do mercado financeiro decidiram reduzir ainda mais a previsão de inflação para este ano, para 3,81%, contra 3,96% da semana anterior. É a sexta revisão consecutiva. O IPCA, que é o índice oficial do governo, teve deflação de 0,21%, a primeira do ano. Em maio, o IPCA registrou inflação de 0,10%.

Outros índices
Já os outros índice de inflação sofreram revisões para cima, segundo o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central. No caso do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), a previsão passou de 3,45% para 3,61%. Já a expectativa do Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) subiu de 3,69% para 3,72%.

Juros
Sobre os juros, os analistas mantiveram a previsão de um corte de meio ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima semana. Dessa forma, a taxa básica de juros da economia iria para 14,75% ao ano. Já a previsão para o ano é que ela caia até 14,25%.

PIB
A previsão para o crescimento da economia foi mantida em 3,6%. Essa é a sexta semana que a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) fica nesse patamar. Já sobre a produção industrial, os analistas fizeram um pequeno ajuste, de 4,25% para 4,21%. A projeção em relação ao superávit comercial -saldo positivo entre exportações e importações- ficou em US$ 40 bilhões.


Européias
Os principais mercados europeus fecharam em alta ontem. O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres avançou 0,14%. Na bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 0,58%. Na bolsa de Frankfurt, o índice Xetra-DAX ganhou 0,43%. Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 154 pontos (0,42%), em 36.588 pontos. Traders disseram que os volumes foram reduzidos, em dia marcado pelas comemorações da conquista do tetracampeonato mundial de futebol. As ações da Fiat subiram 2,44%, em meio à expectativa de que a empresa anuncie em breve uma aliança internacional.


Previsões
A ONU prevê um crescimento mundial de 3,6% em 2006, mas teme um 'sensível freio' até o fim do ano, sob o efeito conjunto do déficit americano, dos preços do petróleo e dos riscos da pandemia de gripe, segundo um documento divulgado pela organização ontem. ''Esperamos uma sensível desaceleração na segunda metade de 2006'', escreve a ONU em seu relatório semestral ''Situação e perspectivas da economia mundial'', publicado em Genebra.

Riscos
A ONU aposta em um crescimento mundial de 3,6% este ano, o mesmo que em 2005. Mas os especialistas das Nações Unidas explicam que ''embora a economia tenha iniciado o ano com vigor'', ''os riscos de baixa surgidos recentemente pesarão sobre a economia mundial a curto ou médio prazo''. Entre estes riscos está o déficit em conta corrente dos Estados Unidos, que deve superar os 900 bilhões de dólares este ano.

Riscos 2
A ONU também se preocupa com o aumento dos preços do petróleo, acima dos 75 dólares, registrando recordes históricos. Diante do risco de pandemia da gripe, a seu nível máximo desde 1968, a ONU destaca que a doença pode custar ao planeta entre 0,1% e 10% de seu PIB em um ano, com o número de mortos oscilando entre cinco e 150 milhões. Esta situação afetaria fundamentalmente os países em desenvolvimento.


Petróleo
Os preços do petróleo retrocederam levemente ontem, na abertura do mercado de Nova Iorque, devido a um movimento de realização de lucros, em meio às tensões geopolíticas e à ameaça de furacões nos Estados Unidos. Na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, o barril de petróleo ''light sweet'' para entrega em agosto cedia 24 centavos, a US$ 73,85, cotações que refletem algumas realizações de lucros depois que o cru estabeleceu novos recordes históricos na semana passada. O preço alcançou os US$ 75,78 na sexta-feira, nas transações eletrônicas de Nova Iorque, o nível mais elevado jamais alcançado.

Com agências

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