Dólar fecha em baixa
O dólar abriu em alta ontem, inverteu a direção e encerrou o dia com baixa de 0,39%, vendido a R$ 2,246, com a entrada de exportadores no mercado. José Roberto Carreira, da corretora Novação, explicou que muitos exportadores aproveitam para vender dólares quando a cotação da moeda norte-americana sobe. Esse movimento gera um excesso da divisa no mercado, o que provoca logo em seguida a baixa.

Sem previsões
Os analistas ressaltam, entretanto, que enquanto não diminuírem as incertezas sobre o ritmo de crescimento da economia dos Estados Unidos, a trajetória da sua inflação e o rumo dos seus juros, não será possível prever o comportamento do mercado financeiro. O pessimismo começou em 10 de maio, quando o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) aumentou pela 16 vez consecutiva os juros, para 5% ao ano. Analistas esperam que, na sua próxima reunião, no dia 29, a autoridade monetária faça uma nova elevação de 0,25 ponto percentual.

Correções
Mas os especialistas dizem que a maior parte do movimento de realocação de recursos por uma nova percepção de risco já se deu, por isso não haveria motivo para turbulências ainda maiores. Não está prevista a divulgação de indicadores econômicos importante nesta semana, então os investidores ficam um pouco mais tranquilos e tentam corrigir os exageros das últimas semanas - desde o início de maio, a Bovespa já acumula perdas de 16,02% e o dólar tem valorização de 8%.


Turbulências
''O Brasil não está imune às turbulências externas'', reconheceu ontem o diretor de política monetária do Banco Central (BC), Rodrigo Azevedo, em entrevista após apresentação para investidores em Nova Iorque. Contudo, ele observa que, por ter um ''regime de cambio flutuante, o Brasil não tem que importar imediatamente a política monetária de outros países'', comentou, em referência ao fato de que diversos BCs globais estarem em trajetória de aperto monetário. ''Temos de monitorar e avaliar como isso (a turbulência e a reação de diversos BCs de países emergentes) vai afetar a inflação prospectiva.''

Coisa do passado
Segundo Azevedo, a alteração automática da política monetária foi coisa do passado, quando o País tinha câmbio fixo. Sobre a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), remarcada para o próximo dia 29, Azevedo não quis comentar qual será a decisão sobre a meta de inflação. Ele disse que a tarefa do BC é a de ''entregar uma inflação baixa ao País. As expectativas de inflação estão bem ancoradas'', reiterou.

Dívida/PIB
Sobre a relação dívida/PIB, o diretor do BC disse que a trajetória é de queda ''se for mantido o superávit primário em 4,25%''. ''A expectativa é de contínua queda da trajetória dívida/PIB abaixo de 50% no horizonte de 4 a 5 anos''.

Best Brazil
Azevedo, na sua apresentação para investidores, destacou, que além do quadro macroeconômico brasileiro, há estrutura ''eficiente, segura e sólida'' do mercado de capitais brasileiro. Em apresentação no evento Best Brazil, que deverá ser replicado hoje, em São Francisco, ele observou que os fundamentos macro do País são uma oportunidade para se ter vantagem com ativos brasileiros e citou que o País desfruta de um sistema sofisticado de mercado de capitais.


Vulnerabilidade
Azevedo destacou para uma platéia de cerca de 80 investidores a redução da vulnerabilidade externa do País, citando que nos últimos quatro anos o Brasil experimenta superávit de conta corrente, redução da relação dívida externa líquida/PIB. Ele também destacou o nível de reservas internacionais, que estava em US$ 63,2 bilhões em maio deste ano, o que ''indica uma posição muito mais forte para enfrentar tempos adversos''.


Convergência
Azevedo disse a investidores que a turbulência recente no mercado internacional não deteriorou as expectativas de inflação no Brasil. Ele destacou que a inflação continua em trajetória de convergência para a meta do BC, acrescentando que ''as expectativas estão caminhando bem''. Azevedo disse ainda que o comportamento do risco Brasil durante a turbulência recente do mercado externo demonstra os avanços alcançados pelo País.


IPC
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, apresentou redução de 0,50% na segunda quadrissemana de junho. Essa deflação foi maior que a apurada na quadrissemana anterior, quando o IPC recuou 0,38%, e foi motivada basicamente pela queda de preços de alimentos, que recuaram 1,82%, enquanto na primeira quadrissemana a queda havia sido de 1,32%. Com este resultado, a Fipe já prevê que o IPC em São Paulo poderá fechar o semestre em deflação, o que não ocorre desde o início do Plano Real, há 12 anos.

Alimentos
De acordo com coordenador da pesquisa de preços da Fipe, Paulo Picchetti, mais uma vez os alimentos deram toda a dinâmica para o índice. E na comparação ponta a ponta, entre a segunda semana deste mês e a segunda semana de maio, verificou-se uma aceleração no ritmo de queda no grupo alimentação. Dentro do grupo alimentação, ele destacou as carnes, que têm maior oferta no mercado devido a restrições às exportações. Ao mesmo tempo em que o crescimento do consumo interno não absorveu o excesso de oferta de carne.


Tóquio e Nova Iorque
A Bolsa de Tóquio fechou em forte baixa ontem, com o índice Nikkei perdendo 1,43%, devido aos novos riscos de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, segundo corretores. O índice Nikkei dos 225 principais valores cedeu 211,94 pontos (-1,43%), fechando a 14.648,41 pontos. O mercado japonês foi afetado pela queda do Wall Street na véspera, após as advertências das autoridades do Federal Reserve dos Estados Unidos (banco central) contra os riscos de inflação e o aumento dos preços do petróleo, acrescentaram os corredores. Ontem a Bolsa de Nova Iorque abriu em leve alta ontem, com o índice Dow Jones ganhando 0,15% e o Nasdaq 0,05%. Apesar disso,


Petróleo
Os preços do petróleo fecharam estáveis ontem, num mercado cauteloso diante dos riscos de perturbação da produção pela crise nuclear com o Irã e antes da publicação dos dados das reservas de produtos derivados do petróleo nos Estados Unidos. Em Nova Iorque, o barril do ''light sweet cru'' para entrega em julho caiu 4 centavos, ficando a US$ 68,94. Os mercados temem uma redução das exportações de petróleo iraniano - estimadas em 2,7 milhões de barris diários - no caso de uma escalada da crise.

Das agências Estado, Folhapress e France Presse

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