De olho no Fed
  O Federal Reserve americano aumentou ontem sua taxa básica de juros em um quarto de ponto percentual, indo para 5,25%, e deu a entender que pode haver novas altas para combater a inflação. Esta decisão corresponde à expectativa dos analistas. No comunicado, o comitê de política monetária (FOMC) do banco central sublinhou que ‘‘os últimos indicadores levam a pensar que o crescimento está se tornando moderado’’, depois de um ritmo bem elevado no início do ano, e que ‘‘os dados da inflação de base estiveram altos nesses últimos meses’’.

Dilema
  É a 17ªvez consecutiva que o Fed sobe sua taxa interbancária. Ela era de apenas 1% em junho de 2004. Estes elementos resumem todo o dilema do Fed: por um lado, a economia está se desacelerando, o que sugere uma política de taxas tolerante para não entorpecer a atividade. Mas, por outro lado, a inflação permanece em níveis preocupantes e seria lógico aumentar as taxas para evitar que os preços disparem.

Boa acolhida
  Os mercados acolheram bem a decisão do banco central norte-americano. A Bolsa de Nova Iorque estava em alta no fim do dia: o índice Dow Jones ganhava 1,96%, o maior avanço desde abril de 2005, e o Nasdaq, 2,89%.

No Brasil
  O dólar comercial caiu 2,07% ontem, vendido a R$ 2,175 - menor valor desde 18 de maio-, e a Bovespa disparou 4,74%, para 36.486 pontos, demonstrando a animação dos investidores com a decisão do Fed. ‘‘Agradou principalmente a passagem (da nota) na qual a autoridade monetária menciona a desaceleração do crescimento da economia norte-americana’’, afirmou o consultor financeiro e professor Ricardo Fontes. ‘‘Esse é o ponto-chave para a taxa de juros chegar ao equilíbrio’’, acrescenta Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez.

Apostas
  Os especialistas agora apostam em mais um aumento da taxa de 0,25 ponto percentual em agosto e aí sim uma parada técnica, ou seja, pausa para avaliação dos efeitos da política adotada sobre a atividade econômica. Entretanto, ainda é cedo para a retomada da euforia do início de maio, a qual precedeu a reunião anterior do Fed, na qual a taxa foi aumentada pela 16ªvez seguida. Analistas frisam que, embora tenham diminuído, as incertezas persistem, então a volatilidade também deve continuar com menor intensidade.

Petróleo
  Os contratos futuros de petróleo fecharam acima de US$ 73,00 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), pela primeira vez em duas semanas. Os contratos para agosto fecharam a US$ 73,52 o barril, alta de US$ 1,33 (1,84%). Em Londres, no sistema eletrônico da ICE Futures, os contratos de petróleo Brent para agosto fecharam a US$ 72,88 o barril, alta de US$ 1,47.

Gasolina
  Os futuros de gasolina também subiram para máximas que não eram vistas desde a passagem do furacão Rita no Golfo do México, em 2005, segundo traders e analistas. Na Nymex, os contratos de gasolina para julho fecharam a US$ 2,2950 por galão, alta de 891 pontos (4,04%). A alta é motivada pelo início da temporada de verão onde o consumo aumenta significativamente.

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