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Montanha russa
As Bolsas de Valores pareciam numa montanha russa nesta semana, com fortes quedas num mercado à beira de um ataque de nervos, seguidas por recuperações impressionantes, num cenário de incertezas econômicas. Wall Street e as principais praças da Europa, Ásia-Pacífico e América Latina iniciaram a semana com quedas bruscas, mas voltaram a subir na quinta-feira.
Temores
A instabilidade no mercado, porém, já dura pelo menos um mês: os temores de retomada da inflação, sobretudo nos Estados Unidos, mas também na Europa, e uma consequente alta das taxas de juros para controlar os preços, arrastaram todas as Bolsas.
Efeitos
Novas altas dos juros podem ter efeitos negativos para o crescimento econômico e, portanto, para as grandes empresas cotadas em Bolsa: esta perspectiva vem fazendo a onda depressiva abater sobre os mercados desde meados de maio.
Tendência
A tendência de o custo do dinheiro aumentar parece, na verdade, incontrolável nos dois lados do Atlântico. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) elevou sua taxa básica de 1% a 5% em apenas dois anos. O Fed pode aumentar os juros ainda mais, este mês, para conter os preços ao consumo (em alta de 0,4% em maio com relação a abril), alimentados ainda pelos altos custos do petróleo, que está em torno dos 70 dólares o barril.
Taxas
''A decisão está tomada: as taxas do Fed subirão a 5,25% no fim de junho (...)'', resumiu em nota Julie Leibowitch, do SG CIB. Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) aumentou semana passada suas taxas de juros em 2,75%, pela terceira vez desde dezembro, também para combater os riscos inflacionários. De junho de 2003 a dezembro passado, o BCE havia mantido sua taxa básica em 2%, uma longa situação que perdurou por 30 meses. Assim como o Fed, é mais que provável que o BCE continue apertando sua política monetária ainda este ano, trazendo más notícias para os mercados.
Metais
A queda, desde meados de maio, das cotações das matérias-primas, especialmente os metais - depois de vários meses de um ''boom'' extraordinário -, também contribuiu para a depressão das Bolsas, segundo os especialistas que, no entanto, apostam numa recuperação deste setor.
Crash?
Por isso, vários especialistas se negam a falar em ''crash'' da Bolsa, referindo-se aos movimentos das últimas semanas. O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato se mostrou nesta semana tranquilizador sobre a situação das Bolsas, afirmando que ''recentemente os mercados vêm tendo uma melhor percepção dos riscos. Isto deve produzir uma correção que é necessária''.
Bovespa
O discurso mais ameno do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Ben Bernanke, e a melhora nos mercados internacionais na quinta-feira impulsionaram a Bolsa de Valores de São Paulo ontem. O resultado foi uma alta de 4,42%, para 34.398 pontos. ''A Bovespa refletiu hoje (ontem), com atraso, o movimento positivo de quinta-feira dos mercados internacionais, após o discurso do presidente do Fed'', avaliou Angelo Larozi, da corretora Souza Barros.
Bernanke
Ben Bernanke afirmou na quinta-feira, no Clube de Economia de Chicago, que a inflação nos Estados Unidos é acompanhada de perto e que o impacto do aumento dos preços de energia tem sido limitado, o que demonstra a eficiência da política monetária adotada. As declarações geraram mais otimismo entre os investidores. O índice Dow Jones, o principal do mercado de Nova York, subiu 1,83% na quinta-feira, na maior alta desde abril de 2005. A Nasdaq teve forte ganho, de 2,79%.
Câmbio
O mercado de câmbio brasileiro também repercutiu com atraso a melhora externa e o discurso do presidente do Fed. A divisa norte-americana fechou com queda de 1,62% nesta sexta-feira, a R$ 2,245 na venda, acumulando na semana desvalorização de 0,80%.
Quedas
Porém, as Bolsas externas voltaram a apresentar quedas ontem. Em Nova Iorque, os índices Dow Jones e Nasdaq caíram 0,01% e 0,66%, respectivamente. As Bolsas de Paris e Londres recuaram, na ordem, 0,6% e 0,4%. Em Frankfurt, a baixa foi de 0,9%. As quedas nos principais mercados acionários do mundo ontem foram impulsionadas pelo avanço no rendimento nos títulos de dez anos do Tesouro norte-americano, que subiu de 5,098% para 5,128% ao ano.
Petróleo
Os preços do petróleo se estabilizaram nesta sexta-feira depois de dois dias de recuperação técnica, ante indícios positivos na crise internacional aberta sobre as atividades nucleares do Irã. Em Nova Iorque, o barril do ''light sweet crude'' para entrega em julho fechou em alta de 38 centavos a US$ 69,88. Em Londres, o barril do Brent do Mar do Norte ganhava 35 centavos a US$ 68,80 ao final das operações.
Das agências Estado, Folhapress e France Presse





