MERCADO FINANCEIRO
Títulos
As oscilações dos mercados nas últimas semanas de maio reduziu o interesse dos estrangeiros por títulos brasileiros, mesmo com a isenção do Imposto de Renda sobre os ganhos obtidos com esses papéis que foi concedida por meio da medida provisória 288, editada em meados de fevereiro. ''A volatilidade externa aumenta a aversão ao risco e diminui os volumes para mercados emergentes'', disse Ronnie Tavares, coordenador-geral da dívida do Tesouro Nacional.
Números
Segundo ele, entre fevereiro e março esses investidores compraram R$ 8,4 bilhões em papéis do Tesouro Nacional. O volume caiu para R$ 1,3 bilhão em abril e maio, uma queda de 84,5%.
Mais comprados
As Notas do Tesouro Nacional - série B (NTN-B), que são papéis que pagam ao investidor a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais uma taxa de juros fixa, foram os papéis mais comprados por estrangeiros. Eles adquiriram 42% do ofertado em fevereiro e março e 21% em abril e maio. Apesar da queda, Tavares destacou que esses investidores preferem os papéis de prazo mais longo, o que é positivo para o Tesouro Nacional.
Interesse
Dos papéis com vencimento acima de dez anos, os estrangeiros compraram 57% do vendido em fevereiro e março e 62% do ofertado nos dois meses seguintes. Já os papéis com vencimento em até três anos, despertaram pouco interesse, foram comprados por estrangeiros 7% do ofertado em fevereiro e março. Já nos dois meses seguintes, o interesse foi nulo.
Nos EUA
O CPI (Índice de Preços ao Consumidor, da sigla em inglês) registrou inflação de 0,4% em maio nos Estados Unidos, segundo informou ontem o Departamento do Trabalho, e o seu núcleo ficou em 0,3%. Embora a variação apontada pelo indicador esteja dentro do previsto pelos analistas, o núcleo superou as expectativas, que eram de 0,2%, somando-se dessa forma aos argumentos que poderiam justificar uma nova elevação de juros no país.
Taxa
A taxa básica norte-americana está atualmente em 5% ao ano. Sua última elevação - a 16 consecutiva- foi em 10 de maio, de 0,25 ponto percentual. Esperava-se uma sinalização do fim do ciclo de altas - a última foi a 16 consecutiva-, mas a autoridade monetária preferiu dizer que ia acompanhar com atenção os indicadores econômicos para definir seus próximos passos.
Nervosismo
A partir de então, um forte nervosismo se abateu sobre o mercado financeiro em todo o mundo, porque, quando os juros nos EUA sobem, os grandes investidores internacionais abandonam aplicações em mercados como o brasileiro para se refugiar em ativos mais seguros, como os treasuries (títulos do Tesouro norte-americano). A próxima reunião do comitê de política monetária do FED (Federal Reserve, banco central dos EUA) acontece no dia 29. Em abril, o CPI havia ficado em 0,6% e o seu núcleo, em 0,3%.
Europa
As principais bolsas européias fecharam ontem com tendências mistas. A Bolsa de Londres fechou a sessão em baixa, com o índice Footsie-100 perdendo 12,8 pontos. A Bolsa de Paris também fechou em baixa, com o índice CAC 40 caindo 0,05% a 4.615,44 pontos, seu menor nível desde o final de 2005. O índice Dax da Bols de Frankfurt, por sua vez, fechou em alta de 0,26%, a 5.305,99 pontos.
No Brasil
A Bolsa de Valores de São Paulo mudou de rumo na tarde de ontem. Depois de atingir o patamar máximo de 33.474 pontos, passava a cair, sofrendo ainda com os temores de alta de juros nos Estados Unidos. Às 15h14, a Bolsa recuava 1,02%, para 32.509 pontos. Na mínima do dia, chegou aos 32.057 pontos, e só no mês de junho as perdas são de 10%. O dólar comercial tinha baixa de 1,29%, vendido a R$ 2,281. A moeda norte-americana acompanhava o risco Brasil, que caía 5,07%, aos 262 pontos.
Asiáticas 1
A Bolsa de Tóquio fechou em alta nesta quarta-feira, com o índice Nikkei subindo 0,64%, depois da queda brusca da véspera pelo temor de alta das taxas de juros nos Estados Unidos. O índice Nikkei dos 225 principais valores subiu 90,96 pontos, terminando a 14.309,56 pontos.
Asiáticas 2
Apesar do fechamento em alta na Bolsa de Tóquio, a maior parte das bolsas da região terminou em queda, ressentindo-se das perdas de terça-feira em Nova Iorque e da onda de vendas que voltou a assolar vários mercados emergentes. A expectativa com o índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA também contribuiu para manter os investidores na retaguarda.
Correção esperada
A queda das Bolsas mundiais é uma correção esperada e necessária provocada por uma melhor apreciação dos riscos dos investidores, estimou ontem o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato. ''Os mercados adotaram há pouco uma melhor apreciação dos riscos e acreditamos que isso representa, provavelmente, uma correção necessária'', declarou Rato à imprensa, por ocasião de uma visita à Austrália.
Petróleo
Os preços do petróleo estavam estáveis ontem em Nova Iorque, depois da forte queda da véspera e antes da divulgação dos dados sobre as reservas estratégicas dos Estados Unidos, no momento em que o risco de sanções contra o Irã parece estar se dissipando. No início da tafe, em Nova Iorque, o barril de ''light sweet'' para entrega em julho subia 29 centavos, negociado a US$ 68,85.
Das agências Estado, Folhapress e France Presse





