MERCADO FINANCEIRO
Nota de risco
A agência de classificação de risco Fitch decidiu elevar o ''rating'' (nota de risco) do Brasil, o que, em tese, significa que governos e empresas nacionais poderão ter acesso a crédito mais barato no exterior. O ''rating'' de longo prazo para a dívida brasileira em moeda estrangeira subiu de ''BB-'' para ''BB'', mas continua dois degraus abaixo do chamado ''investment grade'', concedido apenas a países ou empresas considerados investimentos seguros.
Confiança
O ''rating'' indica o grau de confiança que o mercado tem na capacidade de cada país pagar sua dívida. Quanto melhor o ''rating'', mais seguro é investir em títulos desse país. Com a nota ''BB'', o Brasil ultrapassa Turquia, Venezuela e Vietnã, entre outros, e passa a ter uma nota semelhante à de países como Colômbia, Costa Rica e Filipinas.
Dívida
A Fitch informou que a elevação do ''rating'' brasileiro reflete a redução do endividamento externo brasileiro e os sinais de que o país está preparado para enfrentar turbulências no mercado. A agência prevê que a dívida externa, que estava em US$ 161 bilhões ao final de maio, vai cair abaixo de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) até o final deste ano, o menor patamar em mais de uma década. No auge da crise de 2002, cerca de 40% da dívida brasileira estava atrelada ao dólar.
Estratégia
O Tesouro Nacional aprofundou nos últimos meses a estratégia de trocar dívida externa por interna com os pagamentos dos débitos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com o Clube de Paris e também com o resgate dos ''bradies'' (títulos da dívida externa renegociada).
Progresso
A Fitch também destacou que o progresso na redução da inflação, que pode ficar abaixo da meta de 4,5% neste ano, tem permitido ao Banco Central reduzir os juros mesmo com a turbulência internacional. ''O Banco Central foi capaz de continuar o ciclo de flexibilização (dos juros) embora outros bancos centrais de mercados emergentes tenham endurecido a política monetária para conter o enfraquecimento das moedas e pressões inflacionárias'', afirmou Roger Scher, chefe de Rating Soberano da Fitch para a América Latina.
Volatilidade
O mercado financeiro global tem enfrentado volatilidade desde o início de maio, quando o BC dos EUA sinalizou que deve aumentar os juros mais que o esperado. Esse movimento favorece a migração de recursos de países emergentes como o Brasil para a segurança dos títulos americanos. Apesar de bastante otimista, a Fitch informou que novas melhorias no ''rating'' brasileiro estão condicionadas a uma taxa de crescimento maior -o país cresceu apenas 2,3% no ano passado- e menores juros.
Européias
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres, fechou em alta ontem de 26,3 pontos (0,47%), em 5.678,6 pontos. Traders disseram que especulações sobre fusões e aquisições levaram o mercado londrino a ter um desempenho melhor do que o das outras bolsas européias. Na bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 2,76 pontos (0,06%), em 4.774,00 pontos. Na bolsa de Frankfurt, o índice Xetra-DAX fechou em queda de 2,28 pontos (0,04%), em 5.456,87 pontos. Traders disseram que o mercado acompanhou o fraco desempenho das bolsas dos Estados Unidos. Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 122 pontos (0,34%), em 35.515 pontos.
Inflação
A projeção de inflação para este ano subiu ligeiramente de 3,7% para 3,8% no cenário de referência elaborado pelo Banco Central no relatório trimestral de inflação divulgado ontem. O cenário de referência considera juros constantes em 15,25% ao ano e taxa de câmbio a R$ 2,30. Para 2007, o cenário de referência aponta uma projeção de 4,2% para o IPCA, ante 3,9% no relatório de inflação anterior.
Expectativa
No cenário de mercado, que considera as expectativas de mercado para as taxas de juros e de câmbio, a projeção para o IPCA em 2006 caiu de 4,6% para 4,3%. Para 2007, a projeção para a inflação foi reduzida de 5,4% para 5,2%. A meta de inflação para este e para o próximo ano é de 4,5%. O BC manteve inalterada sua projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano em 4%.
Flutuações
A Bolsa de Nova Iorque abriu em alta ontem, com o índice Dow Jones ganhando 0,22% e o Nasdaq 0,24%. No Brasil, às 14h30, o dólar comercial operava em queda de 0,31%, cotado a R$ 2,231; e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subia 0,61%.
Asiáticas
Com os investidores aguardando o veredicto do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa de juros nos EUA e acalentando a preocupação sobre qual será o impacto da decisão para as economias da região, o sinal negativo prevaleceu nas principais bolsas da Ásia. A única exceção foi o mercado da Tailândia, que graças a compras de pechinchas entre ações selecionadas de bancos e de energia fechou com o Thai Set indicando alta de 1,1%. Em Taiwan, o Taiwan Weighted caiu 0,48%. Na China, o Xangai Composto fechou praticamente estável, após cair 0,02%.
Petróleo
O preço do petróleo nos Estados Unidos fechou em alta pela sexta sessão consecutiva nesta quarta-feira, impulsionado por uma queda maior que a prevista nos estoques. Os contratos para agosto tiveram alta de 0,27 dólar, para finalizar o pregão a US$ 72,19 por barril. Em Londres, o tipo Brent também com vencimento em agosto subiu 0,48 dólar no fechamento, a 71,46 dólares por barril.
Estoques
Os estoques norte-americanos de petróleo caíram 3,4 milhões de barris na semana que terminou em 23 de junho em comparação a semana anterior, para 343,7 milhões de barris, informou o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE). A retração superou a queda de 1,1 milhão de barris prevista pelos economistas consultados pela agência Dow Jones. Os estoques de gasolina recuaram 1 milhão de barris na semana passada em relação a anterior, para 212,4 milhões de barris, contrariando a previsão dos especialistas de aumento de 400 mil barris.
Com agências internacionais





